18.6.08

sobre portas e páginas

por um segundo pensei,
era o erro que eu te dei.

depois esquecí, não somos muito do que pensamos.

diplomatas mal educados e
guardanapos engravatados.
era o garfo que caía da mesa..

primeiros
segundos.

ninguém.

pensava em deus,
se ainda não existo..

era o núcleo de um vácuo respirando no plástico

era apenas um adolescente ciumento pensando em saídas fáceis enquanto sonha com uma mobilete e aprender a fumar cigarro.

de fronteiras se fecham quanto aos olhos que abrem.
acima da velocidade da fumaça que sobe.

cotovelos
sobre a mesa.
l e n t a m e n t e,
palitando os dentes

dedos apontados pra cima - Óh céus!
anjos na gangorra apoiada em nuvens.
dedos balançam de lado, dizem não"..

portas que abrem,
janelas no chão.

penso que ainda existe uma fórmula que te faça esquecer de tudo que eu digo em seguida, que não me faça voltar pra mim a cada instante.

pelos meus cabelos longos,
me enforcava, a sociedade.

era eu alí debaixo da mesa pegando o garfo.
pedindo desculpas e amarrando cadarços

não precisava dizer no final do filme
todos sabem, eu sei. eu sou a morsa

era um sonho, mas o sonho acabou. era não.
não era o sonho, não era nada, não era eu.

era eu debaixo da mesa contando o tempo.
a troco de chutes, pra não perder os dentes
mas ainda tenho o garfo em minhas mãos!

- ohh yeah!!'

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana