27.3.08

eu te quero tanto quanto uma criança suja quer um doce colorido
que caiu no chão. quero o seu lado escruro da lua.
às vezes penso que não consigo levantar da cama,
sinto que estou doente, destas doenças que não inventaram ainda,
como um céu sem nuvens, como se fosse um exílio ou café amargo.
ou como se eu sustentasse a dor de ser um animal em extinção.
porque não quero ver lá fora o mundo em melodia de uma nota só.
procuro um motivo convincente para dizer a todos que estou perdido
procuro uma nova invenção que me deixe deitado na cama o dia todo

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana