3.3.08

rua dos cachorros, número zero

tenho ido a lugares estranhos
onde poucas pessoas me conhecem,
na verdade eu carrego estes lugares comigo

.. invenções do fim do mundo:

lugares imaginários,
olhar de paisagem,
letras subindo e
canções pra dormir..

sentado na calçada a ver as poucas pessoas que passam por alí ou andando por estradas circulares que não chegam jamais ao destino. tive várias idades em uma só noite, não era este mesmo o meu nome; despertava de um sonho ou apenas respirava; nunca olhava para trás sabia quem poderia me seguir; olhava nos olhos do apático atirador a me apontar uma arma da segunda guerra, montanhas verticais ao lado de longas planícies ou praias, ruas desertas, fundo do mar. eu pensava nestes lugares como eu pensava em mim mesmo, carregava em mim estes lugares, sempre com a certeza de voltar no outro dia, carrego minhas árvores, ruas, praças, montanhas e praias onde vou

2 comentários:

  1. eu carrego as minhas dores, cicatrizes, mágoas e arrpendimentos pra onde vou com avontade de me perder em algum lugar que não seja eu.

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  2. ..acho que este lugar é mesmo a morfina para os que têm consciência de uma realidade que não é contemplada nos altares das igrejas, ou nos discursos mortalistas da auto ajuda. mas penso que é uma fuga 'pra si mesmo', não uma fuga 'de si mesmo'.. pode parecer piegas, mas eu não vejo uma forma de viver sem se valorizar, por mais que niilista, ou o temor do egoísmo, não é muito legal a autodepreciação além da poesia, só na poesia que vale..

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana