7.1.12

CAMINHÃO SEM ASA


Um dia entrou em minha casa um caminhão sem asa que vestia paletó

Quebrou todas as coisas móveis com um velho bandido carregando um cachecol

Roubou o leve sono da criança, feito a esperança de um raio de sol

Um dia entrou em minha casa um caminhão sem asa que vestia paletó

Um dia entrou em minha casa um certo passageiro de uma viagem errada

quebrou todos os meus móveis e jogou as coisas velhas na escada

E apesar de tantas coisas vãs tão perdidas na estrada

Um dia entrou em minha casa um velho palhaço cansado de contar mesmas piadas

Tão perto, distante

Tão certo, errante..

Mas nunca esquecia que de onde eu vinha

o povo me dizia que amanhã vai sempre melhorar

Um dia entrou em minha casa o sol pela janela

e aí eu entendi.. (que não é fácil)

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana