23.10.12



existir, talvez sonhar

Acordar para o mundo, sonhar, abrir a porta. Durante os anos que se passaram a ausência de pensamento em todos os tempos nos faz pensar que continuamos os mesmos pedaços de humanidade a desfilar os mesmos defeitos na calçada do mundo. Estamos precisos ao duvidarmos da nossa única certeza. Uma existência que se baseia na própria falta de si mesmo, como se conseguíssemos não tentar decifrar a natureza e tentar fazer parte dela sem mudar. Impossível não notar um mundo que habita em nossas mãos, se é o mundo que nos muda enquanto acreditamos sermos os mesmos. Longe do nada, lugar comum, cada gota de orvalho recai sobre a essência existencial de cada ser humano, como se não dissesse nada ao falar de si mesmo, como se a estação de outrora fosse sempre primavera, assim como são as estações de um filme que se passa em lugar qualquer. Era o sol a girar, era a vida, o mesmo planeta terra de sempre, mas cada vez mais era outro e a cada rodada, translação rotação em torno de si mesmo e uma estranha vontade de existir como se não quisesse ser sempre o mesmo, mas sendo assim mesmo sempre a mudar todos os dias, se afirmando ao renegar a si mesmo como se nunca fosse o de antes que agora será pra sempre o que nunca mais irá ao lugar onde o nada não existe ainda. E como se fosse fácil soprar a existência sobre si mesmo, desfaz-se a roda-viva e o culto que se faz presente ao tentar ser exatamente o que nunca foi, o começo do futuro ou um fim em si mesmo. Esta frase não faz sentido, agora que o texto acabou. Pegue estas palavras e jogue-as na parede, o que escorrer é sangue. Existir, talvez sonhar.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana