27.3.13

Quem não teria dentes, no século XXI?

te peguei, vadia, pelo cangote, Madalena
mas você não merece meus versos sujos
aliás, merece, pois os versos são sujos
feito a água da chuva em noite escura
que te molha a anágua e você seminua
meus bons versos molhados no álcool
feitos da velha nostalgia de não ter futuro
de ir à pé até o fim do mundo,de salto alto
você bebeu minha a flor, lama no seu rosto
do meu suor, meus sonhos e meu sangue
você esqueceu do meu nome, minha vida
eu era o palhaço que servia as cachaças
um papo bacana, cheira líquido inflamável
você transou comigo pelo computador
a vida foi capaz de se acabar e desacabar
vida que segue e agente seguindo a vida
no meio do escuro, no mesmo segundo
fiz sua mente voar como as cadeiras
que voam sobre as mesas sem dentes
seu decote me lambe com as pernas
sua cor está pálida todo ao seu redor
eu desafio plantar um quadro abstrato
em alto som, silêncio que queria ouvir
seu ouvido serviria agora para gozar
suas ropas para se secar, cabelo curto
lembro mais de você te vendo d'quatro
noites e sol, qualquer coisa faz poesia
apenas consigo satisfazer a sua fantasia
mas quem se importa o que eles diriam
todo mundo faz xixi no muro, não sei
não me pergunte onde irei, se eu não
for comer a sua boca depois do amor
outro acaso e tudo recomeça do nada.
Gostosa, vadia, ninfeta, sanguinária...
quem diz, o que teria, o que seriamos
sozinhos juntos ou unidos e solitários
afinal, não sei mais nem dizer se fico...
Q
uem não teria dentes, no século XXI?

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana