
5.11.09
16.10.09
31.8.09
26.8.09
21.8.09
20.8.09
¿Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Indagou Marco Túlio Cícero ao Senador Lúcio Sérgio Catilina, a 8 de novembro de 63 a.C., em Roma. Flagrado em atitudes criminosas. Catilina se recusa a renunciar ao mandato.
Cícero, orador emérito, respeitado por sua conduta ética na política e na vida pessoal, pôs em sua boca a indignação popular: ¿Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disso conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?¿
¿Ó tempos, ó costumes!¿, exclamou Cícero, movido por atormentada perplexidade diante da insensibilidade do acusado. ¿Que há, pois, ó Catilina, que ainda agora possas esperar, se nem a noite, com suas trevas, pode manter ocultos os teus criminosos conluios; nem uma casa particular pode conter, com suas paredes, os segredos da tua conspiração; se tudo vem à luz do dia, se tudo irrompe em público?
Jurista, Cícero se esforçou para que Catilina admitisse os seus graves erros: ¿É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia¿.
Se Catilina permanecia no Senado, não era apenas a vontade própria que o sustentava, mas sobretudo a cumplicidade dos que teriam a perder, com a renúncia dele, proveitos políticos. Daí a exclamação de Cícero: ¿Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?¿
Cícero não temia ameaças e expressava o que lhe ditava o decoro: ¿Já não podes conviver por mais tempo conosco; não o suporto, não o tolero, não o consinto. (¿) Que nódoa de escândalos familiares não foi gravada a fogo na tua vida? Que ignomínia de vida particular não anda ligada à tua reputação? (¿) Refiro-me a fatos que dizem respeito não à infâmia pessoal dos teus vícios, não à tua penúria doméstica e à tua má fama, mas sim aos superiores interesses do Estado e à vida e a segurança de todos nós¿.
Os crimes de Catilina escancaravam-se à nação. Seus próprios pares o evitavam, como assinalou Cícero: ¿E agora, que vida é essa que levas? Desejo neste momento falar-te de modo que se veja que não sou movido pelo rancor, que eu te deveria ter, mas por uma compaixão que tu em nada mereces. Entraste há pouco neste Senado. Quem, dentre esta tão vasta assembléia, dentre todos os teus amigos e parentes, te saudou?
Se isso, desde que há memória dos homens, a ninguém aconteceu, ainda esperas que te insultem com palavras, quando te encontras esmagado pela pesadíssima condenação do silêncio?¿
Catilina fingia não se dar conta da gravidade da situação. Fazia ouvidos moucos, jurava inocência, agarrava-se doentiamente a seu mandato.
¿Se os meus escravos me temessem da maneira que todos os teus concidadãos te receiam¿, bradou Cícero, ¿eu, por Hércules, sentir-me-ia compelido a deixar a minha casa; e tu, a esta cidade, não pensas que é teu dever abandoná-la? E se eu me visse, ainda que injustamente, tão gravemente suspeito e detestado pelos meus concidadãos, preferiria ficar privado da sua vista a ser alvo do olhar hostil de toda a gente; e tu, apesar de reconheceres, pela consciência que tens dos teus crimes, que é justo e de há muito merecido o ódio que todos nutrem por ti, estás a hesitar em fugir da vista e da presença de todos aqueles a quem tu atinges na alma e no coração?¿
Cícero não demonstrava esperança de que seu libelo fosse ouvido: ¿Mas de que servem as minhas palavras? A ti, como pode alguma coisa fazer-te dobrar? Tu, como poderás algum dia corrigir-te?¿ E não poupou os políticos que, apesar de tudo, apoiavam Catilina: ¿Há, todavia, nesta ordem de senadores, alguns que ou não veem aquilo que nos ameaça ou fingem ignorar aquilo que veem.¿
Acuado, Catilina se refugiou na Etrúria e morreu em 62 a.C. Cícero, afastado do Senado por Júlio César, foi assassinado em 43 a.C. Um século depois, Calígula, desgostoso com o Senado, nomearia senador seu cavalo Incitatus, com direito a 18 assessores, um colar de pedras preciosas, mantas de cor púrpura e uma estátua, em tamanho real, de mármore com pedestal em marfim.
19.8.09
tudo sobre o nada.
eu estava lúcido,
só que do outro lado.
ela me disse algumas coisas
que não me lembro bem.
ela disse pra eu não me esquecer
mas só me lembro desta parte..
eu tinha a mesma idade que tenho agora
só que em outro calendário, caleidoscópio..

"Post Office" (1971, traduzido no Brasil como "Cartas na Rua") foi o primeiro livro de enorme sucesso do poeta, bêbado, mulherengo e lúcido Charles Bukowski, morto em 1994.
Quando ainda trabalhava no correio, Bukowski (que já publicara poemas e contos em revistas do submundo) teve a oferta da editora Black Sparrow Press para ganhar uma módica renda mensal só para escrever.
"Post Office", de quase 200 páginas, saiu de sua máquina em um mês.
Questionado sobre como pôde escrever o livro em tão pouco tempo, Bukowski, que sempre sonhara em ser só escritor, disse: "Out of fear" (por medo; de voltar aos correios).
17.8.09
14.8.09
Hoje tudo mudou
Ontem amei você
O que você me dá, é lindo de morrer
É lindo, Oh! Oh! Oh! Yeah!
It’s very nice pra chuchu
It’s very nice pra chuchu
It’s very nice pra chuchu
Provei do seu amor
Eu sei, foi muito bom
O que você me dá, é lindo de morrer
É lindo Oh! Oh! Oh! Yeah!
It’s very nice pra chuchu
Hoje eu falo a sua língua
Eu era meio desligado
Eu não sou mais aquele
Palmas para mim
Minha Menina
It’s very nice pra chuchu...
7.7.09
mas que ninguém me veja sozinho
não quero responder a questionários
não quero ouvir comentários
neste momento não me importo
em me manter desiformado
nada me interessa agora
não quero compartilhar dor alguma
não peço que me leiam de alguma forma
esta é apenas uma lamentação qualquer
como tantas outras que se pode ver
sem alguma cerimônia que pareça
não acredito em nada além daqui
portanto não irei a lugar algum
longe do meu corpo, o pensamento
6.7.09
Eu sei
Que às vezes não sou quem
Te faz rir
Te faz sonhar
Eu não sei
Às vezes eu não sei
Me conter
Me comportar
Deixa amanhecer
Foi meu mal
Foi sem querer
Vou aprender o que é ser um bom par
Eu sei
Que as vezes não sou quem
Te faz rir
Te faz sonhar
Que não sei
Às vezes eu não sei
Me conter
Me controlar
Deixa amanhecer
Foi meu mal
Foi sem querer
Vou aprender o que é ser
Deixa amanhecer
Foi meu mal
Foi sem querer
Dessa vez vou ser
Dessa vez vou ser
Um bom par
3.7.09
2.7.09
1.7.09
30.6.09
29.6.09
como se diferente fosse
como se fizesse alguma diferença
como se nada fosse
como se fosse nada
nada de mais
nada comum
nada através
nada, enfim, nada
tudo bem, como sempre foi
como se eu fosse dizer se não tivesse tão bem assim
nada diferente deste lado de cá do rio
uma palavra apenas e um pedaço que ficou
26.6.09
possíveis destinos da chuva
e uma saudade sem motivo
nada além desta anti-matéria
enfim, nada mais a esquecer
pretendo alcançar a novidade
ser nuvem que sempre passa
se ainda tenho vergonha de atravessar a calçada
como se atrevimento fosse não ter asas pra voar
nascido nas nuvens, olhava o chão como fosse céu
pensava consigo, o passarinho, será que consigo?
23.6.09

18.6.09
todo mundo tem um barulhinho dentro de si
que toca o tempo todo que a gente nem ouve
uma musicazinha, musiquinha que não pára
que ritima o coração e os passos na calçada
e que por tanto tempo que toca, tempo todo
tanto que agora toca, passa por esquecimento
que às vezes a gente nem ouve e adormece..
17.6.09

memórias da infância I
15.6.09
"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"
12.6.09
você dormia e eu acordava.
abria a geladeira e não havia nada
um copo com gelo é apenas
um copo com gelo antes de derreter
um copo com gelo derretido
é apenas um copo com um pouco de água
e daí?
ela nunca mais voltou pra dizer qualquer coisa.
tudo bem, se isto sempre acontece comigo..
que o destino nunca me dedicou uma destas
histórias da televisão com final feliz e letrinhas subindo..
não há novidade neste caso, afinal.
ainda tenho relativa sorte em estar vivo
e com todos os dentes da frente, ainda que tortos.
tenho alergia às primeiras flores da primavera
e tenho dois dedos que não dobram mais
tudo bem quando se acostuma a não esperar
um cara assim como eu, tão normal, apenas.
apenas um entre tantos outros, loucos..
10.6.09
9.6.09
Para os amores maiores como o meu”
"O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula."
Aristóteles - "Política", 1252 b.
