31.7.11

Muito Louco
(Letra e música: Zéder)
Você parece a minha avó
quando andou de bicicleta
você pintou o seu cabelo de azul

Você parece a minha avó
quando andou de bicicleta
você pintou o seu da cor do sol

Pode ser que o nada existe
que ainda estou triste
ou que é cedo de mais pra sonhar

Pode ser que o nada existe
que ainda estou triste
ou que é cedo de mais pra ser o sol

30.7.11

Fiquei em casa o dia todo, não era primavera e não era verão. Não conseguia pensar em muita coisa antes de encontrar os chinelos desta vez debaixo da cama. caminhar parece fácil quando se dorme o dia todo e beber água na torneira agora seria como respirar na calçada. Gestos simples e ressaca moral agora me repreendem em nome de alguma autoridade imaginária qualquer. Debaixo de nossos próprios números, senhas e protocolos destacados em um carimbo borrado, expede o dia inteiro uma nota só. E unissono, conduzindo a caminhos diferentes: [...] aprovado, [...] reprovado. Qual é o regimento? Eles te perguntam, apontando-lhe o dedo quando se encontra contra o muro. Eles te perguntam, justo os mesmos que deveriam saber.. Às vezes até me lembro qual caminho estou seguindo. Outras vezes, quem sabe, nem sou eu que me levo. Quando o simples era apenas uma máquina de fazer nada. Outras coisas insistem e existir sem ver.










andando pelo deserto, cabisbaixo,
com uma garrafa de água vazia nas mãos.
todos os sapatos se acabaram,
todas as fotos desbotaram sob o sol.
todo sol volta no dia seguinte,
assim como é difícil carregar a cama
e é tão dificil domir sem ter onde.

27.7.11

Meu coração partido por um caco de vidro da janela de uma pálida casa velha,
teve todas as chances de fugir, mas estava parado ainda, não estava em lugar algum.
Batia, mas sem sair do lugar. Tinha mais de um pensamento, tinha duas promessas marcadas à letra em terra de areia, não era nada, era apenas solidão. Eram apenas duas pessoas a se encontrar em nenhum lugar e nada acontece, era o dia marcado para ser um dia tão normal. Pessoas comuns passam pelas calçadas e muitas coisas que não pensamos são as mesmas coisas de sempre.
VAIS PRA ONDE, NARCISO?

Mais um amor que se vai.
Mas amor não acaba, então não era amor.
Só saberei o que é o amor no fim da minha existência?
Não, pois só amo vivo. Logo meu maior amor fui eu mesmo
quando o amor só existe pra mim se eu existir.
Não pretendo conquistar o espelho
prefiro cortar os pulsos narcisistas da imaginação egoísta e sem fim
meio copo de vinho barato e um disco arranhado na radiola
e a falsa impressão de não estar lá.

26.7.11

não tenho pressa para o futuro

em algum lugar da minha consciência mora um lado
que está dormindo agora e acorda quando vou dormir.

não tenho pressa para o futuro
falo isso enquanto tento me convencer do que digo.

talvez você saiba sobre o que eu digo
mas eu nunca vou saber se você sabe ou não.

a ingratidão ao escritor é um espelho maldito de um lado só
em que não se pode saber sobre quem está lendo quando você descreve estar nu.

frases do meu pai


"Nunca te ensinei a ter medo."


"Você é o cara mais inteligente e também o mais idiota que eu já conhecí."


"Como um cara tão inteligente pode ser tão burro?"


"Você tem excesso de educação, não te ensinei isso!"

Esta obra não merece existir, consumirá páginas de celulose e algumas árvores que melhor valeria viver do que morrer por estas linhas que já nascem mortas. Esta obra não precisa existir, ela não cumprirá o seu mandato e consumirá alguns elétrons que suportam o seu monitor de tela plana. Sociedade insana, tudo o que são é apenas desumanidade. Está tudo errado. Onde que nesta merda de vida cheia de pessoas o que mais se encontra é desumanidade. E a mesma palavra é sinônimo do seu contrário. Não tenho nada a declarar. Não tenho nada de novo, não trago novidades, não venho expor nenhum drama, não falarei sobre a vida de ninguém, não falarei nada do que já foi dito, não tenho um poema na manga, não tenho a intenção de ter e não me interessa o que já foi perdido. Não esperem nada de mim, somos apenas subproduto do sistema, formigas tetraplégicas diante de um caos irreversível. Somos nada, sou ninguém ou menos ainda. Um derrotado entre os pensadores, doente ou mendigo da arte sem talento tentando sonhar de pés descalços. Vida de merda, ninguém vai ler isto. Tudo bem se não tenho o que me preocupar. O ignorante, burro, débil, otário, babaca, bagaço da cana, pescoço pendurado na corda, inútil, descompensado, mal-feito e inacabado. Aquele que antes fosse analfabeto do que lhes desperdiçar este tempo escrevendo suas ignorâncias infinitas. Tempo precioso em que se vive, tempo do pós-livro (não dá tempo imprimir, ou é impressão minha?), tempo da televisão, tempo da roda, tempo do dólar, tempo dos agiotas, tempo da esmola, tempo da escola, tempo da máquina de tirar retratos, tempo dos que não perdem tempo, tempo dos que também não se preocupam com tanto tempo a perder, tempo dos idiotas. Sábios, mestres, letrados, dominantes, ricos, lindos, alfabetizados, carecas, aqueles que ocupam o primeiro lugar da mesa. Aqui quem fala não representa nada, nem a si mesmo, nem autoridade, nem santidade, nem meios de ser conduzido fora do erro, o erro pelo erro o fim do que se pode imaginar e nada ser. Sorte ou acaso? Nada disto jamais existe. O que sobra de uma mera especulação mal planejada? Uma ponte que pode cair e ninguém notar. Pessoas esperando do outro lado do rio, mas sem querer atravessar. Não é ninguém e não veio nos salvar. Estamos no tempo das coisas perdidas e ninguém vai se preocupar. Uma garota feia em frente ao espelho pensando se o garoto vai gostar dos seus novos seios. Sim, ele vai gostar dos seios dela e os do da amiga dela também. É assim a humanidade e não tem jeito. Somos animais e não precisa fazer sentido o tempo todo. Não me interessa agora, qualquer coisa. Sei que a garota agora chora e irá chorar muitas vezes mais. Ela irá desistir do mundo, irá dar para qualquer um, irá desfazer o seu penteado e desistir de ir à festa. Mas ninguém notará a sua ausência, pois ela é apenas mais uma entre tantas garotas feias. Pessoas bregas que se arrumam tanto para sair e pintam de vermelho no meio da cara, nas bordas de onde se coloca comida e de onde também se chupa as coisas. Como pode algo tão mole e por dentro cheio de dentes e uma língua controla a entrada e saída de bosta antes de ser cagada. Isso é uma merda. A humanidade é a sua própria merda. O ser humano é tão ridículo e insano que nem se nota em total desarmonia com a natureza. Tempo das causas perdidas, porque não se ri duas vezes da mesma piada. Não é você quem vai salvar o mundo e não temos ninguém a esperar. Não há nada que nos salve do tédio, ninguém irá ganhar algum prêmio, morreremos em pleno anonimato e a sua mãe não é tão santa assim. Você não é ninguém e provavelmente passará todo o resto da vida puxando algum saco de um chefe de alguém. Na minha pequena pobreza de espírito já pensava dentro de mim: que se dane o mundo, eu não tenho neurônios e nem você. Que se foda então todo universo e a sua maldita covardia da civilização desumana. Vá à merda toda esta bosta. Acho que você tem razão quando se diz um idiota, só não posso concordar contigo, pois eu não concordo com ninguém que concorda comigo quando penso ser o que não sou. Não se importe com estas linhas vãs, é apenas literatura, só vão ler depois que você morrer. Há muitas pessoas muito ocupadas andando por aí pensando em alguém para dominar. Também penso em existir, desde que eu esteja vivo..

8.7.11

à esta altura da vida, o dia está em quase tudo que eu faço
começo a substituir a noite por um copo de leite quente de manhã.
Não percebo mais o crescimento de minhs unhas,
assim como não preciso de quem me leve à lugar algum..
anti-herois

destituído de moral e de razão, nosso super-herói volta ao seu sono de antes,
sua cama em seu quarto escuro, dorme, de onde não deveria ter acordado ..
Precisava chegar logo, já era tarde e costumava chegar cedo. Tentava passar sempre por lugares diferentes na estrada da volta e da ida, mas eram poucas as opções naquele bairro de lotes mal-planejados. Por causa dos cães doentes, naquele dia não cogitava passar pela rua de baixo onde também podiam sentir o cheiro de lixo queimado que embrulhava o estômago e adiava a hora do jantar. Seus passos seguiam firmes junto aos velhos sapatos pela estrada como se soubessem qual era mesmo o caminho de volta. Pessoas que passavam mais rápido, ainda nem lhe chamavam a atenção. Alguns bares fechados e o barulho dos copos quebrando, sugeriam um ambiente seguramente instável. Alguém vinha e passava por ele. Embora estivesse à frente, um estranho caminhava pelas mesmas ruas e era como se o seguisse à frente. Vindo de trás e depois de muitos metros ele quis justificar: “Senhor, desculpe, gostaria de esclarecer que não estou te seguindo.” Ao que o outro retornou e disse: “-Tudo bem, eu sei pra onde você vai, na verdade sou eu que te sigo.” Disse isso e sorriu compulsivamente, com seus dois dentes de ouro que brilhavam no meio de uma boca banguela cheirando cachaça barata ...

7.7.11

Parecia outono, mas era verão. Odiava estas datas fora do calendário, lua, inverno e chuva. Coisa de idiotas olhar para o céu, pensou alto consigo mesmo. Odiava até as férias escolares, momento em que as crianças se sujavam nas ruas correndo atrás de bolas e quase sendo atropeladas por quase todos os dias. Quando havia batida de carro na rua era um evento muito esperado, muitos aguardavam nas esquinas mais perigosas e ver as tripas das pessoas era como se fosse um troféu pra contar na escola cercados de olhos admirados e rostos enrugados pela velha expressão de nojo na cara. Era o fim de tarde de um dia qualquer, as crianças já estavam sujas, mas alguns já vinham sujos de suas casas mesmo. Todos já sabiam mijar no muro, roubar manga e beber água da torneira. A turma da escola era composta de pequenos guetos ou gangues cujos assuntos principais se assemelham mais a um manual didático de como decepcionar mais os seus próprios pais. Era a bola, era o jogo, era o chute para o gol! Agora era o gandula, era a rua cheia de carros, era a rua, era a lua. Olhou pra lua, atravessou a rua e um carro lhe atravessou as tripas. Era sol e o sangue quentes no chão, sangue que outrora corria em suas veias enquanto ele correu atrás da bola. Era um bom garoto, todos diziam. Era nada, outros pensavam, gostava de ver pessoas atropeladas na rua e o desenho que as tripas fazem no asfalto quente..

4.7.11

Quando se fala em arte da prolixidade o melhor que temos a fazer é refletirmos em cada um de nós o que pode significar algo que pode não significar nada, ou não. E quando se fala de não com algo que já não era, este não passa a ser um sim, ou um não. Depende do que se fala. Como por exemplo, podemos falar sobre a arte da prolixidade sem falar nada sobre a arte da prolixidade e apenas enquanto estiver falando sobre algo que realmente não sabe do que está falando na verdade você está falando sobre o que você não está falando. Entretanto, só de falar algo você estará dizendo algum significado, a não ser que você esteja falando de algo que não significa nada, ou não? Quando se fala em arte da prolixidade o melhor a fazer é refletir sobre oq significa algo q não significa nada, ou não. E quando se fala de não com algo que já não era, este passa a ser um sim, ou não.Depende do q se fala. Por exemplo, podemos falar sobre a arte da prolixidade enquanto estiver falando sobre algo que realmente não sabe do que está falando na verdade você está falando sobre o que você não está falando. só de falar algo que você poderia falar, você ao mesmo tempo estará dizendo algum significado, a não ser que você esteja falando de algo que não significa nada. Pois alguma coisa que significa nada pode significar nada do mesmo jeito para quem vê significado em tudo. Ora, se tudo é tudo e nada é nada, também nada pode ser algo que também é tudo, então: tudo pode ser nada e nada ser tudo. Assim sucessivamente e vice-versa, ou não. Aliás, neste momento em que todas as teorias caem em paradigmas assistemáticos, resta-nos duvidar de todas as questões interrogadas a não ser que a certeza de uma afirmativa que possa negar o que nunca se questionou em existir ou não possa ser o que nunca foi antes que talvez nunca será.

3.7.11

hoje é dia 3 de Juho do ano de 2011, também conhecido como 03/07/11. A somatória dos algarismos numéricos 3+7+11 resulta no número 21. Somamos então os algarismos 2+1 e temos por fim o resultado 3. O que não quer dizer absolutamente nada..