um suposto gesto escondido pelas mangas longas
uma suposta vontade de te ver sem você me ver
suposto gosto de beijo guardado no bolso do peito
sem admitir que um pouco dói um pouco lembro
mas nenhuma suposta necessidade de esquecer
mesmo que aumente o suposto nada que ainda há
te amo um pouco clandestinamente e isso me dá de repente uma vontade de chorar e de rir. displicente, isso me deixa abaixo de um soldado raso com vontade de estar na linha de tiro e voltar pra casa pelo menos com olhar de cachorro flertando o chão.
um aperto de se não te ver mais
e saber que quando você vai sem se despedir
eu penso que você sente as mesmas coisas que eu
que pensar muito, se pouco adianta.
mas não dizer. ou digo que não.
digo que não quero, quando na verdade não posso.
o mundo aos olhos de todos não interessa muito agora
não há alguma escolha se você não me atende mais
nem precisava ser tão distante estrela, distante.
fico agora com o que passou por mim que como quase tudo
imagino que vejo de perto e às vezes escrevo sem querer
te dizendo coisas que eu nem deveria pensar
mas você sabe que eu não sei de nada
como nem sei qual parte de você eu gosto mais

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana