4.3.08

acabou pra mim, vou pra casa. não estou a fim de ser julgado. onde está o controle remoto? onde está o maldito controle remoto? what a hell enfiaram o maldito do controle remoto? não. não estou a fim de decifrar mensagens subliminares, não estou a fim de indiretas, de ironias nem de uma história pra contar para os outros, não tenho nada a dizer a ninguém, nunca me fez bem dizer coisas às pessoas, não me realizo no que outros pensam. não vivo sozinho, mas também não preciso de muita coisa pra viver. você não me entenderia, jamais me entenderia, não entenderia minha timidez; meu último instinto, os meus erros; não entenderia Bukowski, Elliott Smith, nem mesmo Mário Quintana por pouco tempo, agora não. você precisa viver mais. estávamos no bar, ninguém me disse uma palavra, nem precisava. não estou a fim de um novo motivo para me arrepender. a gente vai ficando velho e começa a perder a paciência e o gosto pelos riscos, já sei de todos, preciso mais de cafeína do que adrenalina e não faço tanta questão de me surpreender nesta cidade.

Um comentário:

  1. sempre me fez bem dizer coisas às pessoas, apesar de que a sinceridade é ácida nas papilas gustativas de muita gente. não me realizo em nada, e preciso até do que não existe pra viver. meu deus o que eu faço de mim?

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana