31.8.07

Tenho mãos sobrando no meu bolso vazio, um riso meio sem graça ainda ensaia esconder a alegria vã, incipiente e não sei fingir. Me lembro que eu me achava velho e ainda é tão cedo.. ás vezes penso sem parar e apenas de possibilidades vagas alimento pequeninos pensamentos amarelos - aquarela sobre branco de uma improvável visita ao centro do sol ou mesmo apenas divagação sobre nada. Olho para baixo e o meu sapato velho, gasto e opaco me coloca de volta no chão, de tantas calçadas, traz leves sinais dos longos caminhos, pequenas boas lembranças de lugares ora esquecidos, enfim, uma dorzinha vazia e ainda a incrível alegria contida a descobrir a minha singularidade no singelo limite a que somos desenhados.


.. de 05/07/07 [óbvio-utópico]

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana