26.3.13

êxodo

à vezes penso nela, sozinha,
no meio de uma multidão,
sentanda em cadeiras sujas,
limpando as sandalhas
com um pequeno guardanapo,
pulando poças de lama.

às vezes ela chora sozinha.
desviando dos marginais,
passando por becos escuros
e enfrentando filas enormes
que não levam a lugar nenhum.

às vezes eu imagindo ela
indo para algum lugar,
sem saber onde chegar
vindo de lugar nenhum
sem saber como voltar

às vezes eu imagino ela,
como se fosse parte de mim,
como se uma parte minha
tivesse ido embora,
muito embora eu esteja dividido
em várias partes agora.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana