26.12.12
apenas troquei tudo que eu tinha para ser o que sou
do que viver como astronauta
e nunca saber mesmo o que é ser livre longe do sertão
você pensava que sonhava
mas estava preso a um tempo que ainda não passou
você me diz que não fez nada
mas aquele pouco tempo era quase uma revolução
revolução
revolução, e o resto eu não sei..
Quero uma canção bem breve, meio tom de cinza ou me leve
e que faça uma estrela com um simples ponto no céu
e esconda o meu medo de errar
E que faça uma ponte com um mero risco no chão
Que também corra risco feito um bom petisco no prato frito de mil corações
E bebendo para esquecer outro amor
Acaba de esquecer do seu outro amor que o espera no mesmo lugar
Que também não sabe como vai voltar ou ficar
E vai vivendo sem lar
A rua era a casa de quem tem não casa para morar
Mas se morar na rua não é não ter onde ficar
Por que tanta casa e tanta gente sem morar?
A esperança é uma flor que nasceu no meio de uma guerra
Uma guerra por território por quem já tem muita terra
E vai vivendo a destruir o que não é seu
que ela, a esperança, entre sem bater as portas da percepção
e uma letra carregada por um caminhão
falando sério da solidão
Hoje eu resolvi fazer uma canção de amor que fala de nós dois
Meio retrato, entre outros pratos, tantos cantos que eu falei
Uma palavra, um a canção
E o resto eu não sei
Simples cores multicoloridas manchando o seu retrato
a cinza da folha de uma árvore que uma astronave descreveu
Acaso, se a ciência vive de coração, ser ou não ser, meu sertão?
6.11.12
A
nada pra chorar,
C#M
se arrepender
ou esquecer
BM
nada pra entender
E
é assim mesmo..
nada pra mentir,
se despedir,
fugir daqui..
Ou vai dizer,
não preciso?
Quando você me disse
que o nosso amor é cedo
de mais
para perceber o sol chegar
Quando você disse
que o nosso amor é cedo..
Diz que nunca mais,
ou pra eu não ficar distante
D7+
mas quer saber?
DM A
que eu já não entendo nada
G#o
do que eu digo..
F#M
quando eu digo
D(E)
ou nem ligo
30.10.12
desamor (possíveis destinos da chuva e a anti-matéria)
sinto falta da sensação da eternidade
quando acordava de manhã e
a chuva ainda estava do lado de fora,
época em que já não se contava o tempo
o mundo não acabava
e o amor era o fim,
pois tem fim quem existe
e só morre quem vive.
o que sinto quando não sinto,
e a inspiração se vai.
diversos versos tortos
e a rima não veio outra vez
procuro o sono de um coração sem sonho
que procura dormir à sua própria sombra
procuro uma veia que sangre
um sangue que corra até o seu leito
tanto a morte quanto a vida
tanto faz no caminho
em todo lugar distante
ser chegada ou partida
se o ponto final fosse o fim
e o início começo de mim,
não teria pra onde ir
pediria pra sair ou
ficaria mesmo aqui.
23.10.12
17.5.12
nascer, perder..
20.3.12
Sete Quedas
Natureza fractal diante dos olhos matutos do caatingueiro.
Sete quedas do Talhado antes de nascer o rio Mosquito.
Também são sete as quedas da cachoeira do Serrado,
sua outra metade mais alta, da mesma mãe Serra Geral.
Princípio do fim a que se destina a vivência do nascer.
Sete vôos do pequeno pássaro antes de aprender a voar.
Nascer sem saber o porquê e passar a vida toda vivendo.
Sete notas da canção antes de aprender o tocar da viola.
Sete cores naturais entre o verde e a palhada da seca.
Natureza fractal diante dos olhos matutos caatingueiro
e a leve sensação de saber por que se vive, sem saber..
12.3.12
Ser tão sertão
Ser tão seu
mas não ter certeza
ter tanta fé na sobremesa
Ser tão sério
mas só de brincadeira
ter tanta pretensão de se esconder
Ser tão
alegre na tristeza
ter tanta força de vontade para descansar
Ser tão genio
mas não fazer nada de genial.
Tenho tanto o mérito de nunca ser premiado
Ser tão normal
em um hospício comum
E se sentir lisonjeado por ser esquecido.
3.3.12
REVOLUÇÃO DOS TÍMIDOS
Quero ser feliz também
Quero ver você voar também
Quero uma revolução
Quero esquecer tanto avião
Hoje não morreu ninguém
Hoje na TV não morreu ninguém
Quero uma canção sem fim
Quero uma revolução pra mim
Hoje não vai fazer sol
Quero uma canção em lá menor
Hoje o dia não tem fim
De você quero você pra mim
Pois daqui ta tudo bem
Você vai ver que não tem ninguém
Que veio nos visitar
No mundo onde você está
Quero ser feliz também
Quero ver você voar também
Quero outra revolução
Quero esquecer tanto avião
Hoje não morreu ninguém
Hoje na TV não morreu ninguém
Quero uma canção sem fim
Quero uma revolução pra mim
27.2.12
25.2.12
12.2.12
6.2.12
2.2.12
8.1.12
7.1.12
CAMINHÃO SEM ASA
Um dia entrou em minha casa um caminhão sem asa que vestia paletó
Quebrou todas as coisas móveis com um velho bandido carregando um cachecol
Roubou o leve sono da criança, feito a esperança de um raio de sol
Um dia entrou em minha casa um caminhão sem asa que vestia paletó
Um dia entrou em minha casa um certo passageiro de uma viagem errada
quebrou todos os meus móveis e jogou as coisas velhas na escada
E apesar de tantas coisas vãs tão perdidas na estrada
Um dia entrou em minha casa um velho palhaço cansado de contar mesmas piadas
Tão perto, distante
Tão certo, errante..
Mas nunca esquecia que de onde eu vinha
o povo me dizia que amanhã vai sempre melhorar
Um dia entrou em minha casa o sol pela janela
e aí eu entendi.. (que não é fácil)