8.6.09
Para Lévi-Strauss, diferentemente do funcionalismo de Lévy-Bruhl ou do existencialismo de Sartre, a diferença entre o primitivo e o moderno não está propriamente no campo das formas de representação do homem no mundo e do mundo no homem, mas na forma de expressão dessas relações.transformado / natural e cultura / natureza
depois de tanto tempo calado e tanta besteira dizer agora
quebrei todos os vidros que eu mesmo havia construído
tarde de mais para se despedir, cacos não respondem mais
prefiro agora um copo meio vazio de um líquido inflamável
que perceber aos poucos estar evaporando à beira do fogo
acho que é isso e não posso pensar em me arrepender
não sinto tanta culpa agora de quando eu estava certo
e não tenho idéia agora de quando e onde me encontro
tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto
5.6.09
Já faz tempo pacas
Que eu não vinha aqui cantar no festival
Eu não vou ganhar, quem sabe até eu vou perder ou empatar
Nós não estamos nem aí
Nós queremos é piar
Nós estamos é aqui
E sua mãe onde é que está?
Mande um abraço pra velha
Diga pra ela se tratar
Você pensa que cachaça é água
Mas cachaça é água não
É não
Você pensa que eu estou brincando
Mas brincando eu não estou não
Estou não
Estou não
Imagine um festival
Sem caretas e no sol
Imagine um festival com a sua mãe e o Juvenal
4.6.09
Uma das concepções da epistemologia da ciência, no caso, da teoria verificacionista de fundamentação de uma teoria científica, é de que casos particulares corroboram com asserções universais. Assim, "Este corvo é preto" corrobora com "Todos corvos são pretos". Hempel questionou isto com o seguinte paradoxo:
"Todos corvos são pretos" é logicamente equivalente a "Tudo que não é preto não é corvo".
∀x(Cx → Px) ≡ ∀x(¬Px → ¬Cx)
Assim, se ∃x(Cx ∧ Px) corrobora com ∀x(Cx→Px),
então ∃x(¬Cx ∧ ¬Px) corrobora com ∀x(¬Px→¬Cx) que,
sendo aquivalente a ∀x(Cx→Px), esta seria corroborada também.
Não se trata aqui de um paradoxo no sentido estrito da palavra. Afinal não há uma contradição. Isso consiste mais em uma demonstração de que se a teoria verificacionista procedesse, ter-se-ia de aceitar que banalidades quaisquer corroboram com uma teoria científica.
2.6.09
20.5.09
8.5.09
3.4.09
20.3.09
18.3.09
17.3.09
procurando novas provas de existência
mesmo nas asas de um pássaro qualquer
ou folhas de árvores na ação do vento
ainda esperava chuva contra o silêncio
mas não via nada que lhe tirasse do lugar
percebia-se fora de qualquer aspecto
a que se pode nominar matéria tão diversa
separava o corpo da palavra e assim
despedia de si mesmo como se fosse outro
16.3.09
poesia-palavra
poesia-ordem
poesia-código
poesia-sistema
poesia-numero
poesia-marcapasso
poesia-pinga
poesia-progresso
poesia-cocacola
poesia-farofa
poesia-dofuturo
poesia-servepranada
poesia-gatomolhado
poesia-perdidosnoespaço
poesia-vagabundo
poesia-vagalume
poesia-espelho
poesia-aiseop
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12.3.09
e não tenho pensado muito em calculadoras
ou lojas de inutilidades descartáveis,
que só falei isto para caber em um verso,
se dizem que todo verso é poesia,
e poesia é alguma coisa que não isto que lhes digo,
nem por isso caberia em um verso amargo comprimido
em linhas retas de um lado ao outro sem olhar para trás.
e lá vem o poeta novamente contracenando gestos
na avenida que se cala sob os olhares tortuosos
dos transeuntes encabulados .. enfim
vocês já sabem o resto da Estória
10.3.09
às vezes é melhor não cantar uma canção
do que perder a hora da primavera passar
sim e tudo bem se esta parece ser apenas
mais uma dessas poesias idotas que faço
se não penso muito bem que ás vezes faço
e minhas palavras não são mais estas agora
se não é quem vai me redimir, quem então
se quando vejo a hora certa nunca é esta e
eu posso escolher a hora de voltar pra casa
se qualquer hora é um momento no espaço
todo momento é um momento momento m
tudo bem, se não é assim mesmo, tudo bem
9.3.09
6.3.09
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontralá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assimcom o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
Charles Bukowski
5.3.09
4.3.09
se eu te vejo impossível através de uma lente distante,
meus pés reclamam da estrada pela distância dos olhos
e eu não tenho muito mais o que dizer neste momento.
3.3.09
vizinho das coisas distantes..
se pintasse o planeta de azul.
.se corresse pra ver outro sol.
diz que todo mundo pode vir
e outra nuvem e outra mais..
27.2.09
26.2.09
mas quem não está?
odeio perguntas
a esta hora da manhã
mas não é manhã,
a não ser em taiwan.
eu nunca fui a taiwan
mas odeio perguntas de manhã
não tinha outro lugar pra rimar?
até tinha, mas não fica no lado de lá
25.2.09
percebe tarde que perdeu a pouca sorte que tinha
você me disse que não pode me ajudar tanto assim
mas também tarde, foi eu que agora não percebia
que você sofre também ao me fazer sofrer assim.
tudo bem. digo que não doeu. e deixar depois enfim
se lamentar, esquecer e cometer os mesmos erros..
estes, mesmos velhos erros que eu escolhi pra mim.
20.2.09
e um marcapasso no coração
salada russa e bife mal passado
você usa vocabulários estranhos
sempre levo chapéu no bolso
caso chova em nuvens acima
mas nunca me preocupo em
chegar em casa molhado, sim
também somos feitos de água
e doses de outras coisas mais
17.2.09
Avesso das causas comuns e dos espíritos insolentes, herói dos desavisados e perdidos do quase nada. O que temos mesmo a perder senão a própria condição a que fomos enquadrados? E lá vem uma pergunta assim de repente. Que tédio, penso. Penso. Penso insolene, escrever assim. Mesmo quando, enfim. Nunca estive preparado para esquecer de repente. Um momento, tenho algo a dizer. Silêncio, silêncio, silêncio. Espera um pouco. Silêncio, silêncio, silêncio. Sim, sim. Tá bom, um momento. Silêncio, silêncio. Silêncio aí, ou. Ou, enfim. Tenho, tenho. Não, não tenho. Sim, tenho o nada. Enfim, tudo bem, esqueça. Não importa a arte. Qualquer coisa justifica. Meu teclado já não deixa de reconhecer o que significa escrever tanto e tantos paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas. E quando será que tudo isso vai acabar? Mas afinal o que tudo isso significa? Significa, significa, significa. Senão, a nossa própria destruição. Se nossa única certeza é a morte -todos dizem, hey!- ..então, eles dizem, estamos à beira do abismo esperando. Sim, sim. Esperando a nossa vez. Oh, não.. Isto é um sim! O fim está vivo, perto e vindo. Yeah, está chegando a nossa vez. Isto é bom, afinal? Não sabemos se o mundo é quadrado ou redondo e bem naquela curva tudo pode cair. Viver é a fila de espera. O amor é a pessoa que você gostaria que esperasse ônibus ao seu lado. O mundo é o ponto de ônibus. Sexo é sentar ao lado de alguém no ônibus e encostar a perna. E eu nunca mais fui à escola. Dizem que pra mim já acabou, mas ainda não sei de nada. Penso nestas coisas simples que se esquece justamente do que somos. E ainda estamos na sala de espera. O amor é um sem-motivo qualquer que nos aparece assim sem querer. Viver é estar dopado e sem saber esperando o tempo passar. O amor não existe, existe amor. Existir é a forma mais absolutamente ridícula de se dizer.. ah, tudo bem, deixa pra lá.. Mesmo. Nada não existe, porque não existir é o mesmo que existir só que ao contrário. Portanto, não-existir é também uma forma de existir. O que importa? Quem se importa? Quais os motivos meramente importantes? Quem se importa com o que vai acontecer. Somos nada. Nada, nada. Sim, somos. Somos algo, nada. Sim, tudo bem. Viver é também se explicar ao contrário. Esqueça, sim, eu não entendo sobre este grande nada. Falta perspectiva e ainda olhar pra traz. Aurora, não é mais como outrora. E o que somos, civilização, além de nada. Somos muitos. Somos muita coisa, entre elas nada. Um exército de nadas, um formigueiro de nada, uma nação ao contrário. Sim, este é o grande nada. Este é o começo. Foda-se, se repito quantas vezes, tudo bem. Este é o começo do fim. Começo do nada. Estamos a caminho, estamos longe, estamos perto. Perto do nada. Mas sim, nem tudo é nada. Embora, de onde viemos, para onde vamos: lugar nenhum. Bem vindo. Enfim, realidade. Somos todos nós, humanidade. E nem um pouco de humildade. Uma grande mentira mal contada.
16.2.09
13.2.09
11.2.09
10.2.09
9.2.09
4.2.09
com fone de ouvido
música de elevador1234
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