5.11.09


16.10.09

entretanto

tanto

metáfora
derradeira

nota e fim
da última
sinfonia

31.8.09




















26.8.09

21.8.09

20.8.09

¿Catilina abusa de nossa paciência¿

¿
Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Indagou Marco Túlio Cícero ao Senador Lúcio Sérgio Catilina, a 8 de novembro de 63 a.C., em Roma. Flagrado em atitudes criminosas. Catilina se recusa a renunciar ao mandato.

Cícero, orador emérito, respeitado por sua conduta ética na política e na vida pessoal, pôs em sua boca a indignação popular: ¿Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disso conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?¿
¿Ó tempos, ó costumes!¿, exclamou Cícero, movido por atormentada perplexidade diante da insensibilidade do acusado. ¿Que há, pois, ó Catilina, que ainda agora possas esperar, se nem a noite, com suas trevas, pode manter ocultos os teus criminosos conluios; nem uma casa particular pode conter, com suas paredes, os segredos da tua conspiração; se tudo vem à luz do dia, se tudo irrompe em público?

Jurista, Cícero se esforçou para que Catilina admitisse os seus graves erros: ¿É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia¿.
Se Catilina permanecia no Senado, não era apenas a vontade própria que o sustentava, mas sobretudo a cumplicidade dos que teriam a perder, com a renúncia dele, proveitos políticos. Daí a exclamação de Cícero: ¿Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?¿
Cícero não temia ameaças e expressava o que lhe ditava o decoro: ¿Já não podes conviver por mais tempo conosco; não o suporto, não o tolero, não o consinto. (¿) Que nódoa de escândalos familiares não foi gravada a fogo na tua vida? Que ignomínia de vida particular não anda ligada à tua reputação? (¿) Refiro-me a fatos que dizem respeito não à infâmia pessoal dos teus vícios, não à tua penúria doméstica e à tua má fama, mas sim aos superiores interesses do Estado e à vida e a segurança de todos nós¿.
Os crimes de Catilina escancaravam-se à nação. Seus próprios pares o evitavam, como assinalou Cícero: ¿E agora, que vida é essa que levas? Desejo neste momento falar-te de modo que se veja que não sou movido pelo rancor, que eu te deveria ter, mas por uma compaixão que tu em nada mereces. Entraste há pouco neste Senado. Quem, dentre esta tão vasta assembléia, dentre todos os teus amigos e parentes, te saudou?
Se isso, desde que há memória dos homens, a ninguém aconteceu, ainda esperas que te insultem com palavras, quando te encontras esmagado pela pesadíssima condenação do silêncio?¿
Catilina fingia não se dar conta da gravidade da situação. Fazia ouvidos moucos, jurava inocência, agarrava-se doentiamente a seu mandato.

¿Se os meus escravos me temessem da maneira que todos os teus concidadãos te receiam¿, bradou Cícero, ¿eu, por Hércules, sentir-me-ia compelido a deixar a minha casa; e tu, a esta cidade, não pensas que é teu dever abandoná-la? E se eu me visse, ainda que injustamente, tão gravemente suspeito e detestado pelos meus concidadãos, preferiria ficar privado da sua vista a ser alvo do olhar hostil de toda a gente; e tu, apesar de reconheceres, pela consciência que tens dos teus crimes, que é justo e de há muito merecido o ódio que todos nutrem por ti, estás a hesitar em fugir da vista e da presença de todos aqueles a quem tu atinges na alma e no coração?¿

Cícero não demonstrava esperança de que seu libelo fosse ouvido: ¿Mas de que servem as minhas palavras? A ti, como pode alguma coisa fazer-te dobrar? Tu, como poderás algum dia corrigir-te?¿ E não poupou os políticos que, apesar de tudo, apoiavam Catilina: ¿Há, todavia, nesta ordem de senadores, alguns que ou não veem aquilo que nos ameaça ou fingem ignorar aquilo que veem.¿

Acuado, Catilina se refugiou na Etrúria e morreu em 62 a.C. Cícero, afastado do Senado por Júlio César, foi assassinado em 43 a.C. Um século depois, Calígula, desgostoso com o Senado, nomearia senador seu cavalo Incitatus, com direito a 18 assessores, um colar de pedras preciosas, mantas de cor púrpura e uma estátua, em tamanho real, de mármore com pedestal em marfim.

Frei Beto

19.8.09

cura e meditação

tudo sobre o nada.

eu estava lúcido,
só que do outro lado.

ela me disse algumas coisas
que não me lembro bem.
ela disse pra eu não me esquecer
mas só me lembro desta parte..

eu tinha a mesma idade que tenho agora
só que em outro calendário, caleidoscópio..















"Post Office" (1971, traduzido no Brasil como "Cartas na Rua") foi o primeiro livro de enorme sucesso do poeta, bêbado, mulherengo e lúcido Charles Bukowski, morto em 1994.

Quando ainda trabalhava no correio, Bukowski (que já publicara poemas e contos em revistas do submundo) teve a oferta da editora Black Sparrow Press para ganhar uma módica renda mensal só para escrever.

"Post Office", de quase 200 páginas, saiu de sua máquina em um mês.

Questionado sobre como pôde escrever o livro em tão pouco tempo, Bukowski, que sempre sonhara em ser só escritor, disse: "Out of fear" (por medo; de voltar aos correios).

17.8.09

14.8.09


woodstock 40 anos

It’s Very Nice Pra Xuxu
MUTANTES

Hoje tudo mudou
Ontem amei você
O que você me dá, é lindo de morrer
É lindo, Oh! Oh! Oh! Yeah!
It’s very nice pra chuchu
It’s very nice pra chuchu
It’s very nice pra chuchu
Provei do seu amor
Eu sei, foi muito bom
O que você me dá, é lindo de morrer
É lindo Oh! Oh! Oh! Yeah!
It’s very nice pra chuchu
Hoje eu falo a sua língua
Eu era meio desligado
Eu não sou mais aquele
Palmas para mim
Minha Menina
It’s very nice pra chuchu...

7.7.09

caminho deserto

lugar distante

não tenho pressa

parece estranho

. .

quero ficar só em algum lugar
mas que ninguém me veja sozinho
não quero responder a questionários
não quero ouvir comentários
neste momento não me importo
em me manter desiformado
nada me interessa agora
nada por nada

não quero compartilhar dor alguma
não peço que me leiam de alguma forma
esta é apenas uma lamentação qualquer
como tantas outras que se pode ver
sem alguma cerimônia que pareça
não acredito em nada além daqui
portanto não irei a lugar algum
longe do meu corpo, o pensamento

6.7.09

Bom Par
Moptop

Eu sei
Que às vezes não sou quem
Te faz rir
Te faz sonhar

Eu não sei
Às vezes eu não sei
Me conter
Me comportar

Deixa amanhecer
Foi meu mal
Foi sem querer
Vou aprender o que é ser um bom par

Eu sei
Que as vezes não sou quem
Te faz rir
Te faz sonhar

Que não sei
Às vezes eu não sei
Me conter
Me controlar

Deixa amanhecer
Foi meu mal
Foi sem querer
Vou aprender o que é ser

Deixa amanhecer
Foi meu mal
Foi sem querer
Dessa vez vou ser
Dessa vez vou ser
Um bom par

3.7.09

"Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo."
Caio Fernando Abreu

2.7.09

1.7.09

30.6.09


29.6.09


como se diferente fosse
como se fizesse alguma diferença
como se nada fosse
como se fosse nada
nada de mais
nada comum
nada através
nada, enfim, nada
tudo bem, como sempre foi
como se eu fosse dizer se não tivesse tão bem assim
nada diferente deste lado de cá do rio
uma palavra apenas e um pedaço que ficou

26.6.09

Mestre Quintana
fluir

possíveis destinos da chuva
e uma saudade sem motivo
nada além desta anti-matéria

enfim, nada mais a esquecer
pretendo alcançar a novidade
ser nuvem que sempre passa
Primitivo

se ainda tenho vergonha de atravessar a calçada
como se atrevimento fosse não ter asas pra voar
nascido nas nuvens, olhava o chão como fosse céu
pensava consigo, o passarinho, será que consigo?

23.6.09




















..ouvindo Chico Buarque. violão, banco e calçada. como sentar em frente de casa em uma quarta feira à tarde de meio sol mesmo sendo adulto, em uma quarta feira à tarde, e vendo um carregamento de tijolos sentir culpa por não trabalhar naquele momento mesmo estando de férias mesmo cansado. satisfeito em reencontrar amigos que passam na rua, amigos que não via pois estava dentro da sala, elevador, escadas, protocolos e subsolos sem ver o sol. o som do Chico é como voz de amigo falando, mesmo quando não se precisa falar nada importante, quando se precisa falar qualquer coisa sobre o mundo, mulheres ou qualquer coisa mesmo..

18.6.09



barulhinho

todo mundo tem um barulhinho dentro de si
que toca o tempo todo que a gente nem ouve
uma musicazinha, musiquinha que não pára
que ritima o coração e os passos na calçada
e que por tanto tempo que toca, tempo todo
tanto que agora toca, passa por esquecimento
que às vezes a gente nem ouve e adormece..








17.6.09

memórias da infância II

eu pensava o tempo todo e nunca parava de pensar. eu chegava a me preocupar com grandes causas humanitárias. eu pensava como pode o mar não derramar se o planeta terra ficava flutuando no céu. eu pensava como o universo pode ser preto, e era preto em todas as fotografias que eu via nos livros, pois quando era dia o céu era azul ou branco. ou então comecei a desconfiar que os fotógrafos do universo só trabalhassem à noite. estranho isso, pois a maioria das pessoas trabalhavam de dia. dizem que quem não trabalha de dia é vagabundo. todos que eu já ví chamarem de vagabundo tomam cerveja. não sei se os fotógrafos do universo de dia tomam cerveja. tomar cerveja é coisa de adulto. cerveja tem um gosto ruim, muito ruim, igual de chimarrão. adultos tomam cerveja e chimarrão. quando as pessoas crescem têm gostos muito esquisitos. o meu tio mesmo enche o prato de pimenta e ele sabe que arde e continua colocando pimenta. isso é uma coisa que eu nunca consegui entender. não conseguir entender é uma coisa normal para mim, sempre diziam: um dia você vai entender. quase que tentei parar de tentar entender, pois se um dia eu vou entender então não precisaria preocupar por um bom tempo..





















memórias da infância
I

entre os antigos, as crianças eram miniadultos que não sabiam de nada. era assim que eu vivia, eles não me perguntavam nada, mas também não sabiam que eu sabia de tudo. eu pensava o tempo todo, eu não sabia mas era sobre economia, sociedades e culturas. eu via o mapa mundi pendurado na parede e ficava horas e horas navegando pelos mares, pelos lugares com nomes esquisitos pela Ásia e tentava imaginar como os gregos conviviam com os seus vizinhos turcos. eu pensava nos turcos pois eram os únicos estrangeiros que eu conhecia e eram vendedores de tecidos. eu pensava em deixar alguma coisa tipo uma folha de árvore no bolso da camisa de um dos turcos pra ver se ele levava essa folha pra Turquia, mas eu nunca ia saber. eu nunca cheguei perto deles, mas toda vez que eles estavam andando na rua minha tia dizia; olha os turcos, e eu olhava. eu pensava nos gregos pois era o que mais se falava no livro de desenhos da minha avó. eu nunca entendi porque se falava tanto nos gregos se foram os portugueses descobriram o Brasil, aliás acho que os protugueses fizeram tanta raiva aos brasileiros que tentamos nos vingar fazendo o livro da minha avó só com os gregos. os gregos devem ser pessoas gente boa, mas acho que não conversavam muito porque viviam o tempo todo só pensando. acho que deve ser legal ver pessoas que ficam o tempo todo pensando. pensar era a coisa que eu mais fazia..

15.6.09

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"
John Lennon
"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"

12.6.09

qualquer coisa por nada,
você dormia e eu acordava.
abria a geladeira e não havia nada
um copo com gelo é apenas
um copo com gelo antes de derreter
um copo com gelo derretido
é apenas um copo com um pouco de água

e daí?
ela disse adeus sem olhar nos meus olhos.
ela nunca mais voltou pra dizer qualquer coisa.
tudo bem, se isto sempre acontece comigo..

que o destino nunca me dedicou uma destas
histórias da televisão com final feliz e letrinhas subindo..

não há novidade neste caso, afinal.
ainda tenho relativa sorte em estar vivo
e com todos os dentes da frente, ainda que tortos.
tenho alergia às primeiras flores da primavera
e tenho dois dedos que não dobram mais
tudo bem quando se acostuma a não esperar
um cara assim como eu, tão normal, apenas.
apenas um entre tantos outros, loucos..



10.6.09

Não entendo como tanta gente pode ser enganada ao mesmo tempo por tanto tempo, sobre religião.

9.6.09

“Pouco prazer não é coisa pro meu coração que foi feito pra grande paixão
Para os amores maiores como o meu”
Sérgio Sampaio

"O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula."

Aristóteles - "Política", 1252 b.

8.6.09

Para Lévi-Strauss, diferentemente do funcionalismo de Lévy-Bruhl ou do existencialismo de Sartre, a diferença entre o primitivo e o moderno não está propriamente no campo das formas de representação do homem no mundo e do mundo no homem, mas na forma de expressão dessas relações.

transformado / natural e cultura / natureza

i feel like a trash

depois de tanto tempo calado e tanta besteira dizer agora
quebrei todos os vidros que eu mesmo havia construído
tarde de mais para se despedir, cacos não respondem mais
prefiro agora um copo meio vazio de um líquido inflamável
que perceber aos poucos estar evaporando à beira do fogo

acho que é isso e não posso pensar em me arrepender
não sinto tanta culpa agora de quando eu estava certo
e não tenho idéia agora de quando e onde me encontro
tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto

5.6.09

Mande um abraço pra velha

Os Mutantes

Já faz tempo pacas
Que eu não vinha aqui cantar no festival
Eu não vou ganhar, quem sabe até eu vou perder ou empatar

Nós não estamos nem aí
Nós queremos é piar
Nós estamos é aquiAlinhar à direita

E sua mãe onde é que está?

Mande um abraço pra velha

Diga pra ela se tratar

Você pensa que cachaça é água

Mas cachaça é água não
É não

Você pensa que eu estou brincando

Mas brincando eu não estou não
Estou não
Estou não

Imagine um festival

Sem caretas e no sol
Imagine um festival com a sua mãe e o Juvenal

4.6.09

Paradoxo do corvo

Uma das concepções da epistemologia da ciência, no caso, da teoria verificacionista de fundamentação de uma teoria científica, é de que casos particulares corroboram com asserções universais. Assim, "Este corvo é preto" corrobora com "Todos corvos são pretos". Hempel questionou isto com o seguinte paradoxo:

"Todos corvos são pretos" é logicamente equivalente a "Tudo que não é preto não é corvo".

∀x(Cx → Px) ≡ ∀x(¬Px → ¬Cx)
Assim, se ∃x(Cx ∧ Px) corrobora com ∀x(Cx→Px),
então ∃x(¬Cx ∧ ¬Px) corrobora com ∀x(¬Px→¬Cx) que,
sendo aquivalente a ∀x(Cx→Px), esta seria corroborada também.

Isto quer dizer que, se "Este corvo é preto" corrobora com "Todos corvos são pretos", então "Este não-corvo não é preto" corrobora com "Tudo que não é preto não é corvo" que, sendo equivalente a "Todos os corvos são pretos", esta seria corroborada também. Ou seja, se aceitarmos que casos particulares corroboram com asserções universais, deveríamos aceitar que a verdade de "Esta maçã é vermelha" ou "Aquela folha é verde" corrobora com "todos corvos são pretos".

Não se trata aqui de um paradoxo no sentido estrito da palavra. Afinal não há uma contradição. Isso consiste mais em uma demonstração de que se a teoria verificacionista procedesse, ter-se-ia de aceitar que banalidades quaisquer corroboram com uma teoria científica.

2.6.09

e tão necessário perder-se
que encontrar uma saída
tese fundamental não há
além da falta de regras

20.5.09

8.5.09

3.4.09

ensaio e erro

sim, tudo bem. não estou muito a fim de análises profundas sobre pensamentos rasos de pessoas superficiais.. mas e acho que no momento todo o tudo de hoje é apenas isto, enfim.. no fundo, tanto faz se você me viu ou não. contanto que eu possa te ver. isso até parece normal. às vezes você diz o que quer e depois não espera a resposta. tudo bem. o que direi afinal, muita coisa se resume em ditados populares e músicas de dançar. mas se fosse apenas isto, ou o seu contrário, tudo bem. enfim

20.3.09





















They all drive killer cars

18.3.09

A primeira coisa que lembro de ouvir minha avó dizer foi:
- Enterrarei todos vocês!
Ela disse isso pela primeira vez logo antes da refeição, e voltaria a repeti-lo por diversas vezes ainda, sempre antes de começarmos a comer. Comer parecia muito importante. Comíamos purê com molho de carne, especialmente aos domingos. Também comíamos rosbife, knockwurst e chucrute, ervilhas, ruibarbo, cenouras, espinafre, feijão-fradinho, galinha, almôndega e espaguete, algumas vezes misturados com ravióli; havia sopas de cebola e de aspargo; e todos os domingos, torta de morango com sorvete de baunilha. No café-da-manhã, tínhamos torradas e salsichas, ou então bolinhos, ou waffles servidos com bacon e ovos mexidos. E sempre havia café. Mas a lembrança mais forte que tenho é dos purês com molho de carne e minha avó Emily dizendo: -Enterrarei todos vocês!
Bukowski - Misto Quente (p.12)

17.3.09


sentado sobre o muro da displicência
procurando novas provas de existência
mesmo nas asas de um pássaro qualquer
ou folhas de árvores na ação do vento
ainda esperava chuva contra o silêncio
mas não via nada que lhe tirasse do lugar
percebia-se fora de qualquer aspecto
a que se pode nominar matéria tão diversa
separava o corpo da palavra e assim
despedia de si mesmo como se fosse outro



























d20

16.3.09

poesia-letra
poesia-palavra
poesia-ordem
poesia-código
poesia-sistema
poesia-numero
poesia-marcapasso
poesia-pinga
poesia-progresso
poesia-cocacola
poesia-farofa
poesia-dofuturo
poesia-servepranada
poesia-gatomolhado
poesia-perdidosnoespaço
poesia-vagabundo
poesia-vagalume
poesia-espelho
poesia-aiseop
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
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zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

12.3.09







tudo bem quando nem toda razão é uma fórmula matemática
e não tenho pensado muito em calculadoras
ou lojas de inutilidades descartáveis,
que só falei isto para caber em um verso,
se dizem que todo verso é poesia,
e poesia é alguma coisa que não isto que lhes digo,
nem por isso caberia em um verso amargo comprimido
em linhas retas de um lado ao outro sem olhar para trás.
e lá vem o poeta novamente contracenando gestos
na avenida que se cala sob os olhares tortuosos
dos transeuntes encabulados .. enfim
vocês já sabem o resto da Estória

10.3.09


maisumacanção

às vezes é melhor não cantar uma canção
do que perder a hora da primavera passar
sim e tudo bem se esta parece ser apenas
mais uma dessas poesias idotas que faço
se não penso muito bem que ás vezes faço
e minhas palavras não são mais estas agora
se não é quem vai me redimir, quem então
se quando vejo a hora certa nunca é esta e
eu posso escolher a hora de voltar pra casa
se qualquer hora é um momento no espaço
todo momento é um momento momento m
tudo bem, se não é assim mesmo, tudo bem


9.3.09


6.3.09


tão somente um velho bêbado atravessando a rua em uma manhã de segunda feira..
o mesmo gosto de guarda chuva na boca de todas as segundas feiras de manhã e provavelmente a mesma cara amassada que sei que estou mesmo antes de olhar no espelho. acordar já foi uma tarefa mais fácil antes dos primeiros goles, sonhar é realmente um sonho. já não compro pães de manhã como o rito de passagem diário das tradicionais famílias comuns deste lado aqui e já não me preocupo muito em pentear o cabelo quando já não tenho tantos. as garotas não me olham mais como antes senão como agora de um susto quando vêem um velho de manhã atravessando a rua. se pensam que estou estremecido, na verdade estou bêbado e ainda posso me entorpecer sozinho. mas este é um problema se mesmo quando tenho coragem é para voltar pra casa e descansar novamente. o que o destino fez, momento algum percebí até o momento que me encontro. como cheguei a ser este velho bôbo, bêbado e eternamente ressaqueado com o mundo como em manhãs de segunda feira atravessando a rua. quando pequeno pensava em ser um velho bondoso, idiota, sorriso lento e largo, mas estou mais para um número nas estatísticas negativas da previdência social, um desconhecido na fila de um hospital sujo, sem nenhuma história pra contar, um bêbado fraco e largado. policiais não me revistam mais, mulheres me olham sem qualquer profundidade sensual. velho é o primeiro adjetivo a que me atribuem, e por uma questão de tempo já me dirão que cheguei ao fim. se todos dizem, me resta o tudo bem, mas não falo nada. ninguém espera pra me ouvir dizer nesta oratória insana de reclamar de tudo. sei que estou acabado e talvez até um velho chato, confesso que tentei ser pior e não me causa qualquer expectativa saber onde termina tudo isto, visto que nem eu gostaria de ir ao meu enterro. e não gostaria que me vissem assim.
* dedicado a Charles Bukowski

há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontralá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assimcom o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?


Charles Bukowski

5.3.09


penso que é difícil não
sonhar o tempo todo
em um mundo tão real
quando estou com a cabeça vazia penso em algumas coisas que eu não pensaria em um dia comum. penso que tenho saudade dos seus pequenos defeitos. momentos imperfeitos ao seu lado me fizeram dormir mais cedo e talvez isto tenha me acrescentado uns 10 minutos de vida se eu não morrer por motivo de acidente. das vezes que você sorriu em quase todas eu sorria também.
às vezes me sinto um pouco agradecido por estes dias que passamos juntos, mas gratidão não tem nada a ver com isso. acho que estou ficando nostálgico demais pra escrever sobre o futuro e isso pode me tirar uns 10 minutos de vida se eu morrer de causas naturais. mas isso também não é nada, levando em consideração que gastei mais de dez minutos escrevendo este texto tolo pra fazer um leitor inútil como você perder uns dois minutos para ler..
tudo bem, já estamos no fim do texto e você já perdeu muito mais tempo do que isso lendo outras coisas piores do que isto..

4.3.09

pode ser que sim.. talvez não

se eu te vejo impossível através de uma lente distante,
meus pés reclamam da estrada pela distância dos olhos
e eu não tenho muito mais o que dizer neste momento.

existencialismo demodê
tento me desconcentrar do imaginário abstrato.
pois nada mais inútil do que qualquer coisa com
questionamento existencial barato, cigarros apagados.
se precisa esperar cinco minutos até o sinal abrir
para ter dois minutos pra a travessar, tudo bem.
se ninguém importa quando ninguém bate na porta
tudo bem, então, se não tem ninguém pra abrir.



3.3.09

displicente..

vizinho das coisas distantes..
se pintasse o planeta de azul.
se ninguém me ver, tudo bem

.se corresse pra ver outro sol.
diz que todo mundo pode vir
e outra nuvem e outra mais..

27.2.09



a história dos perdedores nunca será escrita senão de modo a ser esquecida. quem inventou a competição também perdeu, a oportunidade de ficar calado e fazer um mundo menos pior, se é que isso é possível ainda que na ortografia oficial. a história comum nos parece um quadro realista fora da nossa realidade e o que não dizem muito. muito menos nos diz respeito. pouco me interessa os senadores do império que constituiram os princípios morais da burguesia nacional, tampouco me tira o sono o nome da rua de algum coronel careca de uma cidade qualquer, que nem me atinge palavras lançadas de cima de um altar ou depois de uma guerra de pobres mortos comemorada em banquetes reais. não me importa o que já se sabe, pouco diz quem somos a história do vencedor, somente há espaço para um no ponto mais alto das glórias do sucesso. viramo-no pois a pirâmide de nossas cabeças e possamos acima, estar a grande maioria pessoas comuns e tão próximos ancestrais que venceram jamais. enfim, dizem, no mais, foda-se o resto ..

26.2.09

encontrei uma foto velha
em uma gaveta fechada
a foto olhou pra mim e
eu não pensei em nada..





..
perdidos no espaço,
mas quem não está?
odeio perguntas
a esta hora da manhã
mas não é manhã,
a não ser em taiwan.
eu nunca fui a taiwan
mas odeio perguntas de manhã
não tinha outro lugar pra rimar?
até tinha, mas não fica no lado de lá

25.2.09



distante. você não me diz nada sempre a esta hora
percebe tarde que perdeu a pouca sorte que tinha

você me disse que não pode me ajudar tanto assim
mas também tarde, foi eu que agora não percebia
que você sofre também ao me fazer sofrer assim.

tudo bem. digo que não doeu. e deixar depois enfim
se lamentar, esquecer e cometer os mesmos erros..
estes, mesmos velhos erros que eu escolhi pra mim.

20.2.09


marcas de sapato no telhado
e um marcapasso no coração

salada russa e bife mal passado
você usa vocabulários estranhos

sempre levo chapéu no bolso
caso chova em nuvens acima
mas nunca me preocupo em
chegar em casa molhado, sim
também somos feitos de água
e doses de outras coisas mais

17.2.09


esperam que eu cante uma bossa nova, que diga coisas belas e não questione os céus. que fim então haverá viver em um mundo que diz o que espera que façamos? viver e não poder escolher é como escolher não-viver. mãos para o céu são também mãos ao alto, religiões e assaltos. bem vindo, afinal. tudo bem, este é apenas o fim do mundo.
tenho perdido tantas coisas, principalmente palavras. que ninguém nos ouça, não creio ser assim tão justa esta nossa causa. somos tão poucos, mas ninguém crê. outra vez o nada. ninguém acredita. ninguém, personificação do nada. e ainda assim, enfim. vocês já sabem em grande parte tudo o que eu queria, enfim, dizer. vírgulas, pontos e vírgulas e ainda assim nada no final. mas eu não disse nada. nem eu mesmo sei. depois de tanto silêncio, véspera de um momento em que nada acontece. depois de tanto bater a cabeça na parede, depois de tantas vezes ser questionado. depois de tanto tempo sem ser questionado. ora, justo quem deveria questionar. ora justo quem deveria não questionar. se eu estivesse no meio da rua, nenhum carro a me atropelar, encontro imediatos muros formados em minha frente e o tempo que passou foi só aquele que nos impede de voltar atrás. e o que virá quase nada temos a dizer. novamente me vem à mente, justo o nada, matéria de todas as coisas, agora se diz em tudo. não digo nada e não vejo ninguém.


Avesso das causas comuns e dos espíritos insolentes, herói dos desavisados e perdidos do quase nada. O que temos mesmo a perder senão a própria condição a que fomos enquadrados? E lá vem uma pergunta assim de repente. Que tédio, penso. Penso. Penso insolene, escrever assim. Mesmo quando, enfim. Nunca estive preparado para esquecer de repente. Um momento, tenho algo a dizer. Silêncio, silêncio, silêncio. Espera um pouco. Silêncio, silêncio, silêncio. Sim, sim. Tá bom, um momento. Silêncio, silêncio. Silêncio aí, ou. Ou, enfim. Tenho, tenho. Não, não tenho. Sim, tenho o nada. Enfim, tudo bem, esqueça. Não importa a arte. Qualquer coisa justifica. Meu teclado já não deixa de reconhecer o que significa escrever tanto e tantos paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas. E quando será que tudo isso vai acabar? Mas afinal o que tudo isso significa? Significa, significa, significa. Senão, a nossa própria destruição. Se nossa única certeza é a morte -todos dizem, hey!- ..então, eles dizem, estamos à beira do abismo esperando. Sim, sim. Esperando a nossa vez. Oh, não.. Isto é um sim! O fim está vivo, perto e vindo. Yeah, está chegando a nossa vez. Isto é bom, afinal? Não sabemos se o mundo é quadrado ou redondo e bem naquela curva tudo pode cair. Viver é a fila de espera. O amor é a pessoa que você gostaria que esperasse ônibus ao seu lado. O mundo é o ponto de ônibus. Sexo é sentar ao lado de alguém no ônibus e encostar a perna. E eu nunca mais fui à escola. Dizem que pra mim já acabou, mas ainda não sei de nada. Penso nestas coisas simples que se esquece justamente do que somos. E ainda estamos na sala de espera. O amor é um sem-motivo qualquer que nos aparece assim sem querer. Viver é estar dopado e sem saber esperando o tempo passar. O amor não existe, existe amor. Existir é a forma mais absolutamente ridícula de se dizer.. ah, tudo bem, deixa pra lá.. Mesmo. Nada não existe, porque não existir é o mesmo que existir só que ao contrário. Portanto, não-existir é também uma forma de existir. O que importa? Quem se importa? Quais os motivos meramente importantes? Quem se importa com o que vai acontecer. Somos nada. Nada, nada. Sim, somos. Somos algo, nada. Sim, tudo bem. Viver é também se explicar ao contrário. Esqueça, sim, eu não entendo sobre este grande nada. Falta perspectiva e ainda olhar pra traz. Aurora, não é mais como outrora. E o que somos, civilização, além de nada. Somos muitos. Somos muita coisa, entre elas nada. Um exército de nadas, um formigueiro de nada, uma nação ao contrário. Sim, este é o grande nada. Este é o começo. Foda-se, se repito quantas vezes, tudo bem. Este é o começo do fim. Começo do nada. Estamos a caminho, estamos longe, estamos perto. Perto do nada. Mas sim, nem tudo é nada. Embora, de onde viemos, para onde vamos: lugar nenhum. Bem vindo. Enfim, realidade. Somos todos nós, humanidade. E nem um pouco de humildade. Uma grande mentira mal contada.

16.2.09





13.2.09




JOHN FRUSCIANTE: THE EMPYREAN

11.2.09




















The Flying Spaghetti Monster


- cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

10.2.09


9.2.09


4.2.09

controle remoto
com fone de ouvido


música de elevador1234
i_marginall the peoplee
musica_alcool]ternativa
poema_______proesia























homiepie















lily allen















damien rice

3.2.09
























little joy




















last shadow puppets




29.1.09

não, agora não

dê-me um tempo para pensar nestas coisas. tenho tido muitos contratempos agora e não quero mais dizer o que se passa lá fora. quando nem sei que horas são, mas o tempo passa. tenho algum tempo para pensar em nada, mas não quero pensar nisso agora, não. certas coisas que não se diz e isso assim é só. agora e depois, tudo bem quando nunca digo que estou mal. e se não interessa separar as coisas, não existe tanta diferença quando não se espera tantos contrários. quero apenas desmaiar por algumas horas e depois fazer outra coisa que me dê um motivo para acordar.

28.1.09



















Vênus - de Botticelli

















the dead trees


















The Flying Spaghetti Monster

22.1.09

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