28.3.08
27.3.08
que caiu no chão. quero o seu lado escruro da lua.
às vezes penso que não consigo levantar da cama,
sinto que estou doente, destas doenças que não inventaram ainda,
como um céu sem nuvens, como se fosse um exílio ou café amargo.
ou como se eu sustentasse a dor de ser um animal em extinção.
porque não quero ver lá fora o mundo em melodia de uma nota só.
procuro um motivo convincente para dizer a todos que estou perdido
procuro uma nova invenção que me deixe deitado na cama o dia todo
25.3.08
24.3.08
20.3.08
19.3.08
18.3.08
tenho qualquer segredo que não me deixa dormir.
tenho dez comprimidos de comida de astronauta,
tenho uma ficha de fliperama, chicletes e cigarros no bolso.
nada que que faça mudar a direção do caminho de fugir de casa
nunca ando do mesmo lado da calçada. tem dias que eu te vejo
e perco o sono, tem dias que o sonho não acaba nunca.
tenho treze anos de estrada, curvas e campos desertos.
tem dias que eu acordo de manhã e não me lembro onde estou.
17.3.08
ás vezes me complico com minhas próprias idéias
e infelizmente eu posso lhe dizer coisas que não sei
não tenho tempo pra explicar todos os meus erros
tantos foram que eu nem sei mais dizer o quanto e
acabo errando novamente ao tentar me justificar
prefiro não dizer a que vim. respostas em branco
de um questionário à qual não me julgo adequado.
14.3.08
te encontro em algum lugar
peço pra ficar um pouco mais
me sinto parte do seu abraço
seus ombros e laço no cabelo
eu não sabia que ainda usavam laço no cabelo
na verdade eu nem sei muita coisa sobre isso
você deixa seu perfume mesmo sem querer me torturar
fico pra trás mordendo os lábios e não vendo nada mudar
e eu sinto um medo infantil de não te ver nunca mais
e.. finalmente depois do sono, eu olho a sua foto e
me vejo como um garotinho que faz xixí nas calças
..

Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que voce deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
até o invisível desaparecer esteja certo que existe fim. até lá talvez sim, afinal nunca estamos certos até que acabe. somos pouco de um pouco de ventos, cinzas e mesmo nuvens, em algum momento um mais de cada um. e que não há sorte visto que tudo é sorte, qualquer escolha é destino, o que existe e o que está.
13.3.08
este avião não lhe cai bem, tenho um calendário atrasado em meu bolso e já andei meia sola de sapato até aqui desde ontem. Até que se prove o contrário, alguém já lhe disse algo como isso hoje de manhã, você se parece com o semelhante, que nem todas as coisas são iguais, que nada é por acaso, ou que o café está frio. Tinha um sorriso de humor programado me olhando com aquela cara de rádio desligado com incontáveis histórias de dias como hoje, sem graça qualquer, tinha um leve sopro no estômago e um silêncio dissonante passeando na calçada, na rede da varanda ou procurando uma cama para deitar os ossos que ainda rangem dentro de si como portas velhas e enferrujadas que se abrem, ou uma janela que passa a vida toda voltada para um horizonte que não é paisagem.
10.3.08
7.3.08
quem, que em nome de alguma letra morta possa pronunciar nomes que desconhecem e tomar para si mesmo a história de todos os tempos? quem, que de posse de sua completa consciência diz-se-à louco por motivos que ignora, a tal ponto que contestando a sua própria existência a todo o vilarejo não terá guardadas pedras na sua mão? quem, em total domínio de seus braços ao ser atacado não defender-se-à? quem, ao perceber que era ouvido ao falar coisas sem sentido calar-se-à? quem, que entre tantos devaneios universais e palavras sem nome possa dizer as coisas mais simples que sonhou ou mesmo o seu próprio nome? quem, talvez o mesmo, usa correntes para represar água da chuva ou mesmo anzol para pescar estrelas. o mesmo mundo, mundo estranho, contracorrente, caminho de volta
6.3.08
não adianta dizer que me escondí se ninguém acredita quando eu digo que estou invisível. não importa que eu venha a me surpreender com pessoas assustadas. o que eu digo é sempre tão ouvido quanto eu ouço alguém dizer qualquer coisa ou egocentrismo sobre si mesmo. não faz muita diferença, nem sentido e nem me incomoda tanto o fato de eu estar vivo agora pra me ver dormir aos poucos até não lembrar que estou aqui. tantas pessoas iguais, as mesmas palavras de sempre, todas, e as mesmas letras, e ainda consigo me achar nesta esquizofrênica multidão.
4.3.08
mais do que uma canção eu fiz
fiz coisas que eu não aprendí
eu fiz uma canção de amor
olhando o seu sorriso infeliz
eu guardei uma canção
eu quis ter seu coração
eu sei seu nome de cor
olhando as coisas ao redor
nada arranca do meu peito
a canção de amor que eu aprendí
pra te ver no meu quintal
te mostrar o meu jardim
um pouco do que eu consertei
pra ver suas roupas no varal
do que seu nome no jornal
do que seu nome no jornal
com seu sorriso infeliz
do que seu nome no jornal
do que seu nome no jornal
pra entender que eu não apredí
do que seu nome no jornal
com seu sorriso infeliz
..
3.3.08
sim,
e lá vem a guerra..
estranho, mas me
parece tão familiar.
todos dizem as mesmas coisas.
E eu que tinha tanto pra dizer..
Estranho, mas eu sempre esperei.
Minha Tróia, como para Aquiles..
não gosto mesmo de ironia.
digo tudo bem, não é o fim do mundo,
talvez no máximo, o começo do fim...
onde poucas pessoas me conhecem,
na verdade eu carrego estes lugares comigo
.. invenções do fim do mundo:
lugares imaginários,
olhar de paisagem,
letras subindo e
canções pra dormir..



