este avião não lhe cai bem, tenho um calendário atrasado em meu bolso e já andei meia sola de sapato até aqui desde ontem. Até que se prove o contrário, alguém já lhe disse algo como isso hoje de manhã, você se parece com o semelhante, que nem todas as coisas são iguais, que nada é por acaso, ou que o café está frio. Tinha um sorriso de humor programado me olhando com aquela cara de rádio desligado com incontáveis histórias de dias como hoje, sem graça qualquer, tinha um leve sopro no estômago e um silêncio dissonante passeando na calçada, na rede da varanda ou procurando uma cama para deitar os ossos que ainda rangem dentro de si como portas velhas e enferrujadas que se abrem, ou uma janela que passa a vida toda voltada para um horizonte que não é paisagem.
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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana