pequenos vícius
quase tudo era acidez em colheres, copos e cigarros.
geladeira sem água, mas ninguém vem.
desenho uma janela na parede,
vejo a lâmpada quebrada quando é dia
e na rua pessoas ainda são pedestres
todo prazer contido em embalagens descartáveis.
receita para esperar o fim do mundo, leva:
açúcar, alcool, fumaça, corantes, conservantes, sal e gordura.
quanto ao pé do muro, ou ao menos se importar,
invisibilidade nas cidades urbanas, outro lado, caos e multidão,
atrás de pequenos gestos, dedo-no-nariz, cospir-no-chão.
nostalgia, década de noventa, logo alí. e 2001, ninguém viu.
largava o sorriso de lado trocado por alguma possibilidade.
poluído de anúncios, não via tantas cores. jogava o dado, mão ao alto.
das páginas da velha enciclopédia que vasculhava atrás de uma ponta perdida,
quase todos os pensamentos em relação ao futuro tinha alguma coisa a ver com o seu sentimento de leve injustiça por ter que trabalhar para viver.
planejava uma tentativa de erro.
podia dizer todos os detalhes sobre algo específico desde que não sirva para nada,
deliciosos condimentos que constantemente lhe faziam mal.
azia, prisão de ventre e dor de barriga,
como as ressacas das noites passadas.
andar na rua sem ver ninguém, estava a mil enquanto dormem.
por um cigarro àquela hora poderia dizer que ama qualquer pessoa pelo resto da vida
virtude do gosto, ventura autodigestiva perto do fim do mundo.
se estivesse em casa lhe cairia bem o teto na cabeça.
ou se não fumasse tanto talvez um carro o jogaria a sete metros
dalí para sete palmos no chão. todo improvável era tão comum.
assim mesmo não guardava nenhuma expressão que demonstrasse a sua verdadeira idade.
menos ou mais, o tempo nunca lhe foi útil na porta de um bar.
era apenas ser e não pensa mais. acostumava-se a quase tudo.
respirava por instinto, cheirava à fumaça, poeira e mofo.
desgastava todas as promessas de amor por total conveniência,
beijava a tampa da privada, mas não gostava de si mesmo.
enchergava no próprio espelho outra pessoa,
enquanto divertia-se com os próprios tombos,
ria dos outros, rindo de si mesmo.
quase tudo era acidez em colheres, copos e cigarros.
geladeira sem água, mas ninguém vem.
desenho uma janela na parede,
vejo a lâmpada quebrada quando é dia
e na rua pessoas ainda são pedestres
todo prazer contido em embalagens descartáveis.
receita para esperar o fim do mundo, leva:
açúcar, alcool, fumaça, corantes, conservantes, sal e gordura.
quanto ao pé do muro, ou ao menos se importar,
invisibilidade nas cidades urbanas, outro lado, caos e multidão,
atrás de pequenos gestos, dedo-no-nariz, cospir-no-chão.
nostalgia, década de noventa, logo alí. e 2001, ninguém viu.
largava o sorriso de lado trocado por alguma possibilidade.
poluído de anúncios, não via tantas cores. jogava o dado, mão ao alto.
das páginas da velha enciclopédia que vasculhava atrás de uma ponta perdida,
quase todos os pensamentos em relação ao futuro tinha alguma coisa a ver com o seu sentimento de leve injustiça por ter que trabalhar para viver.
planejava uma tentativa de erro.
podia dizer todos os detalhes sobre algo específico desde que não sirva para nada,
deliciosos condimentos que constantemente lhe faziam mal.
azia, prisão de ventre e dor de barriga,
como as ressacas das noites passadas.
andar na rua sem ver ninguém, estava a mil enquanto dormem.
por um cigarro àquela hora poderia dizer que ama qualquer pessoa pelo resto da vida
virtude do gosto, ventura autodigestiva perto do fim do mundo.
se estivesse em casa lhe cairia bem o teto na cabeça.
ou se não fumasse tanto talvez um carro o jogaria a sete metros
dalí para sete palmos no chão. todo improvável era tão comum.
assim mesmo não guardava nenhuma expressão que demonstrasse a sua verdadeira idade.
menos ou mais, o tempo nunca lhe foi útil na porta de um bar.
era apenas ser e não pensa mais. acostumava-se a quase tudo.
respirava por instinto, cheirava à fumaça, poeira e mofo.
desgastava todas as promessas de amor por total conveniência,
beijava a tampa da privada, mas não gostava de si mesmo.
enchergava no próprio espelho outra pessoa,
enquanto divertia-se com os próprios tombos,
ria dos outros, rindo de si mesmo.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana