31.8.07

GOL DE QUEM?


O mundo é um grande pão com manteiga café com leite. Nunca mais, nunca mesmo sobre qualquer assunto Obtemperarei.. Assim espero. Porque sei calcular o valor de um amor que desponta. Eu meço pelo tamanho da dor que no final eu sei que vai sobrar. É preciso dizer, é preciso dizer Ié, ié, ié, ié, ié, ié, ié. Tá na hora, tá na hora. Todo mundo foi embora e eu sobrei. Aqui feito um bobo só pensando nela, já soprei a vela e vou deitar. Até as pernas melhorar, vou voltar a caminhar, e se Deus quiser Ele vai me chamar. Eu também quero e eu vou, eu vou.. Eu também quero e eu vou, eu vou.E você como vai? Tudo bem? Intão vem. Como não? Eu também. Tudo bão? Tá não. Cê também? Intão vão. Vomitão!
(John)



It's Not The End Of The World? - Super Furry Animals


Why?
When you fall asleep
Before the end of the day
You start to worry
Like when the taxi comes
To take you away
When you're in no hurry
Yet as our hair turns white
All the stars still shine
So bright above
At least
It's not the end of the world
Why?
We could live it large
Because we're only old once
Let's make a difference
Turn all the hate in the world
Into a mocking bird
Make it fly away
Yet as our hair turns grey
Everything is far
From A. O.K
At least it's not the end of the world




Isto não é o fim do mundo? - Super Furry Animals


Por que?
Quando você dorme
Antes do fim do dia
Você começa a se preocupar
Como quando o táxi vem
para te levar embora
Quando você está sem pressa
Ainda enquanto nosso cabelo fica branco
Todas as estrelas ainda brilham
Tão luminosas acima
Pelo menos
Não é o fim do mundo
Por que?
Nós poderíamos viver isto abundantemente
Porque nós só somos velhos uma vez
Façamos a diferença
Transforme todo o ódio no mundo
Em um pássaro zombeteiro
Faça ele sair voando
Ainda enquanto nosso cabelo se torna cinza
Tudo é distante
Dê um O.K.
Pelo menos não é o fim do mundo

Um Dia de Verão - Soneto XVIII

Se te comparo a um dia de verão
és por certo mais bela e mais serena.
O vento espalha as flores pelo chão
e a demora do estio é bem pequena.

Às vezes brilha o sol em demasia
outras vezes desmaia com frieza.
O que é belo declina num só dia,
na eterna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
esse encanto que tens não perderás
nem chegarás da morte ao triste inverno.

Nestas linhas, com o tempo, crescerás,
e enquanto sobre a terra houver um ser
meus versos, vivos, te farão viver.


- Willian Shakespeare




Dos Três Mal Amados
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte


- João Cabral de Melo Neto
'Eu não soube dizer. Pra ser franco, não sei o que eu acho disso tudo. (...) Só sei mesmo é que sinto uma espécie de saudade de todo mundo que entra na estória... A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo.'

'...Aí, só mesmo de doido que sou, quando estávamos saido de um apertão daqueles, eu disse a ela que estava apaixonado e tudo. Claro que era mentira, mas o caso é que eu estava sendo sincero na hora que falei. Sou louco mesmo. Juro que sou.'

'Entre outras coisas, você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enjoada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno...'

'... Mas não me importava que tipo de emprego ia ser, desde que eu não conhecesse ninguém e ninguém me conhecesse... Ai bolei o que é que eu devia fazer: ia fingir ser surdo-mudo. Desse modo não precisava ter nenhuma conversa imbecil e inutil com ninguém... Com o dinheiro que fosse ganhando, construiria uma cabaninha pra mim em algum lugar e viveria lá o resto da vida. Ia fazer a cabana bem pertinho de uma floresta, mas não dentro da mata porque ia fazer questão de ter a casa ensolarada pra burro o tempo todo. Cozinharia minha própria comida e mais tarde, se quisesse casar ou coisa parecida, ia encontrar uma garota bonita, também surdo-muda, e nos casaríamos. Ela viria viver comigo na cabana... Se tivéssemos filhos, iam ficar escondidos em algum canto. Podíamos comprar uma porção de livros para eles e nós mesmos íamos ensiná-los a ler e escrever.'


J.D. Salinger - O Apanhador no Campo de Centeio
Tenho mãos sobrando no meu bolso vazio, um riso meio sem graça ainda ensaia esconder a alegria vã, incipiente e não sei fingir. Me lembro que eu me achava velho e ainda é tão cedo.. ás vezes penso sem parar e apenas de possibilidades vagas alimento pequeninos pensamentos amarelos - aquarela sobre branco de uma improvável visita ao centro do sol ou mesmo apenas divagação sobre nada. Olho para baixo e o meu sapato velho, gasto e opaco me coloca de volta no chão, de tantas calçadas, traz leves sinais dos longos caminhos, pequenas boas lembranças de lugares ora esquecidos, enfim, uma dorzinha vazia e ainda a incrível alegria contida a descobrir a minha singularidade no singelo limite a que somos desenhados.


.. de 05/07/07 [óbvio-utópico]
banalidades anti-sistema de uma pessoa introspectiva normal á beira de um ataque de abismo .. ou pseudo ensaio do discurso realista, nada a ver com a realidade

..descascando laranjas em frente á tv,
não mais cervejas,
não mais planetas.
desisto da arte..
disso que se chama
a dor humana
a expansão do universo
a direção do cosmos
a desistegração da antimatéria
não interessa tanto agora.
as pirâmides do egito, o himalaia,
os jardins suspensos ou o taj mahal
estão todos lá fora.
o mundo até aqui, a esquina até alí
o império do garfo e faca sobre a mesa
não me intriga mais
o iluminismo não ilumina o quarto,
o pão espera ferver a água do café
já que voltei para casa mais cedo
nada me questiona
nada me incomoda
minto pra mim se confortável for acreditar
caí de maduro e acordei
dos mesmos sonhos de quando eu não tinha
antes de me colocarem no chão
sou apenas eu olhando pra mim
tentando me ver atrás do espelho..
agora eu sou moderno, não me importo se é eterno, até que é bom
tudo outra vez e eu era apenas eu sobre o rascunho de um pedaço de papel
me plagiando feito um louco a perguntar o que que a vida vai fazer de mim ..



- de 27/07/07 [ a day in the life ]
Tupi, or not tupi that is the question..

Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.

- Oswald Andrade (trecho do Manifesto Antropofágico)



'Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm'

(Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald Andrade)



'Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.' Fernando Pessoa


O domínio da linguagem abstrata, descontextualizada, flexibiliza o pensamento conceitual e proposicional - Driscoll


UMA PALAVRINHA SOBRE OS FAZEDORES DE POEMAS RÁPIDOS E MODERNOS - Charles Bukowski

é muito fácil parecer moderno
enquanto se é o maior idiota jamais nascido;
eu sei; eu joguei fora um material horrível
mas não tão horrível como o que leio nas revistas;
eu tenho uma honestidade interior nascida de putas e hospitais
que não me deixará fingir que sou
uma coisa que não sou-
o que seria um duplo fracasso: o fracasso de uma pessoa
na poesia
e o fracasso de uma pessoa
na vida.
e quando você falha na poesia
você erra a vida,
e quando você falha na vida
você nunca nasceu
não importa o nome que sua mãe lhe deu.
as arquibancadas estão cheias de mortos
aclamando um vencedor
esperando um número que os carregue de volta
para a vida,
mas não é tão fácil assim-
tal como no poema
se você está morto
você podia também ser enterrado
e jogar fora a máquina de escrever
e parar de se enganar com
poemas cavalos mulheres a vida:
você está entulhando a saída- portanto saia logo
e desista das
poucas preciosas
páginas.

literatura de garagem,

paleativos me resolvem

. . toda cura para todo mal:

band-aid
aspirina
gelol e
sonrisal
'O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não doi' Cazuza

'Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.' Clarice Lispector

'Eu não acho que seja fácil de ser definido. Eu tenho uma mente dispersa. E eu não sou nada que você pensa que eu sou.' Syd Barrett

'Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muitos vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como o sofrimento dos homens.' João Guimarães Rosa

'Às vezes em minhas canções sou eu falando comigo' Bob Dylan

'Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam
aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si
mesma, E parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!' Eça de Queiroz

'Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo,
não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um
romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.' Fernando Pessoa

'O mundo fica mais perto de cada qual, não importa onde esteja. Criam-se, para todos, a certeza e a consciência de ser mundo e de estar no mundo, mesmo se ainda não o alcançamos em plenitude material ou intelectual. O próprio mundo se instala nos lugares, sobretudo nas grandes cidades, pela presença maciça de uma humanidade misturada, vinda de todos os quadrantes e trazendo consigo interpretações variadas e múltiplas que ao mesmo tempo se chocam e colaboram na produção renovada do entendimento e da crítica da existência. Assim, o cotidiano de cada qual se enriquece, pela experiência própria e pela do vizinho, tanto pelas realizações atuais como pelas perspectivas de futuro.' Milton Santos

'Melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores do que permanecer estático como os pobres de espírito, que não lutam mas também não vencem; que não conhecem a dor da derrota, mas que não tem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito ao final da terra não agradecem a Jah por terem vivido, mas desculpam-se perante por haverem simplesmente
passado por ela.' Bob Marley

'Nunca diga qualquer coisa a não ser que tenha certeza que todo mundo pensa o mesmo.' Hommer Simpson

'Isso é um hambúrguer de siri com geléia de água viva, mas eu gosto de chamar de hambúrguer de siri com geléia de água viva.' Bob Esponja


HAMLET: Pode-se pescar com um verme que haja comido de um rei, e comer o peixe que se alimentou desse verme.

O REI: O que você quer dizer com isso?

HAMLET: Nada, apenas mostrar-vos como um rei pode fazer um passeio pelos intestinos de um mendigo.
“Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, onde animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da ‘história universal’: mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza. Houve eternidades em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido. Pois não há para aquele intelecto nenhuma missão mais vasta que conduzisse além da vida humana. Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo girassem nele. Mas se pudéssemos entender-nos com a mosca, perceberíamos então que também ela bóia no ar com esse páthos e sente em si o centro voante deste mundo. Não há nada tão desprezível e mesquinho na natureza que, com um pequeno sopro daquela força do conhecimento, não transbordasse logo um odre; e como todo transportador de carga quer ter seu admirador, mesmo o mais orgulhoso dos homens, o filósofo, pensa ver por todos os lados os olhos do universo telescopicamente em mira sobre seu agir e pensar.” - Nietzsche

30.8.07

não sei o que é maior, se é o caminho ou a espera.. um dia comum, um lugar comum debaixo do céu. questões sublimes me tomam do tédio sob o chão e outras assim me trazem de volta. entre tantos devaneios eu me lembro de mim mesmo e a mesma coisa se faz como se fosse outra. ou talvez não. ou talvez se a mesma forma de dizer coisas diferentes fosse igual a dizer diferente as mesmas coisas o mundo seria quase todo o mesmo e pela longa estrada longa assim se vai e eu não sei, e sem mais assim, não adianta dizer sobre o que ficou, se ficou pra trás, não compensa me dizer o que se passou e não faz sentido pensar sobre o que não aconteceu, eu não quero outra forma de desatenção ou talvez, não me peça pra provar o que eu não sinto em mim e não resta mais uma gota sequer de uma nova estação. eu não quero mais ficar aqui por causa de mim ou alguém e não me pertenço ao chão como os meus pés são do céu, se o que eu sinto muda a cada momento em uma inconstante busca rumo ao delírio enfim e ao tédio inesperadamente sob tons de cores diferentes não mudasse agora, eu sei, chegaria á última linha sendo o mesmo, mesmo que eu não seja mais eu. as cores e as coisas do seu rosto eu não me lembro mais apenas os gestos e eu poderia reconhecer sua sombra ou vulto mas nunca em uma multidão, mesmo te esperando como hoje. diferentes pela forma de dizer e não penso mais no que escrevo nestas linhas vãs, tão leves e vagas para despistar a neurose que não se toca, que não me toca, inerte, vaga e só. e não olhe assim com olhar de avaliação suas mãos sobre a mesa também são parte do chão. um triste fim para um final feliz sem pipocas em frente á tela, sem desfecho retumbante, sem letrinhas subindo e desta vez também não veio me ver, não veio o trem na estação, não veio o sol e nem se pôs, não errou, não arriscou, não nada, nada nada nada.. a banda passa tocando canções de ninar, não é balão e nem são joão. não sei o que é maior, o tédio ou o cansaço. parte de mim, quase sem querer.


.. de 09/05/07 [saudade, um dia comum]
uns vêm a casa sem teto, outros vêm um céu aberto, neste momento já não vejo mais nada que sim, nem que não. band-aid, aspirina, e sonrisal.. passa logo, mas hoje não. por mais banal que seja, quero mesmo lamentar. olhar baixo, acuado em canto, lambendo as feridas, silêncio que ofende. a grande queda, quando nuvem. tão cedo. o chão e a lei da gravidade, adiando o inevitável. só hoje, remoendo mágoas. já dizia o náufrago: preciso de um abraço, ou mesmo um aperto de mão. contenho a vontade de dizer que não quero mais. acreditar. sorrir contente, surpreender com as mesmas velhas piadas sem-graça, acreditar no que dizem, ser alvo de chacota, amar demais e não arrepender do ridículo humano que são as coisas sentimentais. humano, demasiado humano. inocência que se passa por burrice, tão contrário a si, é o mesmo.. espertos que ganham, que não sonham e a banal intervenção degradante passando por cima da natureza diversa, profunda e essência sutil. não preciso duvidar. a bondade em virtude ou em campanha pelo lado mais fraco para equilibrar a dualidade bem-mau? uns esperam, outros lamentam. há quem plante, há quem não faz nada, mas há quem destrói por prazer, índole, diversão.. que lástima, ser abatido em pleno vôo, destruído, desconstruído, feito bôbo, colocado em vitrine-realidade no mundo dos espertos.. desprezo a indiferença. prefiro assim, expor as cicatrizes. cada dia reivento o vento do que me adaptar ao que é pior. passo adiante e digo sempre: estou bem, não foi nada. mas não volto ao mesmo lugar. outra vez.

29.8.07

Like Dylan In The Movies - Belle and Sebastian

Lisa's kissing men like a long walk home
When the music stops
Take a tip from me, don't go through the park
When you're on your own, it's a long walk home

If they follow you
Don't look back
Like Dylan in the movies
On your own
If they follow you
It's not your money that they're after boy it's you

Pure easy listening, settle down
On the pillow soft when they've all gone home
You can concentrate on the ones you love
You can concentrate, hey, now they've gone

If they follow you
Don't look back
Like Dylan in the movies
On your own
If they follow you
It's not your money that they're after boy it's you

Yeah you're worth the trouble and you're worth the pain
And you're worth the worry, I would do the same
If we all went back to another time
I will love you over
I will love you over
I will love you

If they follow you
Don't look back
Like Dylan in the movies
On your own
If they follow you
Tenderly you turn the light off in your room

how does it feel? perguntou e virou as costas. todo mundo está só. andando na cidade, procurando sinais da própria existência, o espelho já não serve mais. ser um só na multidão é ser quase um 'não ser'. não tente controlar o tempo, ás vezes faça planos para o fim do mundo e não arrume o quarto todos os dias: o mais importante é abrir as janelas da casa. pessoas do meu lado não entendem, mas nem precisa. quando não há botões para apertar e surtir algum efeito, que seja, eles te dizem que a saída é pela porta e em breve você estará do lado de fora. se quando o sinal tocar e você não tiver vestido a sua roupa preferida ainda eu lhe digo, garota é melhor deixar para trás, lá eles terão fósforo e você acenderá o seu cigarro e este será o seu aquecimento durante a chuva. pense nisso como algo bom e você se sentirá melhor. se alguém lhe pedir perdão, nada diga: está perdoado. preste atenção nos atores coadjuvantes dos filmes nonsenses e você saberá qual é a câmara da sua vida que você não poderá olhar diretamente. quebra automática de linha induzem minhas letras para baixo como nas letras do Belle e Sebastian falando sobre Bob Dylan. ás vezes procuramos para nós o final mais esplêndido com um fechamento de cortinas sob aplausos de pé mas não há papel principal para todos e nem o palco é algo natural. prepare para o pior e seja mais feliz. a vida não é um filme, mas ainda assim é uma farsa, somos a tragédia sem saber, pilotos de testes, bonecos de acidentes esperando o momento e sonhando pela redução de danos. existe autoajuda sem egoísmo, basta acreditar em coisas que não existem. ninguém prepara uma bibliografia por mim, por isso nem tudo o que eu digo é o que eu penso mas o seu efeito. lúdicos no poder, sim, deveria ser natural. precisamos nos dar menos importância para os outros pois em vários momentos estava só. machuquei o joelho, ninguém assoprou. todo mundo é uma pessoa só mesmo quando não é.

28.8.07

.

estão dizendo por aí que eu não sou moderno
disseram que eu não sou assim conforme são
falaram do meu penteado
disseram que sou torto
mas não deu tempo eu agradecer
..dizer por aí não é muderno
como dizer algo moderno se na modernidade ninguém ouve mais
precisava falar assim?
- não, mas onde se aprende a falar coisas do coração?
e nem me respondem
...

24.8.07

andar sobre o chão
olhando as estrelas alí
o que mais? não sei.
tanta coisa pra dizer
mas eu não faço idéia.
tanto tempo pro futuro
estou legal, tudo bem.
se for assim também
me sinto bem, assim.
faltam as palavras,
sobra silêncio, mas
ninguém me diz não.


hoje, neste dia, penso que não há nenhum sonho que eu não possa ter
no momento, tenho a leve impressão que saberei a hora certa

21.8.07

fez as mais belas canções para ela que lhe deu tanta inspiração. ninguém era mais e era tudo. tão simples, mas nem sempre foi assim. absoluta relatividade. amor e perfeição. utopia breve e distante do parnasianismo idealista em campos verdes da eternidade primaveril nos rostos solares juvenís dos glúteos perfeitamente descansados no assento imperial da casa-grande, breve tempo das imagens perfeitas desumanas que o vento levou dos corações pomposos e soprou, sublime simplicidade da sua natureza original, como quem leva sem pedir o que não tem dono, assim mesmo, como quem suverte a ordem ou rouba um beijo. a verdade profunda dos sentimentos e o significado do amor perfeito não sei dizer agora. olhando daqui John e Yoko, era lindo ver. tinham um beijo assimétrico, rostos alongados como em tela de cinema, sem uma harmonia plástica, quase estranhos no ninho mas sempre um ao outro em entrega total de sentidos em uma ligação que se compara á algo quase uterino. oriente e ocidente que se completam em um mundo, quase tortos e igualmente simples, complexo e perplexo com o presente do instante-momento. amor, palavra simples, de tantos devaneios, cartas, flores, loucuras e mais histórias através dos tempos, nunca saberemos afinal tudo ao todo. no amor é o único jeito de ser apenas um sendo a outra pessoa. deveria haver no mundo um dia alguém que escrevesse uma espécie de gran finale do amor em que todos que amam fossem amados. sem motivo, sem explicações e sem qualquer.. mesmo assim não há tantas palavras que eu possa dizer.

20.8.07

a diferença sensível ou distante de dizer e o que queria que fosse entendido, a relativa distância do ângulo da curva se sob certa velocidade ou outra, a compreensão exata do local onde está por palavras ao vento, as inclinações do tempo em seu estado natural ou induzido. bem, antes de tudo me sinto assim, assim. o que siginifica estar bem e a sua relatividade entre outros seria outro assunto, mas em tantas vezes este caminho, muitas vezes era sempre o mesmo e ainda me pergunto as mesmas coisas: como seria se fosse, como será ser for ou mesmo como sou? qual o mérito do que não existe ou qual o sentido inovador da repetição? se já lemos todo o dicionário, qual o motivo do comedimento na expressão? ou como se perde os que vivem a falar sem sentido, descarta e desgasta como cartas, as palavras? como viver em um mundo dinâmico, se o tempo é 'único e' linear, se posso estar em apenas um ponto no espaço de cada vez, se só tenho um corpo, um voto, uma vida? ..perguntas não me deixam dormir, mas tudo bem, passeio lá fora, descarrego o fardo, volto a dormir e já me sinto muito bem em perguntar. há quem não pergunta, ninguém responde mesmo e não há resposta. talvez um dia subverta, mas hoje não. tantos planos, não sei se é bom ou mal, mas olho para trás e ninguém me segue. já não tenho férias há 15 meses, meus pés andaram muito e preciso adaptar meus velhos sapatos aos novos caminhos e há brechas que deixaram para trás.. bem, e ainda é possível respirar indiscreto e gritar devaneios: o mundo é aquilo que eu vejo, o que não vejo, o invisível e o que não há palavras ainda.

17.8.07

des pe da çan do s i l ê n c i o. jun tan do cacosdevidro. tanto desperdício, pouca atenção. de dia talvez, um dia. sempre sobra um pedaço de futuro das cabeças que não descem do céu. não precisa ser assim tão normal. as estrelas em sonhos entre os versos de uma história. sem fim. ter o céu sem poder me tocar. tanta coisa pra dizer depois (do fim?). ou seja nada a ver. sou eu, não. não sou eu, não. não sei. não sou eu sei. não sou eu sim. não sei, não sei. não sou eu, não. não sou eu. não sou eu. fim. não precisava ser assim tão perdido, soltando versos pelo chão distraído, entre os passos de silêncio, o caminho. mas até que eu me sin_to bem as_sim.


desculpa o clichê que está por vir. todos pensam diferente mesmo, talvez para alguém seja algo, enfim. e não era isso mesmo, talvez agora um pouco mais. antes de acordar eu não sonhei com o que eu veria: céu nublado, mas bonito. um frio esquisito, sexta-feira, corações bobos, cheiro de manhã se arrastando até meio dia, não era a blusa que eu queria mas tudo bem. pé dormente pelas pernas cruzadas, uma dorzinha no alto do olho esquerdo mas não é nada. encontrando os velhos óculos debaixo do sofá, sem perceber parando de fumar. esquecendo um pouco mais do presente. talvez assim mesmo deveria ser sempre se eu não fosse tão diverso em pensamentos, possibilidades, alternativas, portas abertas e etecéteras. como contornar os destinos previstos e dizer que não sente, sentindo? preciso encotrar outros meios, precisa existir o futuro. várias formas de pronunciar as mesmas palavras e também gosto muito da beleza implícita das coisas simples e da diferença inédita de aprender as mesmas coisas com significados diferentes em um novo momento. talvez assim. assim, qualquer coisa é quase coisa e nada mais não é nada. como as flores e seus insetos com as mesmas cores e mais uma vez não há regra, nem lei, não há céu agora que tudo é céu e nem há estrela que seja passageira. no momento de uma vida apenas, um momento sequer em um remoto rincão do universo há um sentido comum das diferenças aparentes. uma grata surpresa me esperava, eu não esperava. se possível, mais feliz. no entanto. tanto nuvem quanto passageira.




16.8.07

"Se amar bastasse, as coisas seriam simples. Quanto mais se ama, mais se consolida o absurdo." (...) "A característica do homem absurdo é não acreditar no sentido profundo das coisas. Ele percorre, armazena e queima os rostos calorosos ou maravilhados. O tempo caminha com ele. O homem absurdo é aquele que não se separa do tempo.(...) Mas ele rejeita a nostalgia, essa outra maneira da esperança. Não sabe contemplar os retratos." (...) "Há gente que é feita para viver e gente que é feita para amar" (...) "Mas do amor só conheço a mistura de desejo, ternura e entendimento que me liga a determinado ser. Tal composto não é o mesmo em relação a outro. Não tenho o direito de revestir todas essas experiências com o mesmo nome. Isto dispensa de realizá-las com os mesmos gestos. Também aqui o homem absurdo multiplica o que não pode unificar. Assim, descobre uma nova maneira de ser que o libera tanto quanto libera o próximo. Não há amor generoso senão aquele que se sabe ao mesmo tempo passageiro e singular. " (...) "Ser punido lhe parece normal. É a regra do jogo. E sua generosidade consiste, justamente, em ter aceito inteiramente a regra do jogo. Mas ele sabe que tem razão e que não pode tratar-se de castigo. Um destino não é uma punição."

livre para fracassar

O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.
Tentou na palavra o extremo-tudo
E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância
Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.
A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito
Tempo-Nada na página.
Depois, transgressor metalescente de percursos
Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.
Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.
A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.
O Caderno Rosa é apenas resíduo de um "Potlatch".
E hoje, repetindo Bataille:
"Sinto-me livre para fracassar".

Hilda Hilst

nada. vejo o mapa do mundo no teto do quarto. não penso agora, antes do meio dia. não me vale mais contestar o resultado.. equilíbrio e ponderação é o que dizem. e eu não estava lá. a lança estava no ar quando eu disse as palavras certas no momento errado.. entre tantos erros que ví em mim, apenas aquele que me esquecí. o ultimo erro, soará para mim como os sinos da memória o silêncio da montanha. como quando me vejo quando olho no espelho. óbvio bucólico. sorte lançada inutilmente resistindo á lei da gravidade, flutua como se fosse possível por eternos segundos apenas na minha cabeça, cumpre, e cai em destino óbvio que seria mesmo e não era assim pra ser agora ? e depois? sim, talvez. rimas não me salvam mais despertar no outro dia e olhar para o lado, perceber que dormí acordado. nada mesmo. deixa estar? e eu pensando, pensando, aqui com os meus botões.. e os dilemas da humanidade não me pautam mais quando tudo que eu queria era dormir mais. sim, mas nem tanto. não precisava ser assim tão sem saber de nada. assim sem sentido, sem volta. ainda que fosse mais que palavra dita, que seja o que for e também não ser se quiser, para que seja apenas ser, que seja ao menos o que for. derramo o que resta para que caia no chão, que volte em árvore, ramos da procissão; para que dissolva o chão ou pensamentos; que evapore, que nuven seja e volte pra cá. derramo o amor no leito do rio para que volte ao mar, amar. que se faça verbo no meu tempo do tempo de chuva ou presente. menos e mais, não me interessa agora. cada dia pior, insistindo no erro. rimas insólitas poesia bucólica. pode ser mas não é nada, nada que tire da cama o silêncio da montanha.
Poeminha do Contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

- Mario Quintana




> Silepse. [Do gr. syllepsis, 'ação de compreender' pelo lat syllepse.] S.f. 1. Gram. Figura pela qual a concordância das palavras se faz de acordo com o sentido e não segundo as regras da sintaxe. [A silepse pode ser: a0 de gênero; ex.: "Admitindo a idéia de que eu fosse capaz de semelhante vilania, S.M. foi cruelmente injusto para comigo" (Alexandre Herculano, Cartas II. p. 9); b) de número; ex.: "O resto do exército realista evacua neste momento Santarém;vão em fuga para o Alentejo." (Almeida Garrett, Viagens da Minha Terra, p. 311); "Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem" (J. Simões Lopes Neto, Contos Guauchescos e Lendas do Sul, p. 235); c) de gênero e número (rara); ex.: "Eis que começa a gente do mar a queixar-se e dar culpas a quem os fizera navegar." (Fr. Luís de Sousa, História de S. Domingos, I, p.207); d) de pessoa; ex.: "Quanto á pátria da Origem, todos os homens somos do céu" (pe. Manoel Bernardes, Nova Floresta, I, p. 261); "Ambos recusamos praticar este ato" (Alexandre Herculano, Opúsculos, I, p. 183); "Os republicanostemos cumprido o nosso dever avisando o povo." (Antônio da Silva Jardim, Propaganda Republicana, p. 247); "Quando Cristina acabou, todos a quisemos beijar" (Vergílio Ferreira, Aparição, p.30) 2. Ret. Emprego de uma palavra no sentido próprio e no figurado, a um só tempo.

15.8.07


Acabo de me diminuir frente aos números. acabo de fazer minha cabeça, em números bobos, como se fosse possível. e 'passei'.. Tão banal como todos os outros que restringem alternativas.. Eu não confiaria em um teste sem autocrítica ou sem possibilidade de testá-lo. O que escolher entre entre a justiça e a bondade, sentimento e intuição, analítico e passional, concreto e abstrato, tangível e conceitual, lógico e emocional, real e surreal, espontâneo e planejado, pensamento ou sentimento? Como se fosse calculado em 4 graus de alterantivas, no 'fim das contas' fui aprovado ou conseguí mentir o suficiente para ser considerado responsável, eis a questão..;'meu tipo é ESTJ' (?dã) e me pareço com 8.7% da população.. que pena: e eu achando que era diferente.. como é difícíl ser criativo nos dias de hoje.. até parece que sou resumível.. antes fosse.. nem tanto. seria fácil e covarde se deixar levar por poucas alterantivas: Exercícios de resumir o impossível ..

Jung Test Results: Your type is: ESTJ - "Administrator". Much in touch with the external environment. Very responsible. Pillar of strength. 8.7% of total population. 'teste Junguiano' http://similarminds.com/

Extroverted (E) 54.17%
Introverted (I) 45.83%
Sensing (S) 54.17%
Intuitive (N) 45.83%
Thinking (T) 54.17%
Feeling (F) 45.83%
Judging (J) 58.33%
Perceiving (P) 41.67%



.. primeiras palavras, em algum lugar,
penso onde não estou neste momento.
evitando comentários autorais, e eu;
pensamentos inevitáveis intensos, não,
palavras indiscutíveis sem significado,
em momentos densos: tudo passageiro,
felicidade de bolso, sorteio do destino
e a certeza de estar sempre distraído
tudo bem, ótimo, agora e depois ! sim.
"os dias que eu meu sinto só são os dias
que eu me encontro mais, mas mesmo
assim eu sei tão bem, existe alguém pra
me libertar.." eu aqui repetindo versos..
prisão voluntária condicional? normal.
.. incondicional, e estranhamente feliz!
aos quinze de agosto, um dia comum