26.12.12

MEDO DE ERRAR

Quero uma canção bem breve, meio tom de cinza ou me leve
e que faça uma estrela com um simples ponto no céu
e esconda o meu medo de errar

E que faça uma ponte com um mero risco no chão
Que também corra risco feito um bom petisco no prato frito de mil corações
E bebendo para esquecer outro amor

Acaba de esquecer do seu outro amor que o espera no mesmo lugar
Que também não sabe como vai voltar ou ficar
E vai vivendo sem lar

A rua era a casa de quem tem não casa para morar
Mas se morar na rua não é não ter onde ficar
Por que tanta casa e tanta gente sem morar?

A esperança é uma flor que nasceu no meio de uma guerra
Uma guerra por território por quem já tem muita terra
E vai vivendo a destruir o que não é seu

que ela, a esperança, entre sem bater as portas da percepção
e uma letra carregada por um caminhão
falando sério da solidão

Hoje eu resolvi fazer uma canção de amor que fala de nós dois
Meio retrato, entre outros pratos, tantos cantos que eu falei
Uma palavra, um a canção
E o resto eu não sei

Simples cores multicoloridas manchando o seu retrato
a cinza da folha de uma árvore que uma astronave descreveu
Acaso, se a ciência vive de coração, ser ou não ser, meu sertão?

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana