30.8.07

não sei o que é maior, se é o caminho ou a espera.. um dia comum, um lugar comum debaixo do céu. questões sublimes me tomam do tédio sob o chão e outras assim me trazem de volta. entre tantos devaneios eu me lembro de mim mesmo e a mesma coisa se faz como se fosse outra. ou talvez não. ou talvez se a mesma forma de dizer coisas diferentes fosse igual a dizer diferente as mesmas coisas o mundo seria quase todo o mesmo e pela longa estrada longa assim se vai e eu não sei, e sem mais assim, não adianta dizer sobre o que ficou, se ficou pra trás, não compensa me dizer o que se passou e não faz sentido pensar sobre o que não aconteceu, eu não quero outra forma de desatenção ou talvez, não me peça pra provar o que eu não sinto em mim e não resta mais uma gota sequer de uma nova estação. eu não quero mais ficar aqui por causa de mim ou alguém e não me pertenço ao chão como os meus pés são do céu, se o que eu sinto muda a cada momento em uma inconstante busca rumo ao delírio enfim e ao tédio inesperadamente sob tons de cores diferentes não mudasse agora, eu sei, chegaria á última linha sendo o mesmo, mesmo que eu não seja mais eu. as cores e as coisas do seu rosto eu não me lembro mais apenas os gestos e eu poderia reconhecer sua sombra ou vulto mas nunca em uma multidão, mesmo te esperando como hoje. diferentes pela forma de dizer e não penso mais no que escrevo nestas linhas vãs, tão leves e vagas para despistar a neurose que não se toca, que não me toca, inerte, vaga e só. e não olhe assim com olhar de avaliação suas mãos sobre a mesa também são parte do chão. um triste fim para um final feliz sem pipocas em frente á tela, sem desfecho retumbante, sem letrinhas subindo e desta vez também não veio me ver, não veio o trem na estação, não veio o sol e nem se pôs, não errou, não arriscou, não nada, nada nada nada.. a banda passa tocando canções de ninar, não é balão e nem são joão. não sei o que é maior, o tédio ou o cansaço. parte de mim, quase sem querer.


.. de 09/05/07 [saudade, um dia comum]

Um comentário:

  1. Poxa esse texto é lindo........
    De verdade bastante parecido comigo!.
    Beijos

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana