27.3.08

eu te quero tanto quanto uma criança suja quer um doce colorido
que caiu no chão. quero o seu lado escruro da lua.
às vezes penso que não consigo levantar da cama,
sinto que estou doente, destas doenças que não inventaram ainda,
como um céu sem nuvens, como se fosse um exílio ou café amargo.
ou como se eu sustentasse a dor de ser um animal em extinção.
porque não quero ver lá fora o mundo em melodia de uma nota só.
procuro um motivo convincente para dizer a todos que estou perdido
procuro uma nova invenção que me deixe deitado na cama o dia todo

24.3.08

uma tarde na calçada ..
acreditar no que dizem.

esquecer logo de cara..
já faz tempo não te vejo.

e pensar que outro dia..
é tão banal a nossa vida.

engraçado que fico feliz
quando volto a gostar
.. entre outras coisas ..
de rir de mim mesmo.
Entrou na sala sem avisar da mesma forma de sempre. Um par de pés esticados no sofá ainda não lhe chamava a atenção senão pelo braço esticado para baixo trazendo também o queixo para o lado. Não queria pensar em nada que mude os seus pensamentos de antes. Tudo bem, resolveu esquecer e olhava aquela estranha anatomia, olhando também em volta. Apenas uma pessoa. Para si e pensava em outra coisa. Não, era um corpo. Pensava sozinho e tentava não fixar os olhos e pensar como antes. Não tinha jeito: "-Calma, a poesia está viva. Mas não o poeta." Como quem leva uma porrada de imediata sequência de pensamentos interrompidos. Volta ao caos como veio: "Como assim, não tenho escolha? Meus placebos de autoajuda que eu havia guardado debaixo do colchão, tanto tempo perdido em minutos de sabedoria. Catecismos, crismas e cataclismas. Tudo isso, para isso? E nem consigo formular uma pergunta inteira que me tire daqui." Percebeu que falava alto e agora respirava com os pulmões ranhados que tinha. Tinha um encontro marcado, estava tudo certo e agora apenas náuseas. Gastrite e pigarro também. Antes fosse uma história pra contar, pensava em vão. Um estranho silêncio irritava, não ouvia mais nada, meio como algo sem nome ou revolution #9 do white álbum. Ainda podia sonhar, não mais. Sentia-se observado pelo juízo final, onde todos têm fim. Mas que fim? Fim do bom senso, miséria perdida, perdão por acaso e outros pecados tiravam de onde estava para uma total contradição na voz e a razão. Buscou a ironia o sarcasmo ou a loucura pra se esconder. Covarde era eu ou você por acabar assim. Fora isso só pensava em fugir, esquecer do que viu, tentar acordar. Não era sonho, nem realidade. Estava na sua frente aquele queixo estendido para cima e a sombra que escurecia a sala lhe apontando formulários, atestados, perícias, ofícios, despachos, calendários, parentes distantes e contar pra pagar. Já estava alí havia longos minutos, olhava para o nada, nada lhe consolava. Não pela perda, não pela perda de sono, mas por todo o corredor de mãos, braços e abraços que haveria de apertar, e olhos para convencer. Já pensava em olhos sinceros, cansados e pensava nas aulas de teatro. Se repetia irritantemente como se não houvesse dito antes ou como se alguém ditasse o que dizer. Olhos chapados, distantes e perdidos. Olhos que não fechavam havia dias, olhos que fecharam bares, olhos que viram todos os lados de um mesmo sol. Ainda assim com a centralidade de um açougueiro olhando para o boi gordo tão maior que ele, mas tranquilo. Era este mesmo olhar que via agora o chão sujo e tinha raiva, só que sem raiva. Até alí tudo bem se conseguisse manter o mal estar, mas não sabia. Estava tão nervoso que lhe vinha um riso estranho e carregado do estômago. Não tinha fome. Tinha certeza e uma certeza menor também, ele tinha. Queria fumar e beber, sem pensar na ressaca e até conseguir não pensar em mais nada. Entorpecer, entorpecer. Sim, isto. Estava certo do que queria em sua vontade imediata mesmo que insana, mesmo que mesquinha. Queria voltar ao passado e não pisar além daquela porta deixando passos pelo chão empoeirado. Talvez, estava quase certo, não havia mais volta, só pensava nisso, e todo tempo que tinha de sobra agora era curto de mais. Olhava agora aquele mamífero abatido com tanta raiva e cortesia que queria matá-lo se não tivesse morrido.

20.3.08

não existe o amor
e não existe o sol

disperso minha sombra e
ando pelo telhado frágil,

desfaço os versos falsos
que eu tinha no bolso

eu perco o sono, eu durmo.

me cubro de terra
meu último lençol
partindo das coisas distantes cada vez mais longe do que pensava. desprovido de sentido, caminhava em direção a um destino qualquer. tinha nada nas mãos, era ele mesmo alvo das pedras que jogava para cima. perdia todo o senso e as coisas que achava não era nada do que estava procurando. não tinha meios de se destruir, diziam não ser capaz de levantar as mãos para o alto. continuava sem vontade de continuar. era apenas um nome e um número, parecido com nada que havia visto antes, perambulando pelas cordas bambas que encontrava na calçada. não tinha sono porque nunca havia acordado.

19.3.08

descubro alguma coisa sobre o que eu penso sobre mim.
uma dor que vem de dentro me arrasta pra fora
e não faço idéia o quanto estou perdido.

18.3.08

o meu mundo é o universo.

conheço bem o seu senso de humor e você
me parece uma daquelas pessoas
que eu não entendo bem.

deve ser divertido
andar por aí, se
perder no caminho.

gostaria de falar outra língua e não ser reconhecido.
preciso dizer qualquer coisa que te faça olhar pra mim.
um batalhão desce a rua em direção à minha casa.
tenho qualquer segredo que não me deixa dormir.
tenho dez comprimidos de comida de astronauta,
tenho uma ficha de fliperama, chicletes e cigarros no bolso.
nada que que faça mudar a direção do caminho de fugir de casa
nunca ando do mesmo lado da calçada. tem dias que eu te vejo
e perco o sono, tem dias que o sonho não acaba nunca.
tenho treze anos de estrada, curvas e campos desertos.
tem dias que eu acordo de manhã e não me lembro onde estou.
"..das águas profundas em que nos encontrávamos. Deus é o Grande Mar. A alma é um peixe. Os poetas sabem disso." - Rubem Alves

"Nosso olhar é submarino. Olhamos para cima e vemos a luz que se fratura através das águas inquietas..." - T.S. Eliot
play piano e violência na esquina. diferentes teclas. incêndio ou revólver? pessoas que me falam ou como que gritando qualquer coisa. eu, vejo apenas bocas abrindo e fechando em minha direção, unissono carregado em meus tímpanos. mesmo assim tudo isso não é nada que eu prefira dizer agora. depois de um tempo aprende-se a aceitar o fato de ter perdido a hora esperando filas ou outro precipício à beira da grande piscina do mundo. ou tudo é mesmo meio inscontante através do tempo ou algo que não prefiro pensar agora. assim o que não seria. decerto que as coisas não são de qualquer forma por acaso.

17.3.08

fez belas canções de amor pra ela, mas ninguém as viu. naquele banco, voltado para o nada em pensamentos longes, assoviava uma melodia fácil, juntando os calcanhares como nunca havia feito antes. estava irreconhecível dentro de um sorriso meio torto do alto daqueles vinte e sete anos em tão aguardados minutos que corriam. chegara cedo, apressado e com tempo de conter a respiração mais apressada, fazendo-se como quem veio de perto ou de carro próprio. sorriu sozinho olhando o meio fio, meio sem graça, esperando por alguém que não viu chegar ainda. havia confirmado, telefonado, cartão com perfume caligrafia treinada e tudo mais. esperou mais do que podia. pensava nos motivos. talvez engano. e até tarde de seus últimos minutos, perdeu o ônibus e a timidez. ao contrário dos carros apressados que vinham do outro lado, voltava pra casa caminhando com as mãos sobrando nos bolsos vazios no meio do nada, agora amassado, nem se lembrava mais desde antes. pensava como foi o dia, como chegou até alí, tinha tinha esquentado a água, pensou no que diria em palavras, havia passado a roupa que agora já não estava limpa, passou frio, passou vergonha e esqueceu as chaves, estava do lado de fora de sua pequena casa alugada e por uma noite inteira de pensamentos engolia a saliva que havia gardado para um beijo longo ensaiado apenas em um silencioso monólogo de noites e noites anteriores. até daquela estação nunca mais ele sorriu como antes, perdeu um certo trejeito que tinha no rosto, mas agora dormia sem pensar muito, errava menos, não esquecia mais as chaves e pisou os pés no chão.
você me diz coisas que eu sei que só você sabe ..
ás vezes me complico com minhas próprias idéias
e infelizmente eu posso lhe dizer coisas que não sei
não tenho tempo pra explicar todos os meus erros
tantos foram que eu nem sei mais dizer o quanto e
acabo errando novamente ao tentar me justificar
prefiro não dizer a que vim. respostas em branco
de um questionário à qual não me julgo adequado.
algumas coisas passam
despercebidas por mim
chaves que não abrem
as portas da percepção

14.3.08

hot dog blues ..

eu te procuro mais cedo, finjo que estou afogando, em vão
invento uma frase de efeito pra você se preocupar comigo
viro-latas pela cidade e balaço o rabo pra você me notar..
felicitade clandestinae

te encontro em algum lugar
peço pra ficar um pouco mais
me sinto parte do seu abraço
seus ombros e laço no cabelo

eu não sabia que ainda usavam laço no cabelo
na verdade eu nem sei muita coisa sobre isso

você vai e eu sinto que vou deixar um pedaço de mim
você deixa seu perfume mesmo sem querer me torturar
fico pra trás mordendo os lábios e não vendo nada mudar

e eu sinto um medo infantil de não te ver nunca mais
e.. finalmente depois do sono, eu olho a sua foto e
me vejo como um garotinho que faz xixí nas calças

..
















Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que voce deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

Tristan Tzara, poeta romeno
curso prático de nuvens para aprendizes de anjo

até o invisível desaparecer esteja certo que existe fim. até lá talvez sim, afinal nunca estamos certos até que acabe. somos pouco de um pouco de ventos, cinzas e mesmo nuvens, em algum momento um mais de cada um. e que não há sorte visto que tudo é sorte, qualquer escolha é destino, o que existe e o que está.

13.3.08

o fim-da-história que justificam os meios: a crise do poema. histórico do inconstante. utópico transcedente, elevada essência desconhecida, prece militante entre as grades de uma pauta, dissidência da arquitetura siliconada, contra o falso equilíbrio do centro. entregues ás traças das entrelinhas, dispersos sobre as margens de um verso sem graça. mais distorção na melodia transcrita, subversão dos primeiros passos.

este avião não lhe cai bem, tenho um calendário atrasado em meu bolso e já andei meia sola de sapato até aqui desde ontem. Até que se prove o contrário, alguém já lhe disse algo como isso hoje de manhã, você se parece com o semelhante, que nem todas as coisas são iguais, que nada é por acaso, ou que o café está frio. Tinha um sorriso de humor programado me olhando com aquela cara de rádio desligado com incontáveis histórias de dias como hoje, sem graça qualquer, tinha um leve sopro no estômago e um silêncio dissonante passeando na calçada, na rede da varanda ou procurando uma cama para deitar os ossos que ainda rangem dentro de si como portas velhas e enferrujadas que se abrem, ou uma janela que passa a vida toda voltada para um horizonte que não é paisagem.

palavras de amenidades e um sorriso de lado. tudo bem, todos passam por isso. era o que eu pensava, nada novo nos olhares baixos que se aproximavam e indicavam nenhuma novidade qualquer, nada ia mesmo mudar durante as próximas horas, era o mesmo ritual de sempre, automático, como quando estamos em civilização, ao meio e nem contestamos garfos e facas. ombros na altura do queixo, cotovelos na mesa em mãos pendentes ora regiam uma orquestra de carros lá fora ou pratos na pia, outrora ensaiam uma velha piada sem graça para contar depois dos palitos entre os dentes como quem subverte a última gota da garrafa ou forma de permanecer calado e assim cometer menos erros até que chegue a conta e com ela o fim de uma longa amizade ou mesmo com mais sorte se outro disser assim mesmo sob pena de parecer ridículo aos olhos de um estranho consenso que não espera mais nada daquele lugar vazio, de pessoas distantes. também me custaria dizer, qualquer coisa, que não adianta mais esperar que uma rima salve o último verso de um quase-poema, quase sempre tão disperso.

10.3.08

por entre a matéria, pedaços de boa vontade
esquecidos em análises ora superficiais ainda
um lugar desconhecido e parar para descansar
as botas cansadas te arrastam até onde pode
quem sabe um outro dia nós mesmo seríamos
um pedaço desse chão, uma ponta de cigarro.

7.3.08

música de assoviar

láh vai, eu sei
você também

úuuuuuuuuuuuuu..
whah whah whah ..
úuuuuuuuuuuuuu..
whah whah whah ..
lá lá láh lá lá lá láh..
niilismmedievaltragigótikopunksputinik

quem, que em nome de alguma letra morta possa pronunciar nomes que desconhecem e tomar para si mesmo a história de todos os tempos? quem, que de posse de sua completa consciência diz-se-à louco por motivos que ignora, a tal ponto que contestando a sua própria existência a todo o vilarejo não terá guardadas pedras na sua mão? quem, em total domínio de seus braços ao ser atacado não defender-se-à? quem, ao perceber que era ouvido ao falar coisas sem sentido calar-se-à? quem, que entre tantos devaneios universais e palavras sem nome possa dizer as coisas mais simples que sonhou ou mesmo o seu próprio nome? quem, talvez o mesmo, usa correntes para represar água da chuva ou mesmo anzol para pescar estrelas. o mesmo mundo, mundo estranho, contracorrente, caminho de volta

6.3.08

o eterno-retorno dos que não foram..

não adianta dizer que me escondí se ninguém acredita quando eu digo que estou invisível. não importa que eu venha a me surpreender com pessoas assustadas. o que eu digo é sempre tão ouvido quanto eu ouço alguém dizer qualquer coisa ou egocentrismo sobre si mesmo. não faz muita diferença, nem sentido e nem me incomoda tanto o fato de eu estar vivo agora pra me ver dormir aos poucos até não lembrar que estou aqui. tantas pessoas iguais, as mesmas palavras de sempre, todas, e as mesmas letras, e ainda consigo me achar nesta esquizofrênica multidão.
introspectzéder


aqui bem longe, no quintal de Beu
estava mesmo alí nesse momento
transportado por formigas em fila
transformado em um inseto social

de volta ao bloco de notas
um rascunho sem sentido

distraído em meio ao tiroteio
olhando o mundo pela janela

tudo me parece tão normal
nada me surpreende mais

4.3.08

I heard somebody say
That the war ended today
But everyone knows it's goin' still

Our motherlands and motherseas
Here's what we believe
It's simple
We don't want to kill

Heard Somebody Say - Devendra Banhart
..

mais do que uma canção eu fiz
fiz coisas que eu não aprendí
eu fiz uma canção de amor
olhando o seu sorriso infeliz
eu guardei uma canção
eu quis ter seu coração
eu sei seu nome de cor
olhando as coisas ao redor
nada arranca do meu peito
a canção de amor que eu aprendí
pra te ver no meu quintal
te mostrar o meu jardim
um pouco do que eu consertei
pra ver suas roupas no varal
do que seu nome no jornal
do que seu nome no jornal
com seu sorriso infeliz
do que seu nome no jornal
do que seu nome no jornal
pra entender que eu não apredí
do que seu nome no jornal
com seu sorriso infeliz


..
acabou pra mim, vou pra casa. não estou a fim de ser julgado. onde está o controle remoto? onde está o maldito controle remoto? what a hell enfiaram o maldito do controle remoto? não. não estou a fim de decifrar mensagens subliminares, não estou a fim de indiretas, de ironias nem de uma história pra contar para os outros, não tenho nada a dizer a ninguém, nunca me fez bem dizer coisas às pessoas, não me realizo no que outros pensam. não vivo sozinho, mas também não preciso de muita coisa pra viver. você não me entenderia, jamais me entenderia, não entenderia minha timidez; meu último instinto, os meus erros; não entenderia Bukowski, Elliott Smith, nem mesmo Mário Quintana por pouco tempo, agora não. você precisa viver mais. estávamos no bar, ninguém me disse uma palavra, nem precisava. não estou a fim de um novo motivo para me arrepender. a gente vai ficando velho e começa a perder a paciência e o gosto pelos riscos, já sei de todos, preciso mais de cafeína do que adrenalina e não faço tanta questão de me surpreender nesta cidade.

3.3.08

Tróia

sim,

e lá vem a guerra..
estranho, mas me
parece tão familiar.

não imaginei chegar tão cedo este dia. tudo bem, estou mentindo, imaginava sim pelos braços de Hemingway e pensar tantas vezes em três perguntas: será que vai ter guerra? será que eu vou pra guerra? será que eu vou voltar? se a resposta for sim, esqueço da pergunta e fico tentando imaginar isoladamente que pelo menos um sim me parece ser mais positivo do que um não

todos dizem as mesmas coisas.
E eu que tinha tanto pra dizer..

Estranho, mas eu sempre esperei.
Minha Tróia, como para Aquiles..
desculpa aos que têm olhos,
não gosto mesmo de ironia.

digo tudo bem, não é o fim do mundo,
talvez no máximo, o começo do fim...
rua dos cachorros, número zero

tenho ido a lugares estranhos
onde poucas pessoas me conhecem,
na verdade eu carrego estes lugares comigo

.. invenções do fim do mundo:

lugares imaginários,
olhar de paisagem,
letras subindo e
canções pra dormir..

sentado na calçada a ver as poucas pessoas que passam por alí ou andando por estradas circulares que não chegam jamais ao destino. tive várias idades em uma só noite, não era este mesmo o meu nome; despertava de um sonho ou apenas respirava; nunca olhava para trás sabia quem poderia me seguir; olhava nos olhos do apático atirador a me apontar uma arma da segunda guerra, montanhas verticais ao lado de longas planícies ou praias, ruas desertas, fundo do mar. eu pensava nestes lugares como eu pensava em mim mesmo, carregava em mim estes lugares, sempre com a certeza de voltar no outro dia, carrego minhas árvores, ruas, praças, montanhas e praias onde vou

2.3.08

bicicletas na chuva, ou chicletes de uva. paracetamol, dipirona, tylenol. sonolêcia e filmes retrô. love, junk love.. ou você diz mesmo o que pensa ou diz o que gostaria que que os outros pensassem que você está pensando. tudo bem, ninguém é tao diferente - nem tão culpados nem tão inocentes - como se faz perceber, todo mundo é assim; qualquer coisa entre o ser e o nada errados em busca do defeito alheio que vá diminuir a sua culpa como se fosse comprimidos pra dormir, comprimidos pra acordar. não há grandes mistérios, a vida é só isso mesmo, afinal, esqueça. sorria, apenas pra ficar bem na foto, e não há tantas coisas muito importantes para se pensar aqui deste lado em um domingo à tarde.