Fiquei em casa o dia todo, não era primavera e não era verão. Não conseguia pensar em muita coisa antes de encontrar os chinelos desta vez debaixo da cama. caminhar parece fácil quando se dorme o dia todo e beber água na torneira agora seria como respirar na calçada. Gestos simples e ressaca moral agora me repreendem em nome de alguma autoridade imaginária qualquer. Debaixo de nossos próprios números, senhas e protocolos destacados em um carimbo borrado, expede o dia inteiro uma nota só. E unissono, conduzindo a caminhos diferentes: [...] aprovado, [...] reprovado. Qual é o regimento? Eles te perguntam, apontando-lhe o dedo quando se encontra contra o muro. Eles te perguntam, justo os mesmos que deveriam saber.. Às vezes até me lembro qual caminho estou seguindo. Outras vezes, quem sabe, nem sou eu que me levo. Quando o simples era apenas uma máquina de fazer nada. Outras coisas insistem e existir sem ver.
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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana