26.7.11

Esta obra não merece existir, consumirá páginas de celulose e algumas árvores que melhor valeria viver do que morrer por estas linhas que já nascem mortas. Esta obra não precisa existir, ela não cumprirá o seu mandato e consumirá alguns elétrons que suportam o seu monitor de tela plana. Sociedade insana, tudo o que são é apenas desumanidade. Está tudo errado. Onde que nesta merda de vida cheia de pessoas o que mais se encontra é desumanidade. E a mesma palavra é sinônimo do seu contrário. Não tenho nada a declarar. Não tenho nada de novo, não trago novidades, não venho expor nenhum drama, não falarei sobre a vida de ninguém, não falarei nada do que já foi dito, não tenho um poema na manga, não tenho a intenção de ter e não me interessa o que já foi perdido. Não esperem nada de mim, somos apenas subproduto do sistema, formigas tetraplégicas diante de um caos irreversível. Somos nada, sou ninguém ou menos ainda. Um derrotado entre os pensadores, doente ou mendigo da arte sem talento tentando sonhar de pés descalços. Vida de merda, ninguém vai ler isto. Tudo bem se não tenho o que me preocupar. O ignorante, burro, débil, otário, babaca, bagaço da cana, pescoço pendurado na corda, inútil, descompensado, mal-feito e inacabado. Aquele que antes fosse analfabeto do que lhes desperdiçar este tempo escrevendo suas ignorâncias infinitas. Tempo precioso em que se vive, tempo do pós-livro (não dá tempo imprimir, ou é impressão minha?), tempo da televisão, tempo da roda, tempo do dólar, tempo dos agiotas, tempo da esmola, tempo da escola, tempo da máquina de tirar retratos, tempo dos que não perdem tempo, tempo dos que também não se preocupam com tanto tempo a perder, tempo dos idiotas. Sábios, mestres, letrados, dominantes, ricos, lindos, alfabetizados, carecas, aqueles que ocupam o primeiro lugar da mesa. Aqui quem fala não representa nada, nem a si mesmo, nem autoridade, nem santidade, nem meios de ser conduzido fora do erro, o erro pelo erro o fim do que se pode imaginar e nada ser. Sorte ou acaso? Nada disto jamais existe. O que sobra de uma mera especulação mal planejada? Uma ponte que pode cair e ninguém notar. Pessoas esperando do outro lado do rio, mas sem querer atravessar. Não é ninguém e não veio nos salvar. Estamos no tempo das coisas perdidas e ninguém vai se preocupar. Uma garota feia em frente ao espelho pensando se o garoto vai gostar dos seus novos seios. Sim, ele vai gostar dos seios dela e os do da amiga dela também. É assim a humanidade e não tem jeito. Somos animais e não precisa fazer sentido o tempo todo. Não me interessa agora, qualquer coisa. Sei que a garota agora chora e irá chorar muitas vezes mais. Ela irá desistir do mundo, irá dar para qualquer um, irá desfazer o seu penteado e desistir de ir à festa. Mas ninguém notará a sua ausência, pois ela é apenas mais uma entre tantas garotas feias. Pessoas bregas que se arrumam tanto para sair e pintam de vermelho no meio da cara, nas bordas de onde se coloca comida e de onde também se chupa as coisas. Como pode algo tão mole e por dentro cheio de dentes e uma língua controla a entrada e saída de bosta antes de ser cagada. Isso é uma merda. A humanidade é a sua própria merda. O ser humano é tão ridículo e insano que nem se nota em total desarmonia com a natureza. Tempo das causas perdidas, porque não se ri duas vezes da mesma piada. Não é você quem vai salvar o mundo e não temos ninguém a esperar. Não há nada que nos salve do tédio, ninguém irá ganhar algum prêmio, morreremos em pleno anonimato e a sua mãe não é tão santa assim. Você não é ninguém e provavelmente passará todo o resto da vida puxando algum saco de um chefe de alguém. Na minha pequena pobreza de espírito já pensava dentro de mim: que se dane o mundo, eu não tenho neurônios e nem você. Que se foda então todo universo e a sua maldita covardia da civilização desumana. Vá à merda toda esta bosta. Acho que você tem razão quando se diz um idiota, só não posso concordar contigo, pois eu não concordo com ninguém que concorda comigo quando penso ser o que não sou. Não se importe com estas linhas vãs, é apenas literatura, só vão ler depois que você morrer. Há muitas pessoas muito ocupadas andando por aí pensando em alguém para dominar. Também penso em existir, desde que eu esteja vivo..

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana