palavras de amenidades e um sorriso de lado. tudo bem, todos passam por isso. era o que eu pensava, nada novo nos olhares baixos que se aproximavam e indicavam nenhuma novidade qualquer, nada ia mesmo mudar durante as próximas horas, era o mesmo ritual de sempre, automático, como quando estamos em civilização, ao meio e nem contestamos garfos e facas. ombros na altura do queixo, cotovelos na mesa em mãos pendentes ora regiam uma orquestra de carros lá fora ou pratos na pia, outrora ensaiam uma velha piada sem graça para contar depois dos palitos entre os dentes como quem subverte a última gota da garrafa ou forma de permanecer calado e assim cometer menos erros até que chegue a conta e com ela o fim de uma longa amizade ou mesmo com mais sorte se outro disser assim mesmo sob pena de parecer ridículo aos olhos de um estranho consenso que não espera mais nada daquele lugar vazio, de pessoas distantes. também me custaria dizer, qualquer coisa, que não adianta mais esperar que uma rima salve o último verso de um quase-poema, quase sempre tão disperso.
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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana