16.10.07


.. que no peito dos desafinados

Quão banal e contraditórios são os sonhos e sentimentos de felicidade, de rimas fáceis que não combinam nada do clássico e do moderno, de desejos mesquinhos e egoístas como amar e querer ser amado. Simples e ridículo, passar a vida a conjugar verbos no presente, no plural, e expor o quão normal, comum e pitoresco eu preferia ser, a ter a glória dos grandes heróis. Quão ridícula a humanidade, somos patéticos em volta de desejos. Mais ridículo é quem não, nunca, escreveu cartas de amor. Quão ridículo prefiro mil vezes ser.

'Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.' *
(* Álvaro de Campos/ pseudônimo de Fernando Pessoa)



Um comentário:

  1. Sempre quis escrever isto e de repente: Inspiração! rs :)

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana