22.10.07




Pretensão seria escrever e deixar o dia passar, ou não pensar nos outros dias que passaram em branco, pensar nas noites em claro, preferia esquecer a cometer injustiça qualquer, talvez. Umas noites passaram por mim sem ver ou mesmo eu passei por elas sem me ver. ..E pensar que nem comecei, e talvez eu nem saiba mais o caminho agora. Preferia falar do que não sei, inventar uma nova idéia, talvez, calcular distâncias inatingíveis, pensar daqui ao céu subindo com os olhos, das pequenas idéias e invenções que já nascem esquecidas, na transição e melancolia do caminho de volta, da cumplicidade das frases infelizes, de meus calos e cicatrizes.
Até gostaria, mas nunca digo o que sinto, ou quase.. ás vezes até tento mas definitivamente eu não sei.. Sentir é tão vasto que ultrapassa qualquer alfabeto e se domesticasse sentimentos não saberia escrever. Não que o que eu escrevo seja isento de sentido, sonho ou sentimento, mas busca um caminho tangencial á própria razão. A lógica que se revela é justamente margial ao que diria se tivesse a intenção de demonstrar diretamente toda a atualidade daquele momento em detalhes. Digo isto sem ouvir, faço isso sem pensar, exatamente por não saber e enfim. Entre tantos acordes os que descansam agora aos pés da montanha de silêncio ou ensaiam uma improvável volta como música incidental, acidentalemente. Esqueça, não importa mais o acabamento e a velocidade na direção do caminho, a vida é este grande rascunho escrito agora. Até poderia voar, mas eu não sei.






Um comentário:

  1. Gostei da sua piadinha!
    E gostei muito de seu blog.........

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana