Ser tão sertão
Ser tão seu
mas não ter certeza
ter tanta fé na sobremesa
Ser tão sério
mas só de brincadeira
ter tanta pretensão de se esconder
Ser tão
alegre na tristeza
ter tanta força de vontade para descansar
Ser tão genio
mas não fazer nada de genial.
Tenho tanto o mérito de nunca ser premiado
Ser tão normal
em um hospício comum
E se sentir lisonjeado por ser esquecido.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana