28.5.08

futuro mais do que pretérito da sétima pessoa do plural

homem. disco voador que não veio. o cara vinha andando devagar, equilibrava na calçada, andava sobre abismo da consciência com medo de altura olhando para o chão. eu não sei se ele não sabia rezar ou se sabia que não adiantava muito esquecer tanta coisa que ainda existe, talvez eu nunca saiba, nunca mais o ví.

criança ia em direção à padaria, sabia que era lá, mas parou e deu volta com os olhos dizendo pra si mesmo que esqueceu o que ia comprar. comprou um pão a menos e esqueceu o troco, esqueceu de tomar café, perdeu a fome porque foi jogar futebol, via a bola girando no alto parecia um planeta, uma lua que batia na cabeça do goleiro antes de entrar pro goooooool. mas era contra. que distração. não tinha graça assim. mas comemorava muito quando ganhava porque perdia mais.

inverno me soa tão europeu. estação eu conhecí primeiro a do trem. talvez somos a página de um grande livro que nunca chega ao fim. algumas palavras chegam antes. determinado sentido. isso me diz muito ou quase tudo, até me fez falar português hoje em dia.. tom zé ou arnaldo baptista, alguém me disse algo parecido esses dias. tudo bem não importa muito agora, estamos subemergidos nos nossos próprios conceitos préconcebidos, afundamos juntos, abraçados...

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana