Quatro de janeiro de 2013, nove horas da manhã, acordo, mas meu
rosto paralisado.
Pensei que fosse o travesseiro, não era. Faltam doze dias, o meu corpo também adormece. Nada para fazer, apenas a minha
consciência está acordada, parece pouco desde que não. Me olho no espelho,
continuo o mesmo, sorrindo, chorando, preocupado, cansado, mesmo dormindo
tanto. Quatro de janeiro de 2013, nove horas e dezesseis minutos, estou
atrasado. Cadê o papel? Não me lembro de ontem.
Estou com sede, mas preciso voltar para casa, me arrumar, pegar a ração, escolher uma roupa
que não me asfixie, nem alegre, meu sorriso continua paralisado. Parecia
estar em um sonho de um sono profundo sem que se possa voltar, mas voltando assim
mesmo, só que desta vez sem poder lembrar. Não era nada, estava apenas chapado de mais, como sempre. Tenho tantos sonhos que não cabem no
meu bolso. Aliás, meu bolso está furado, perdi meus documentos, minha memória e meu passado. Não sei onde estou, mas fico bem de branco. Fumaça ou nuvem? Tudo bem, agora descanse.
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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana