30.10.12

desamor  (possíveis destinos da chuva e a anti-matéria)


sinto falta da sensação da eternidade
quando acordava de manhã e 
a chuva ainda estava do lado de fora,
época em que já não se contava o tempo

o mundo não acabava
e o amor era o fim,
pois tem fim quem existe
e só morre quem vive.
o que sinto quando não sinto,
e a inspiração se vai.
diversos versos tortos
e a rima não veio outra vez

procuro o sono de um coração sem sonho
que procura dormir à sua própria sombra
procuro uma veia que sangre
um sangue que corra até o seu leito

tanto a morte quanto a vida
tanto faz no caminho
em todo lugar distante
ser chegada ou partida

se o ponto final fosse o fim
e o início começo de mim,
não teria pra onde ir
pediria pra sair ou 
ficaria mesmo aqui.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana