9.12.08
3.12.08
e eu ainda não sei dizer
quando perdi tatas palavras pelo caminho
perdí ainda
cinco léguas de pares de meias
e andei descalço por sete quilômetros e meio
pensando em todas as besterias
que eu ainda nunca pensei
pensei que era tarde
e ficou mais tarde ainda
fiz uma canção de amor, ninguém me ouviu e esqueci
a quem falo palavras por mim
como se eu não quisesse dizer
deixo perder de vista a estrada
deixando um qualquer aspecto
esquecer, sonhar e nada mais
sonhar, acordar e adormecer
embreagado, dormir e sonhar
e dormir e sonhar, esquecer..
amor, amor..
palavra gasta
não sei dizer
prevêm qualquer gesto que eu pense em fazer/
diga agora onde estava as palavras que eu perdi
2.12.08
perder-se no caminho, deixar pra depois deixar os passos para trás,
desarmar-se para quem se ama e dispensar o caminho mais fácil.
toda certeza que eu tinha era a de que nada poderia ser por acaso.
que se me vissem no caminho nem eu saberia informar pra onde ia
decerto estava tonto, ter tentado tantas vezes me iludir, pra não ver
ou talvez um pouco de loucura ficaria bem se com uma dose a mais.
sem você me sinto mal. e nem sei porque eu preferisse um remédio.
preferia doer todas as cicatrizes novamente como pensava de antes.
fosse a primeira vez, a minha espera, não teria tanto tempo a perder
e não teria perdido toda a paciência pra viver depois, depois e depois.
e se talvez distante/nada agora. amanhã, amanhã e depois de amanhã
..
1.12.08
26.11.08
25.11.08
24.11.08
Os índios foram mortos e o país era feliz porque
Deus estava de seu lado.
Depois veio a guerra mundial e jamais se soube porquê mas
Deus ainda estava de nosso lado.
Depois veio a Segunda Guerra
e os alemães mataram milhões de pessoas.
Mas nós agora somos amigos dos alemães porque
Deus está do lado deles.
E agora vamos para outra guerra, pois
Deus está de nosso lado".
14.11.08

Poema nos meus 43 anos
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.
... de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi...
e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.
13.11.08
7.11.08
Você me diz que eu sou vadio
que eu sou muito vagabundo
e que o meu cabelo é azul
você me corta toda hora
você me tira da jogada
baby o nosso amor está no fim
se o meu cabelo é azul você não tem nada com isso
baby o nosso amor está no fim..
você me diz não tem nada a ver
o nosso mundo sou eu e você
então ok vê se não é isso
então faça o favor de não me esquecer
24.10.08
16.10.08
Durkhein morreu de causas naturais, era autor de O Suicídio..
Dave Freeman autor de Cem coisas para fazer antes de morrer não plantou uma árvore..
o escritor e sociólogo suíço Jean Ziegler dizia: "se vir um banqueiro suíço se atirar da janela, atire-se logo atrás também porque deve ser um bom negócio"
15.10.08
13.10.08
Essa estrada, leva e traz dor e alegria,
A primeira caminhada, a primeira companhia,
Vim do sertão, lá do meio da chapada
Quanto tempo, quanta estrada
Tanta curva perigosa
É muito fácil, todo passarinho voa
Toda mata eu sei que é boa
Quando não tem alçapão, tem nada não
caminhar por onde se passa,
E mês que vem, eu vou de trem pra Montes Claros...
tem nada não, caminhar por onde se passa
E mês que vem eu vou de trem pra Montes Claros
E mês que vem eu vou de trem pra Montes Claros...
10.10.08
7.10.08
30.9.08
29.9.08
que estavam em lugares diferentes
e assim consigo encontrar Cartola,
Bethoven e Syd Barret na minha rua
no fim do dia eu coloco um som e acendo a minha cabeça olhando para a janela e mesmo sem te ver eu já acho que você está olhando para mim. você me olha com os olhinhos meio fechados como se preparasse daqui uns poucos anos para dizer um dia que já estou velho demais para pensar em rock'and roll, pois sabe me dizer essas coisas da caretice, só você me diz sobre lei seca e cartão de vacinação. coisas vãs que eu deixei lá fora. por mim até as formigas na calçada me levariam e eu enfim naturalmente as diria: leve-me ao seu líder, tenho um chicletes no bolso..
25.9.08
24.9.08
23.9.08
plural dos substantivos compostos
não foi uma delas, não, nada disto
.quem não vê lá fora outra estação
se lembra agora da última palavra.
nada do que eu disse antes de ir
e lembra de si mesmo como se fosse
uma outra pessoa falando sozinha.
enfim, se tudo é normal e tão mais
normal é sonhar sem saber o que é
e acordar novamente do outro lado.
22.9.08
como assim?
futuro é a pessoa que agente espera e nunca vem..
como se o momento entre abrir a carta e ler
se dilatasse por dias, séculos e nunca chegar..
assim a vida de ser-estar e não saber o que vem
o oscar vai para..
como quem diz, assim,
com cara de amanhã;
você vai morrer dia..
________________________________________[fim.
19.9.08
Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças
Livros, sim...
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir...
18.9.08
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
a dentadura, sim, é a arte
o que faço não é nada
não tenho a minha telecaster
não tenho carteira de artista
não tenho permissão de subverter
não tenho frequentado o hype
não estou matriculado no underground
não estou registrado na galeria
não tenho pés na calçada da fama
nada que me seduz, nada surpreende mais
onde está a arte que estava aqui?
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
repetição
abre aspas e fecha aspas
mesma coisa sobre o nada
sentido nada faz
definitivamente eu realmente nada
e depois tudo bem se de alguma forma
lugar nenhum em todo lugar
redundâncias boiando e escolhas mal feitas
resta além de alguma alternativa e alternativa
sobre o céu nada dos últimos versos, restos
do que sobrou depois que nada aconteceu
o fim fora de ordem ainda pode ser o começo
ou
ou
ou
ou
ou
ou
ou
ou
ou
ow
..
16.9.08
15.9.08
13.9.08
9.9.08
5.9.08
açúcar e universo
Bem, é tão simples
e parece incrível.
Como um dia de sorte ou
como nenhum outro dia
deitado, olhando pra cima,
e a incrível vontade de voar.
Não sei mesmo se é isso.
Sei que passo dez horas por dia no sétimo andar,
fico pensando a dez kilômetros por hora na sua direção
e se isso representa uma metáfora talvez mesmo
a própria vida seja assim, uma poesia.
e olha que bonito presente eu ganhei
um poema da resposta que eu te dei.
E quando dizem fim de século pra nós,
pras estrelas é apenas o fim de semana.
banalidades anti-sistema de uma pessoa introspectiva normal á beira de um ataque de abismo .. ou pseudo ensaio do discurso realista, nada a ver com nada
..descascando laranjas em frente á tv,
não mais cervejas,
não mais planetas.
desisto da arte..
disso que se chama
a dor humana
a expansão do universo
a direção do cosmos
a desintegração da antimatéria
não interessa tanto agora.
as pirâmides do Egito, o Himalaia,
os jardins suspensos ou o Taj Mahal
estão todos lá fora.
o mundo até aqui, a esquina é alí
o império do garfo e faca sobre a mesa
não me intriga mais
o iluminismo não ilumina o quarto,
o pão espera ferver a água do café
já que voltei para casa mais cedo
nada me questiona
nada me incomoda
minto pra mim se confortável for acreditar
caí de maduro e acordei
dos mesmos sonhos de quando eu não tinha
antes de me colocarem no chão
sou apenas eu olhando pra mim
tentando me ver atrás do espelho..
agora eu sou moderno,
não me importo se é eterno,
até que é bom esquecer.
deitado sobre o rascunho,
pedaço de papel, poema sem fim
Remédio para a alma,
como quem espera nuvens..
O CARTEIRO E A ESTRADA
fez belas canções de amor pra ela, mas ninguém as viu.
naquele banco, voltado para o nada em pensamentos longes,
assoviava uma melodia fácil, juntando os calcanhares
como nunca havia feito antes. estava irreconhecível
dentro de um sorriso meio torto do alto daqueles
vinte e sete anos em tão aguardados minutos que corriam.
chegara cedo, apressado e com tempo
de conter a respiração mais apressada,
fazendo-se como quem veio de perto ou de carro próprio.
sorriu sozinho olhando o meio fio, meio sem graça,
esperando por alguém que não viu chegar ainda.
havia confirmado, telefonado, cartão com perfume
caligrafia treinada e tudo mais. esperou mais do que podia.
pensava nos motivos. talvez engano.
e até tarde de seus últimos minutos,
perdeu o ônibus e a timidez.
ao contrário dos carros apressados que vinham do outro lado,
voltava pra casa caminhando com as mãos sobrando
nos bolsos vazios no meio do nada, agora amassado,
nem se lembrava mais desde antes. pensava como foi o dia,
como chegou até alí, tinha tinha esquentado a água,
pensou no que diria em palavras, havia passado a roupa
que agora já não estava limpa, passou frio, passou vergonha
e esqueceu as chaves, estava do lado de fora de sua pequena casa alugada
e por uma noite inteira de pensamentos engolia a saliva
que havia guardado para um beijo longo
ensaiado apenas em um silencioso monólogo
de noites e noites anteriores.
daquela estação nunca mais ele sorriu como antes,
perdeu um certo trejeito que tinha no rosto,
mas agora dormia sem pensar muito,
errava mais com gosto de errar menos,
não esquecia mais as chaves e pisou os pés no chão.
ninguém nunca lhe disse nada parecido,
mas pela primeira vez pensou sozinho:
“deve ser divertido andar por aí e se perder no caminho.”
1.9.08
acabo de me lembrar,
não era nada disso..
era um gato que andava em cima das casas
e via o mundo de uma forma nada diferente
mas ninguém nunca lhe perguntou sobre
coisas do ocidente, propagandas de refrigerantes,
calorias, conservantes e bebidas em excesso.
ele não pretendia conviver com as pessoas
mas isso não fazia dele um gato sem dentes
mas sempre olhava a data de validade da latinha
imaginando ser o dia do aniversário da sardinha.
28.8.08
destinos, tanto faz.
ou é coincidência..
o acaso é quase sempre uma bola fora,
não é grande coisa assim, não acontece
penso ser grande coincidência
que um destino programado
dê certo quando acontece ..
o mundo não gasta seu tempo com nossos dias
e tem ainda muita coisa por aí que não importa
quantos dentes você tem?
também não sei
também não sei quantos dentes você tem na boca
digo: olá! como foi o seu di-a? a..
hum. silêncio, e penso: tudo bem
22.8.08
sempre me pergunta as mesmas coisas
como se não soubesse a resposta
como se não fosse parte do que eu deveria te dizer
você tropeça em todas as prateleiras
enquanto eu sempre te digo tudo bem
você não sabe dizer nem obrigado
insensível, você se considera invisível
e se acha normal quando está na minha frente
você não sabe que ainda posso te ver
o suficiente pra te amar tanto
são palavras que eu queria dizer
mas não há tempo, então não digo
então foda-se, mas tudo bem
acho que era isso que eu queria dizer
então foda-se, mas tudo bem
eu deveria ter dito há muito tempo
então foda-se, mas tudo bem. outra vez,
pra me acostumar com esse gosto estranho de liberdade
quero tocar, beber o pouco da juventude que ainda está pendurada atrás da porta junto com os sapatos velhos e o guarda-chuva rasgado que a minha avó me emprestou..
21.8.08
pupilas dilatadas em pálpebras baixas
e vendo os mesmos carros passarem
a vida toda para o mesmo lado, ir
do mesmo banco,
pela mesma porta
a mesma janela,
mesma árvore
mesmas folhas caem no chão
sombras de lado a lado, seis ás seis
e à sombra dos cabelos brancos que caem com as folhas
sempre tudo mesmo
á mesma época dos anos que não passam com os carros
e essa rua até que deveria ter o meu nome
já que não saio daqui mesmo e muitos por aqui ficaram
bem,
digo assim quando não penso em dizer nada
como muitos, daqueles que não vê tanta coisa acontecer, motivos pra mudar
que diz nada pra não querer dizer
desviando e temendo ouvir as mesmas palavras
de trás do balcão
encosta-se para trás e lamenta um cansaço de não fazer nada
porque nunca vem ninguém da calçada, ninguém compra nada
em bares que fecham cedo,
dos mesmos bêbados das sete horas, do meio dia e das cinco
pendindo as mesmas pingas, reclamando as mesmas ressacas
daqui do banco da calçada, à espera de ninguém
os mesmos velhos chinelos rastejam cobrindo os mesmos velhos passos
18.8.08

quero encontrá-la para não dizer nada
fechar os olhos e ela me leva
penso em algum lugar que não tenha nome
um lugar onde eu não precisasse ter nome
perguntas e respostas não me dizem respeito
penso em um lugar onde jornal e a tv não possam ir
penso neste lugar quando penso em mim
certo lugar onde as pessoas se conheçam
penso na sereia em meu castelo de areia
12.8.08
I would really like to talk with you
Girl
Do you have the time to stop
Say
All I wanna do is rock
If this was any other day
I'd turn and walk the other way
today
I'll stay
Not walk away
Hey
I'm a foot without a sock
Without you
Love
You seem to work around the clock
Say
All I wanna do is rock
If this was any other day
I'd turn and walk the other way
But today
I'll stay
Not walk
Just rock
Hey!
Love!
Say
All I wanna do is rock
If this was any other day
I'd turn and walk the other way
But today
I'll stay
Okay
eu de nuvens e cerveja..
7.8.08
penso que ainda existo no mar que é todo meu
no meu dicionário de poucas palavras que falo comigo
tenho muito o que fazer nos dias em que não estão de férias
31.7.08
tudo bem, homem não chora
como os cachorros que latem
vamos parar com essa brincadeira e volta logo
não vale dizer que me esqueceu
assim tão depressa como você me disse
da boca pra fora qualquer coisa serve
não me interessa muito o que você diz quando
você nunca vai dizer o que realmente sente
logo nas primeiras palavras, ou despedida
você pode dizer o que quiser mas eu
não acredito que você já me esqueceu
não há despedida, não há você sem mim
não sei mesmo chorar, como não sei perder
não que sempre ganhe..
30.7.08
29.7.08
Vejo as pessoas que nascem hoje
me lembro, ou penso que
..eu tinha muitos amigos no fumódromo.
Mas e se eu for atropelado.. e morrer hoje?
penso que eu deveria ter fumado..
Ou, e se eu não for atropelado e tudo isso for em vão?
aí eu queria ter fumado muito, bebido muito..
encontrado muitas pessoas
as que viveriam menos
as que blefariam e viveriam mais
Eu, aqui olhando pra fora..
olho para o teto e tento advinhar se ele está firme.
e se estivesse no fumódromo quando ele por acaso cair..?
penso em tanta coisa..-
28.7.08
a mecânica da roda não é a mesma que move as nuvens
sentido estreito da razão
vejo você toda sérious
fico pensando no que você está pensando
você nunca me diz nada o tempo todo
e eu sei bem porque não gosto de jogos
enquanto jogam dados na minha cabeça..
se eu não me engano ainda não sei de nada
o m u n d o é u m a n a v e e s p a c i a l
25.7.08
29.6.08
28.6.08
Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes destruída
Quem ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
Moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios
Para seus habitantes?
Mesmo na legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Os que se afogavam gritaram por seus escravos.
O jovem Alexandre consquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses,
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Fredrico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Uma vitória a cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?
Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as despesas?
Tantas perguntas.
27.6.08
há um cachorro lá fora com olhos de um governador de estado. há um gato sobre o tapete que tem sombrancelhas de rebeldes em guerrilha. há um peixe no aquário, me parece sequestrado. o rádio diz que faz sol lá fora, mas ele nunca saiu de casa para dar uma volta em torno de si mesmo. penso algo errado. via isso da cadeira de balanço, pêndulo, relógio na parede, de dentro da casa. planeta natal. carros lá fora, cometa. penso se deus sabe quem ele é. penso se deus é comida de peixinho. penso se o peixinho estava rezando com sua boquinha abrindo e fechando. penso quem sou em relação ao mundo. penso se, em várias possibilidades remotas. que se apenas um peixe no aquário, era um peixe no aquário vigiado pelo gato no tapete cercado pelo cão lá fora, como assim me disse o jornal. eu pensava no talento humano de criar situações constangedoras para outros. o aquário estava a kilômetros do mar mas mesmo que fosse um peixe de água doce, não é doce a sua vida. gatos precisam subir muros, posar de mauzinho e cachorros precisam de carinho, mesmo que por sua superfície não lhe pareça agora um cão bonzinho.
Eu sonhei que eu tinha que ir pra marte. Eu estou sempre brincando sobre ir a marte durante o dia. Mas diante dessa realidade, em um sonho, eu fiquei aterrorizado. E não seria como fazer um tour na lua. Havia três de nós indo, mas não podiamos ir todos na mesma nave. Nós tinhamos que ir um por vez com um dia de diferença entre cada. Eu tive que ir primeiro, e esse era o pensamento de atravessar todo aquele espaço negro. Toda aquela escuridão sem nada, e então sendo o primeiro a desembarcar lá, completamente sozinho. Eu sabia que supostamente era pra ser completamente escuro, apenas com uma superfície vermelha. Mas e se eu chegasse lá e houvesse luz, tudo civilizado e povoado e coisas do tipo? Então eu fiz um plano. Os outros astronautas seria meu pai e minha irmã. E meu pai viria antes de mim. Então eu decidi que quando eu chegasse eu esperaria sentado até ele chegar lá. E então nós poderiamos sair juntos e dar uma uma olhada por aí e ver que tipo de coisas haviam lá. E quando eu acordei e eu me encontrava no escuro, eu pensei que eu tivesse aterrizado. E eu simplesmente parei por um momento, esperando pelo meu pai a chegar também.
26.6.08
você roubou minha poesia.. mas
que raios você ainda quer de mim?
olho pra tevê pra não pensar em nada
burro, só vejo grama, mas é o futebol
dê me um ponta pé na cabeça
e não sei se é assim que se escreve
um fake de mim mesmo
olhando para o espelho
sem entender nada do que digo
eu só quero que você devolva o meu blasè
sempre se aprendende algo matando aulas.
mas você não me ensinou a pular os muros,
nunca apanhou na quarta série,
nunca esqueceu quanto é sete vezes oito,
nunca dançou sozinha em frente ao espelho,
nunca pôs um laço vermelho no cabelo,
nunca chorou debaixo de uma chuva,
não sabe esquecer de certos defeitos,
não tentou subverter a libertinagem.
mas colocou o mundo em uma poesia
que agora trazem o chão para os meus pés
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
você interpretou as palavras diferentes
mas não teve tempo de olhar pra mim
você não poderia esquecer tudo agora
não foram estas as flores que eu lhe dei
poderia deixar as sementes do sapato
poderia esquecer das estrelas e não foi
você fez o mais difícil, eu pensei em tudo
não foram estas as flores que eu lhe dei
você não sabe quem morreu e nem eu sei
você não sabe, nem eu, quem morreu mas
não fui eu quem te disse que morreu fui eu
24.6.08
20.6.08
me sinto um pouco heroi que se engana sobre o mérito de seus métodos
se nem consigo me enganar
preciso te dizer uma verdade, mas não queria.
queria falar uma frase sem nexo
e sem cobranças, fingir de criança
alguém me segurar no ombro e dizer está tudo bem
penso que não preciso dizer
tanta gente não diz
complicado é difícil
mas não me traduza a todo momento..
podemos ir embora agora?
meus pés ainda balançam nesta cadeira quando falo sobre isso
só mais um pouco
não quero acordar agora
te peço, com a mão cheia de dedos, ao todo
dez minutos.
um suposto gesto escondido pelas mangas longas
uma suposta vontade de te ver sem você me ver
suposto gosto de beijo guardado no bolso do peito
sem admitir que um pouco dói um pouco lembro
mas nenhuma suposta necessidade de esquecer
mesmo que aumente o suposto nada que ainda há
um aperto de se não te ver mais
e saber que quando você vai sem se despedir
eu penso que você sente as mesmas coisas que eu
que pensar muito, se pouco adianta.
mas não dizer. ou digo que não.
digo que não quero, quando na verdade não posso.
o mundo aos olhos de todos não interessa muito agora
não há alguma escolha se você não me atende mais
nem precisava ser tão distante estrela, distante.
fico agora com o que passou por mim que como quase tudo
imagino que vejo de perto e às vezes escrevo sem querer
te dizendo coisas que eu nem deveria pensar
mas você sabe que eu não sei de nada
como nem sei qual parte de você eu gosto mais
O DISCO DO RICOTTA JÁ ESTÁ DISPONÍVEL NA INTERNET
Enfim, Felipe Ricotta - "o famoso quem?" - escreve para a revista Dynamite e é influente no baixo clero do indie carioca - ..mas quem não gostaria?- mas finge desdenhar disso, como em Tacofogo - sua melhor música até aqui.
Mas o que faz de melhor mesmo é escrever bobagens no seu blog, não se engane pelo péssimo acabamento o blog, que é muito mal feito e apenas uma foto tirada de celular, mas o conteúdo é muito bom. Recomendo: www.carolazevedo.zip.net
Não se sabe ao certo de onde vem esse seu facínio pela Carol Azevedo - quem? - o msn do Ricotta é algo como carolazevedomorreu@hotmail.com - deve ser alguma paixão frustrada. Ou não, pois ele mente muito, mente como quem faz arte.
Ricotta ainda tem duas grandes comunidades no orkut "eu leio Ricotta" e "eu ouço Ricotta", que se não me engano acho que participo da primeira.
Ricotta é o intelectual deixado pra trás, é o famoso das margens, mas acima de tudo um dos idiotas mais geniais - 'autistas por por opção' - que ainda se pode ver fora do zoológico, leia-se: TV.
Embora não tenha boas influências, ao meu ver - como assim Igg Pop?? - , ele próprio é a influência. Enfim, Ricotta parece ser o Daniel Johnston brasileiro, mas nem tão bobo e até menos famoso. Por enquanto, talvez.
Ricotta é como aquele vizinho seu que você acha que deveria ser roteirista de curtametragens, com tanta bobagem que fala, bobagens inteligentes de uma geração cansada de muita informação.
clica aqui!!!!! :P
18.6.08
por um segundo pensei,
era o erro que eu te dei.
depois esquecí, não somos muito do que pensamos.
diplomatas mal educados e
guardanapos engravatados.
era o garfo que caía da mesa..
primeiros
segundos.
ninguém.
pensava em deus,
se ainda não existo..
era o núcleo de um vácuo respirando no plástico
era apenas um adolescente ciumento pensando em saídas fáceis enquanto sonha com uma mobilete e aprender a fumar cigarro.
de fronteiras se fecham quanto aos olhos que abrem.
acima da velocidade da fumaça que sobe.
cotovelos
sobre a mesa.
l e n t a m e n t e,
palitando os dentes
dedos apontados pra cima - Óh céus!
anjos na gangorra apoiada em nuvens.
dedos balançam de lado, dizem não"..
portas que abrem,
janelas no chão.
penso que ainda existe uma fórmula que te faça esquecer de tudo que eu digo em seguida, que não me faça voltar pra mim a cada instante.
pelos meus cabelos longos,
me enforcava, a sociedade.
era eu alí debaixo da mesa pegando o garfo.
pedindo desculpas e amarrando cadarços
não precisava dizer no final do filme
todos sabem, eu sei. eu sou a morsa
era um sonho, mas o sonho acabou. era não.
não era o sonho, não era nada, não era eu.
era eu debaixo da mesa contando o tempo.
a troco de chutes, pra não perder os dentes
mas ainda tenho o garfo em minhas mãos!
estão todos ocupados, ocupando todos os espaços
te contar o fim do filme e contar até infinito esperando você voltar
não é o mesmo que te contar uma história sem fim
tinha saudades de um tempo
mas nada é para sempre
pegue uma senha
e vá para o fim da fila
não precisa dizer
acho que eu já sei
músicas ridículas
mas não há culpa
moças da tevê não são tão belas
se não passam por minha janela
você sabe, eu não sei de nada.
que começa a doer logo quando se aprende,
borboletas me diriam, minutos que se vive,
tanta coisa não faz sentido, por vezes nem precisa..
10.6.08
mas não vou roubar a sua frase.
seria fácil, mas este não é o meu nome.
mas obrigado pela essencia.. é assim
me diz agora do outro lado.. é assim
que as coisas acontecem por aqui..
pode ser que eu não esteja assim,
mas pode ser que eu escreva como se..
pois talvez algo parecido com isso
é como eu me imagino
quando me lembro de mim.
6.6.08
adoro ver pessoas desconhecidas na rua
eu olho para elas e quando sei que nunca mais vão me ver..
e nunca mais eu as vejo mesmo
mas estas pessoas para mim são como uma pessoa só
uma pessoa que está sempre ao meu lado
invariavelmente andando no sentido inverso ao meu
na fila do banco antes e depois de mim
ao meu lado no balcão de um bar
ás vezes tem gostos parecidos com o meu, quando está ao meu lado olhando um quadro, porque olha o mesmo quadro que eu, mas nunca sei se ela gostou do quadro porque nunca me diz nada. a gente se conhece a tanto tempo, agente se olha, mas a gente não se fala..
4.6.08
28.5.08
homem. disco voador que não veio. o cara vinha andando devagar, equilibrava na calçada, andava sobre abismo da consciência com medo de altura olhando para o chão. eu não sei se ele não sabia rezar ou se sabia que não adiantava muito esquecer tanta coisa que ainda existe, talvez eu nunca saiba, nunca mais o ví.
criança ia em direção à padaria, sabia que era lá, mas parou e deu volta com os olhos dizendo pra si mesmo que esqueceu o que ia comprar. comprou um pão a menos e esqueceu o troco, esqueceu de tomar café, perdeu a fome porque foi jogar futebol, via a bola girando no alto parecia um planeta, uma lua que batia na cabeça do goleiro antes de entrar pro goooooool. mas era contra. que distração. não tinha graça assim. mas comemorava muito quando ganhava porque perdia mais.
inverno me soa tão europeu. estação eu conhecí primeiro a do trem. talvez somos a página de um grande livro que nunca chega ao fim. algumas palavras chegam antes. determinado sentido. isso me diz muito ou quase tudo, até me fez falar português hoje em dia.. tom zé ou arnaldo baptista, alguém me disse algo parecido esses dias. tudo bem não importa muito agora, estamos subemergidos nos nossos próprios conceitos préconcebidos, afundamos juntos, abraçados...
26.5.08
Não precisava nem dizer muito. Bastava.
Um olhar sem intensidade para qualquer lado
ou a falta de um sussurro, se muito, já sabia.
A senha de tantas palavras. Não parecia nada.
Ninguém mesmo sabia qual ponta dos extremos
poderiam estar mais próximos. Se fosse.
Antes até diria que a casa estava vazia.
Mas estavam incrivelmente felizes, cada um
à sua forma de silêncio e não olhar pra nada.
Também não sei como isso começa. Acontece
de ser feliz e começar a gostar de não falar.
Viviam, e apenas, como animais, plenamente.
Em busca de alimento e perpetuar a espécie.
Enquanto isso, no topo de um prédio, em
apartamentos, como em galhos de árvores:
filmes, refrigerante e alguma fritura qualquer.
.. Equilibram-se no topo da cadeia alimentar,
e cobertos, as pontas dos pés, se encontram.
23.5.08
parece que tudo dela é em rosa
não importa se rima cor ou flor
a ela parece que nada importa
nem pelo lado quando eu a vejo
mas mais pelo que ela diz agora
quase tudo era acidez em colheres, copos e cigarros.
geladeira sem água, mas ninguém vem.
desenho uma janela na parede,
vejo a lâmpada quebrada quando é dia
e na rua pessoas ainda são pedestres
todo prazer contido em embalagens descartáveis.
receita para esperar o fim do mundo, leva:
açúcar, alcool, fumaça, corantes, conservantes, sal e gordura.
quanto ao pé do muro, ou ao menos se importar,
invisibilidade nas cidades urbanas, outro lado, caos e multidão,
atrás de pequenos gestos, dedo-no-nariz, cospir-no-chão.
nostalgia, década de noventa, logo alí. e 2001, ninguém viu.
largava o sorriso de lado trocado por alguma possibilidade.
poluído de anúncios, não via tantas cores. jogava o dado, mão ao alto.
das páginas da velha enciclopédia que vasculhava atrás de uma ponta perdida,
quase todos os pensamentos em relação ao futuro tinha alguma coisa a ver com o seu sentimento de leve injustiça por ter que trabalhar para viver.
planejava uma tentativa de erro.
podia dizer todos os detalhes sobre algo específico desde que não sirva para nada,
deliciosos condimentos que constantemente lhe faziam mal.
azia, prisão de ventre e dor de barriga,
como as ressacas das noites passadas.
andar na rua sem ver ninguém, estava a mil enquanto dormem.
por um cigarro àquela hora poderia dizer que ama qualquer pessoa pelo resto da vida
virtude do gosto, ventura autodigestiva perto do fim do mundo.
se estivesse em casa lhe cairia bem o teto na cabeça.
ou se não fumasse tanto talvez um carro o jogaria a sete metros
dalí para sete palmos no chão. todo improvável era tão comum.
assim mesmo não guardava nenhuma expressão que demonstrasse a sua verdadeira idade.
menos ou mais, o tempo nunca lhe foi útil na porta de um bar.
era apenas ser e não pensa mais. acostumava-se a quase tudo.
respirava por instinto, cheirava à fumaça, poeira e mofo.
desgastava todas as promessas de amor por total conveniência,
beijava a tampa da privada, mas não gostava de si mesmo.
enchergava no próprio espelho outra pessoa,
enquanto divertia-se com os próprios tombos,
ria dos outros, rindo de si mesmo.
20.5.08
me parece tão filosófico o tempo de vida de um palito de fósforos ou o ponto de vista um copo de água em cima da mesa tendo uma garrafa vazia na geladeira, ou flores arrancadas simbolizando o amor.. quando penso que quando observo coisas elas talvez não olham mais para mim e eu me sinto sempre o mesmo como agora ou quando eu me importava com estas coisas.. um copo meio vazio sem obrigação de me embriagar todas as noites em que volto para casa sozinho, smepre o mesmo caminho. perguntas bôbas e lágrimas por nada, apenas cisco no olho. me encontre em total relatividade na esquina de nenhum acontecimento e eu te pergunto talvez, decerto que as coisas ainda são as mesmas quando não as vejo, ou ainda assim uma frase sem sentido no meio do texto. mas era justamente o erro. o que seria do nada sem ter onde pousar. talvez o mesmo que seria civilização se todos nós comêssemos com a mão. sim. todos sombras e luzes esperando um final.12.5.08
5.5.08
2.5.08
18.4.08
16.4.08
(... trecho de Rebelde entre os Rebeldes, de Arnaldo Baptista)
Quatro anos se passaram da maneira mais tranqüila possível para quem está viajando pelo espaço em direção a outro planeta. O casal já tivera dois filhos: uma menina de três anos e um garoto de um. Sarah, a menina, era a imagem da pureza. Tinha os cabelos negros como o azeviche e um sorriso de arteira, sua pela vivia corada pelos banhos de luz ultravioleta. O garoto, chamado Martin, tinha a feição mais séria e era um pouco rechonchudo. Os dois passavam o dia inteiro brincando.
Durante uma tarde aparentemente comum, a reinação foi interrompida pelo piscar da luz de alarme que se encontrava junto à tela de Horácio, que tomava conta das crianças enquanto os pais dormiam. Seguindo a orientação do cérebro eletrônico, Sarah parou de brincar e foi resignada até o quarto dos pais avisar sobre o perigo desconhecido.
Vestida num baby-doll laranja, Maggie chegou até a tela, sentou-se na cadeira de comando e perguntou:
- O que foi, querido? (Era assim que ela passara a chamar o enorme autômato, porque Mauro não parecia ter ciúmes dele.)
- Há uma batalha pela frente! - Respondeu Horácio.
- O que?
Maggie deu um pulo da cadeira e, como Horário não costumava brincar com coisas sérias, foi correndo acordar o marido. Mauro foi conduzido, meio cambaleante, até a frente da tela, na qual uma enorme quantidade de números se acumulara como que por mágica.
As crianças assistiam a tudo divertindo-se com a correria, mas no fundo estavam um pouco preocupadas com o ar sério assumido pelos adultos.
- Ouça o que Horácio tem a dizer, Mauro.
- Sinto muito incomodá-los logo depois do almoço, mas meus sensores localizaram duas astronaves alienígenas a algumas centenas de quilômetros em aparente atitude beligerante uma em relação à outra. Posso observar grandes jatos de energia destruidora partindo ora de uma, ora de outra. Não sei porque ainda não nos detectaram. Talvez seus sensores não sejam tão poderosos quanto os nossos. Gostaria que tivessem uma visão de suas estruturas externas.
Na mesma hora desapareceram os números da grande tela e as imagens de duas astronaves surgiram. Deviam pertencer a culturas diferentes, pois tinham formas completamente díspares. Uma delas parecia uma esfera negra, enquanto a outra era uma espécie de emaranhado de módulos conectados uns aos outros, assim como Fobos, e também tinha a coloração puxada para o cinza claro.
Primeiro pensaram que a melhor opção seria passar ao largo da batalha, sem se meter na vida dos outros. Horácio sugeriu então um grande aumento de velocidade, coisa que ainda era possível para casos de emergência. Assim, mesmo que a Fobos fosse notada e interpelada, ainda haveria chance de escapar com êxito.
Aprovado o plano, Horácio recomendou que toda a família tomasse pílulas de sono e se deitasse para dormir. Era importante que, no caso de um possível confronto, estivessem todos devidamente descansados. Resmungando contra foguetes, seres extraterrenos e batalhas no espaço, Mauro foi deitar dizendo que, cansado do jeito que estava, não seriam necessárias pílulas. Na verdade, sentia tanto sono que poderia dormir os seis anos restantes de viagem até a Nova Terra.
Os quatro foram acordados pelo altíssimo ruído do Alerta Vermelho. Mauro saiu de seu quarto resmungando entre dentes as piores pragas que conhecia. Chegou de pijama mesmo ao posto de combate, que nada mais era do que o antigo trono do Dr. Harness. Infelizmente não havia sido possível simplesmente fugir do combate, e agora eles teriam que enfrentá-lo!
Horácio fornecia à Maggie as coordenadas das duas naves alienígenas, ao mesmo tempo em que mostrava a Mauro as piores cenas que havia gravado da batalha. Sempre que via uma descarga de energia particularmente horrível, o ex-mecânico xingava com vontade e era imediatamente imitado pelas crianças sorridentes que brincavam no chão. Maggie conseguiu captar os sons das emissões radiofônicas feitas pelos comunicadores internos de uma das naves. Para sua surpresa, ela ouviu algo estranhamente familiar. Na mesma hora, pediu para Horácio transmitir a Mauro as conversações que ela interceptara. A pessoa que falava parecia usar um inglês meio estropiado e cheio de erros. Intrigada, Maggie perguntou:
- Será que há alguma chance de termos desenvolvido tal velocidade que estejamos diante de uma nave terrestre do futuro, em alguma missão de guerra?
- Pode ser – respondeu o computador. – Nesse caso, os humanos do futuro estão tendo uma dificuldade danada para evitar as granadas de luz da nave inimiga.
Na tela principal, agora era possível enxergar um ser humano através dos vidros da nave esférica. Sabiam, portanto, que aquela nave escura vinha da Terra e seus habitantes eram terráqueos, assim como Mauro e Maggie.
- Caramba! Que surpresa! Mas na verdade, já podíamos esperar por isso. Uma hora eles chegariam por aqui – disse Mauro.
- Temos que pensar no que fazer – disse a mulher, já visivelmente aflita.
- Pensei em uma coisa – falou Mauro. - Eu sugiro que, quanto estivermos a uma distância um pouco menor de ambas as naves, disparemos nossos emissores telepáticos com a música mais calma e sublime dos arquivos. Talvez a “Sonata ao Luar”, de Beethoven. Deve fazer efeito, pois as duas serão tomadas de surpresa pela emissão e não saberão de onde vem.
Todos concordaram coma sugestão. Quando chegaram a uma distância segura das duas naves, Fobos fez a poderosa transmissão na direção da batalha. Maggie ficou na escuta do rádio, captando as ondas sonoras na freqüência dos intercomunicadores. Ouviu o seguinte diálogo entre as duas naves:
- Parem com isso! Não sabem lutar como cavalheiros? Que música é essa?
- Não estamos fazendo nada além de jogar as granadas de luz! Vocês é que estão enviando essa música para cá!
- Nada disso, tudo é culpa de vocês!
- Já disse que não ligamos música nenhuma! Mas até que a melodia que vocês enviaram é bonita...
- Isso é verdade, mas não tente mudar de assunto...
A conversa se prolongou por um tempo, enquanto as hostilidades diminuíam progressivamente. Os capitães das duas naves quiseram então pela primeira vez saber quais eram as intenções dos inimigos. Parecia que nesse confronto, ou talvez nessa época do futuro onde estavam, havia um clima de tensão tão exacerbado que os dois povos não se comunicavam, concentrando-se somente em destruir o outro. Mas agora era difícil lutar contra a música de Beethoven, que trazia acordes de paz, harmonia e compreensão entre os seres de todo o universo.
A transmissão continuou por toda a duração da “Sonata ao Luar”. Quando a música acabou, os habitantes da Fobos assistiram com uma certa nostalgia à lenta desaparição das naves, uma para cada lado, como se seus tripulantes estivessem tristes por não mais ouvir àquela música, mas aliviados e renovados pela experiência pela qual haviam acabado de passar.
Quando todos achavam que a página já estava virada e se preparavam para dormir novamente, o alerta no painel de controle disparou mais uma vez. Mauro olhou para Horácio em busca de uma explicação para mais aquela preocupação:
- Há o que se chama de um torvelinho temporal na direção da nave alienígena – esclareceu o computador.
- E o que vem a ser isso, Horácio? - Maggie indagou.
- Me parece que, se continuarmos a nossa rota pré-estabelecida, haverá um encontro temporal entre a nossa nave e a dos alienígenas. Há uma grande agitação de poeira cósmica no rastro da nave deles, indicando que estão em um tempo ainda por vir para nós. E a grande coincidência é que o tempo futuro no qual estão vivendo e a localização espacial de sua nave são exatamente os mesmos que alcançaremos ao seguirmos os cursos planejados de nossa viagem.
- Minha nossa, Horácio! Isso quer dizer que nós somos os alienígenas num tempo remoto!
- Puxa vida! - disse Mauro - Como pôde ter acontecido isso? Por que lutamos contra os terrestres?
- Meus senhores, não devemos sair de nossa rota agora, pois seria uma manobra um tanto bisonha e improdutiva para nossos objetivos.
- Mas então o que vamos fazer? – perguntou Maggie
- A nave alienígena ainda está há uma longa distância no futuro, se mudarmos nossa direção, a deles também poderá mudar e fazer com que nossas tentativas não surtam efeito algum. Recomendo prosseguirmos com os sensores ligados na direção dos alienígenas permanentemente. É provável que quando cheguemos mais perto deles, os sensores nos indiquem os específicos movimentos que devemos fazer, não deixando tempo hábil para que a nave alienígena também se movimente como conseqüência de nossa própria movimentação. Creio que os sensores captarão alguma forma de energia do torvelinho, nos indicando para onde devemos nos mover, a fim de afastarmos o perigo de uma colisão física. Enfim, precisamos desviar apenas o necessário, sem sairmos de nossa rota, para não corrermos o risco de ficar vagando no espaço sem direção. Caso contrário, poderíamos ir de encontro a nós mesmos e acabar numa encruzilhada tão obscura que impossibilitaria uma mudança de conduta.
Alguns silenciosos minutos se passaram, todos pensavam na idéia de Horácio mas hesitavam em tomar uma decisão. Até que Mauro sentou-se na poltrona de frente para a tela e mostrou toda a força especulativa de sua mente privilegiada. Falou num tom explicativo, como quem expunha uma teoria ainda incerta:
- Desculpe se eu me intrometo num assunto que não conheço bem, pois não passo de um bom mecânico. Mas estive escutando algumas das conversas que você e nosso querido cérebro eletrônico têm travado. Pensei numa coisa que talvez possa solucionar nossos problemas em relação ao futuro não muito atraente que acabamos de ver. Corrijam-me se eu estiver errado, mas a única forma de podermos enxergar a luz provinda de nós mesmos, ou seja, de termos uma visão da nossa imagem num futuro, seria através de uma janela no contínuo do Universo Circular, certo?
Maggie concordou com a cabeça, encorajando o marido a continuar.
- Só assim seria possível nos depararmos conosco do outro lado do círculo que o universo faz, de acordo com a teoria de Einstein. É por isso, então, que estamos muito longe de nós mesmos no espaço físico, na verdade estamos o mais distante possível, a exatamente o tamanho do diâmetro do universo. Devemos ter conseguido desenvolver uma velocidade relativa entre as duas naves bem próxima, mas abaixo da velocidade da luz, para que, atingindo o limite do universo visível, tenhamos nos visto no espelho do cosmos. E os terrestres acabaram nos perseguindo com tanto afinco que entraram também nessa vertiginosa viagem do destino. Porém, o encontro com eles talvez não seja um fator imutável no nosso futuro! Talvez seja simplesmente necessário atingirmos uma velocidade relativa bem distante em relação aos terrestres, mas ao mesmo tempo bem próxima da de nós mesmos no futuro. Utilizaríamos assim o registro de futuro que já temos para podermos evitar o combate.
Um sorriso apareceu na boca de Maggie e na tela de Horácio. Mauro continuou a falar:
- Bem... nós temos que achar um meio de avisar nossos semelhantes, quer dizer, nós mesmos no futuro. Ou seja, temos que descobrir uma forma de transmitir a eles os conhecimentos que estamos extraindo desse encontro tão importante que presenciamos.
- Mas que forma seria essa? – perguntou Maggie.
- Não sei bem. Horácio terá que nos ajudar com isso. Precisamos construir algo como um rádio temporal que entre em contato direto com os bancos de dados da nave, para que, na hora exata em que haja uma constatação de estarem indo de encontro aos terráqueos num campo de batalha, esse fato seja revertido. Vocês já repararam que, na realidade, nós já estamos combatendo os terráqueos pelos simples fato de que nós vimos esse combate no futuro?
- Sim, Mauro – respondeu Horácio. - Mas você também não deve se esquecer que na linha do universo físico, tudo o que acontece no presente é um fato histórico imutável, verificado e visto, constante, embora a batalha tenha sido presenciada por nós como algo inerente a um futuro nosso, e todo aquele momento já fazer parte de um tempo passado agora. Assim, há uma tangente entre passado e futuro, dentro do plano quadridimensional do Universo Einsteiniano. Isso nos levou a algo como uma dobra no tempo, por isso pudemos ver literalmente nosso futuro. Deve ter havido uma grande aceleração de ambas as partes, de nós e nossos semelhantes do futuro, para que essa dobra na geometria do universo aparecesse. Não será possível enviar os dados da batalha diretamente para o computador deles devido a essa dobra, mas posso construir um aparelho de teletransporte espacial e temporal que levará você para dentro da nave deles!
- Então eu vou levar os dados que colhemos da batalha, arquivados em um disquete e, quando chegar lá, vou inserir o arquivo no cérebro eletrônico da nave deles. Assim eles terão o conhecimento que temos. Claro que isso deve ser feito da maneira mais discreta possível, para não alarmar os habitantes da nave. Não podemos despertar suspeitas, temos que deixá-los encontrar as informações em seu computador sem que fiquem sabendo de nós.
Maggie ficou espantada com o discurso do seu marido.
- Puxa, Mauro! Você andava meio desligado das nossas conversas, mas agora se revelou um grande físico! Que maravilha! - disse a mulher, dando um abraço nele e se dirigindo ao computador. - Tudo isso é perfeitamente possível, certo Horácio? O que você me diz, querido?
- De acordo com meus cálculos, dentro de exatamente quatorze horas, uma cápsula de efeito teletransportador ficará pronta. Nosso único inimigo é a inércia.
Dito e feito. Depois de quatorze horas, Mauro abriu a escotilha da cápsula teletransportadora e, com um disquete previamente gravado por Horácio, sumiu e apareceu de repente na frente de uma esplêndida loura dormindo num quarto. Ficou encantado com a beleza daquela moça, cujos traços lembravam muito os de Maggie, quase ao ponto de esquecer que ela deveria ser sua filha no futuro. Recompôs-se, lembrando que não podia ser notado naquela nave. Deixou o quarto e seguiu silenciosamente até a central de programação do cérebro eletrônico da nave, o Horácio do futuro.
A tarefa de inserir o disquete no computador sem ser notado por ninguém foi mais fácil do que imaginara. A família inteira parecia estar na sua hora de cochilo e Mauro pensou que talvez Horácio tivesse calculado isso, pois era muita coincidência. Mauro viu que as informações estavam sendo assimiladas pelo computador com rapidez, e imaginou o que seu semelhante do futuro pensaria sobre aquilo. Nesses momento, teve a certeza de que seu eu-futuro acabaria descobrindo facilmente os dados da batalha e os usaria para estabelecer um rota de fuga. A batalha, agora, não mais se desenrolaria indubitavelmente. Sentiu ainda que seu semelhante em outro lugar do tempo perdoaria aquela invasão de privacidade e concordaria com a atitude que estava tomando agora, provendo a si mesmo no futuro informações valiosas.
De volta à Fobos, Mauro apareceu em meio a uma nuvenzinha branca, como aquela fumaça de gelo seco, efeito esse que deve ter sido programado por Horácio para criar um clima. O homem não disse nada e saiu pomposamente da cápsula, Horácio deveria estar se torcendo de rir por dentro.
- Missão cumprida, queridos! Tudo foi realizado no maior sigilo. Duvido que nossa pequena invasão seja detectada. Creio que agora podemos continuar nossa rota em direção ao planeta desconhecido sem que sejamos incomodados por novos vórtices temporais! Cansei dos problemas provocados pelo nosso deslocamento em altas velocidades pelo espaço sideral. Pessoalmente, eu preferia as pistas de corrida lá na Terra!
- Deixe isso para lá, querido. Teremos agora caminho livre para nosso futuro promissor!























