26.5.08

doce lar

Não precisava nem dizer muito. Bastava.
Um olhar sem intensidade para qualquer lado
ou a falta de um sussurro, se muito, já sabia.
A senha de tantas palavras. Não parecia nada.

Ninguém mesmo sabia qual ponta dos extremos
poderiam estar mais próximos. Se fosse.
Antes até diria que a casa estava vazia.
Mas estavam incrivelmente felizes, cada um
à sua forma de silêncio e não olhar pra nada.

Também não sei como isso começa. Acontece
de ser feliz e começar a gostar de não falar.
Viviam, e apenas, como animais, plenamente.
Em busca de alimento e perpetuar a espécie.

Enquanto isso, no topo de um prédio, em
apartamentos, como em galhos de árvores:
filmes, refrigerante e alguma fritura qualquer.
.. Equilibram-se no topo da cadeia alimentar,
e cobertos, as pontas dos pés, se encontram.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana