"As
veneráveis formigas começaram com um formigueiro e terminarão também,
provavelmente, com um formigueiro, o que muito honra sua constância e
sua natureza positiva. Mas o homem é um ser inconstante e pouco honesto
e, talvez, à semelhança do jogador de xadrez, goste apenas do processo
de procurar atingir um objetivo, e não do objetivo em si. E quem sabe?
Não se pode garantir, mas talvez todo o objetivo a que o homem se dirige
na Terra se resuma a esse processo constante de buscar conquistar ou,
em outras palavras, à própria vida, e não ao objetivo exatamente, o
qual, evidentemente, não deve passar de dois e dois são quatro, ou seja,
uma fórmula, e dois e dois são quatro já não é vida, senhores, mas o
começo da morte. Pelo menos, o homem sempre teve um certo temor desse
dois e dois são quatro, e eu até agora tenho. Suponhamos que o homem não
faça outra coisa além de procurar esse dois e dois são quatro,
atravessando oceanos, sacrificando a vida nessa busca, mas sou capaz de
jurar que ele tem medo de encontrá-lo realmente. Porque ele sente que,
assim que o encontrar, não haverá nada mais para procurar." (Notas do
Subsolo - Dostoiévski)
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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana