29.6.08

das 7 nuvens..


às vezes até penso como se eu soubesse

entre a sutil diferença entre o ser o nada

talvez esteja o lugar onde moram os sonhos

como não sabemos onde começa uma

e onde terminam as outras nuvens.

fica o que sobra. essência, tijolos do céu.


.
qualquer verdade tão frágil,
contrário de si mesmo
aparência banal

poderia falar verdade
aos quatro cantos com
tanta ousadia que não
acreditariam mesmo..

por um sorriso largo
breve desacreditado

e andar sobre água.

28.6.08

QUEM FAZ A HISTÓRIA
Bertolt Brecht

Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes destruída
Quem ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
Moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios
Para seus habitantes?
Mesmo na legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Os que se afogavam gritaram por seus escravos.
O jovem Alexandre consquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses,
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Fredrico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?

Uma vitória a cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?

Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as despesas?

Tantos relatos.
Tantas perguntas.

27.6.08

naturel et subversives

há um cachorro lá fora com olhos de um governador de estado. há um gato sobre o tapete que tem sombrancelhas de rebeldes em guerrilha. há um peixe no aquário, me parece sequestrado. o rádio diz que faz sol lá fora, mas ele nunca saiu de casa para dar uma volta em torno de si mesmo. penso algo errado. via isso da cadeira de balanço, pêndulo, relógio na parede, de dentro da casa. planeta natal. carros lá fora, cometa. penso se deus sabe quem ele é. penso se deus é comida de peixinho. penso se o peixinho estava rezando com sua boquinha abrindo e fechando. penso quem sou em relação ao mundo. penso se, em várias possibilidades remotas. que se apenas um peixe no aquário, era um peixe no aquário vigiado pelo gato no tapete cercado pelo cão lá fora, como assim me disse o jornal. eu pensava no talento humano de criar situações constangedoras para outros. o aquário estava a kilômetros do mar mas mesmo que fosse um peixe de água doce, não é doce a sua vida. gatos precisam subir muros, posar de mauzinho e cachorros precisam de carinho, mesmo que por sua superfície não lhe pareça agora um cão bonzinho.
Belle And Sebastian: "A Space Boy Dream"
(tradução sem diagramação)

Eu sonhei que eu tinha que ir pra marte. Eu estou sempre brincando sobre ir a marte durante o dia. Mas diante dessa realidade, em um sonho, eu fiquei aterrorizado. E não seria como fazer um tour na lua. Havia três de nós indo, mas não podiamos ir todos na mesma nave. Nós tinhamos que ir um por vez com um dia de diferença entre cada. Eu tive que ir primeiro, e esse era o pensamento de atravessar todo aquele espaço negro. Toda aquela escuridão sem nada, e então sendo o primeiro a desembarcar lá, completamente sozinho. Eu sabia que supostamente era pra ser completamente escuro, apenas com uma superfície vermelha. Mas e se eu chegasse lá e houvesse luz, tudo civilizado e povoado e coisas do tipo? Então eu fiz um plano. Os outros astronautas seria meu pai e minha irmã. E meu pai viria antes de mim. Então eu decidi que quando eu chegasse eu esperaria sentado até ele chegar lá. E então nós poderiamos sair juntos e dar uma uma olhada por aí e ver que tipo de coisas haviam lá. E quando eu acordei e eu me encontrava no escuro, eu pensei que eu tivesse aterrizado. E eu simplesmente parei por um momento, esperando pelo meu pai a chegar também.

26.6.08

devolva o meu blasè

você roubou minha poesia.. mas
que raios você ainda quer de mim?

olho pra tevê pra não pensar em nada
burro, só vejo grama, mas é o futebol

dê me um ponta pé na cabeça
e não sei se é assim que se escreve

um fake de mim mesmo
olhando para o espelho

sem entender nada do que digo
eu só quero que você devolva o meu blasè
nunca diga sempre..

sempre se aprendende algo matando aulas.
mas você não me ensinou a pular os muros,
nunca apanhou na quarta série,
nunca esqueceu quanto é sete vezes oito,
nunca dançou sozinha em frente ao espelho,
nunca pôs um laço vermelho no cabelo,
nunca chorou debaixo de uma chuva,
não sabe esquecer de certos defeitos,
não tentou subverter a libertinagem.
mas colocou o mundo em uma poesia
que agora trazem o chão para os meus pés
poesia-tijolo

poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque
poesia concreta é tão abstrata mas eu ainda não sei porque


curtindo uma deprê..

você interpretou as palavras diferentes
mas não teve tempo de olhar pra mim
você não poderia esquecer tudo agora
não foram estas as flores que eu lhe dei

poderia deixar as sementes do sapato
poderia esquecer das estrelas e não foi
você fez o mais difícil, eu pensei em tudo
não foram estas as flores que eu lhe dei

você não sabe quem morreu e nem eu sei
você não sabe quem morri mas não fui eu
você não sabe, nem eu, quem morreu mas
não fui eu quem te disse que morreu fui eu


24.6.08

outro lá

engraçado, que estou feliz..
mas que estar é passageiro
e ao mesmo tempo é lugar.

mas isto não se reflete em
nada do que escrevo hoje..

ás vezes assim. escrevo,
sim, o que falta em mim
aponto para o lugar. lá.
mas outro lugar. lugar.
justo onde não estou.

20.6.08

um pouco herói

me sinto um pouco heroi que se engana sobre o mérito de seus métodos
se nem consigo me enganar
preciso te dizer uma verdade, mas não queria.
queria falar uma frase sem nexo
e sem cobranças, fingir de criança
alguém me segurar no ombro e dizer está tudo bem
penso que não preciso dizer
tanta gente não diz
complicado é difícil
mas não me traduza a todo momento..
podemos ir embora agora?
meus pés ainda balançam nesta cadeira quando falo sobre isso
só mais um pouco
não quero acordar agora
te peço, com a mão cheia de dedos, ao todo
dez minutos.
clandestino

um suposto gesto escondido pelas mangas longas
uma suposta vontade de te ver sem você me ver
suposto gosto de beijo guardado no bolso do peito
sem admitir que um pouco dói um pouco lembro
mas nenhuma suposta necessidade de esquecer
mesmo que aumente o suposto nada que ainda há

te amo um pouco clandestinamente e isso me dá de repente uma vontade de chorar e de rir. displicente, isso me deixa abaixo de um soldado raso com vontade de estar na linha de tiro e voltar pra casa pelo menos com olhar de cachorro flertando o chão.

um aperto de se não te ver mais
e saber que quando você vai sem se despedir
eu penso que você sente as mesmas coisas que eu

que pensar muito, se pouco adianta.
mas não dizer. ou digo que não.
digo que não quero, quando na verdade não posso.
o mundo aos olhos de todos não interessa muito agora
não há alguma escolha se você não me atende mais
nem precisava ser tão distante estrela, distante.
fico agora com o que passou por mim que como quase tudo
imagino que vejo de perto e às vezes escrevo sem querer
te dizendo coisas que eu nem deveria pensar
mas você sabe que eu não sei de nada
como nem sei qual parte de você eu gosto mais
tacofogo no Ricotta:

O DISCO DO RICOTTA JÁ ESTÁ DISPONÍVEL NA INTERNET

Felipe Ricotta, o anônimo mais famoso que eu conheço acaba de lançar seu primeiro e último disco virtual "Você não entendeu porra nenhuma", disco que vem depois da sequência de singles quase homônimos, em que ninguém aguentava mais a mesma piada.. Democracia Chinesa, Democracia Coreana, Democracia Tibetana, Democracia Boliviana, Democracia Paulistana e também o Democracia Putaqueopariu, entre outros.. são alguns dos singles da trilogia que renderam ao Ricotta alguns shows no underground e alguns clipes caseiros no youtube.

Enfim, Felipe Ricotta - "o famoso quem?" - escreve para a revista Dynamite e é influente no baixo clero do indie carioca - ..mas quem não gostaria?- mas finge desdenhar disso, como em Tacofogo - sua melhor música até aqui.

Mas o que faz de melhor mesmo é escrever bobagens no seu blog, não se engane pelo péssimo acabamento o blog, que é muito mal feito e apenas uma foto tirada de celular, mas o conteúdo é muito bom. Recomendo: www.carolazevedo.zip.net

Não se sabe ao certo de onde vem esse seu facínio pela Carol Azevedo - quem? - o msn do Ricotta é algo como carolazevedomorreu@hotmail.com - deve ser alguma paixão frustrada. Ou não, pois ele mente muito, mente como quem faz arte.

Ricotta ainda tem duas grandes comunidades no orkut "eu leio Ricotta" e "eu ouço Ricotta", que se não me engano acho que participo da primeira.

Ricotta é o intelectual deixado pra trás, é o famoso das margens, mas acima de tudo um dos idiotas mais geniais - 'autistas por por opção' - que ainda se pode ver fora do zoológico, leia-se: TV.

Embora não tenha boas influências, ao meu ver - como assim Igg Pop?? - , ele próprio é a influência. Enfim, Ricotta parece ser o Daniel Johnston brasileiro, mas nem tão bobo e até menos famoso. Por enquanto, talvez.

Ricotta é como aquele vizinho seu que você acha que deveria ser roteirista de curtametragens, com tanta bobagem que fala, bobagens inteligentes de uma geração cansada de muita informação.

clica aqui!!!!! :P

18.6.08

sobre portas e páginas

por um segundo pensei,
era o erro que eu te dei.

depois esquecí, não somos muito do que pensamos.

diplomatas mal educados e
guardanapos engravatados.
era o garfo que caía da mesa..

primeiros
segundos.

ninguém.

pensava em deus,
se ainda não existo..

era o núcleo de um vácuo respirando no plástico

era apenas um adolescente ciumento pensando em saídas fáceis enquanto sonha com uma mobilete e aprender a fumar cigarro.

de fronteiras se fecham quanto aos olhos que abrem.
acima da velocidade da fumaça que sobe.

cotovelos
sobre a mesa.
l e n t a m e n t e,
palitando os dentes

dedos apontados pra cima - Óh céus!
anjos na gangorra apoiada em nuvens.
dedos balançam de lado, dizem não"..

portas que abrem,
janelas no chão.

penso que ainda existe uma fórmula que te faça esquecer de tudo que eu digo em seguida, que não me faça voltar pra mim a cada instante.

pelos meus cabelos longos,
me enforcava, a sociedade.

era eu alí debaixo da mesa pegando o garfo.
pedindo desculpas e amarrando cadarços

não precisava dizer no final do filme
todos sabem, eu sei. eu sou a morsa

era um sonho, mas o sonho acabou. era não.
não era o sonho, não era nada, não era eu.

era eu debaixo da mesa contando o tempo.
a troco de chutes, pra não perder os dentes
mas ainda tenho o garfo em minhas mãos!

- ohh yeah!!'
andar pela calçada..

estão todos ocupados, ocupando todos os espaços

te contar o fim do filme e contar até infinito esperando você voltar
não é o mesmo que te contar uma história sem fim

tinha saudades de um tempo
mas nada é para sempre

pegue uma senha
e vá para o fim da fila

não precisa dizer
acho que eu já sei
músicas ridículas
mas não há culpa

moças da tevê não são tão belas
se não passam por minha janela

você sabe, eu não sei de nada.

que começa a doer logo quando se aprende,
borboletas me diriam, minutos que se vive,
tanta coisa não faz sentido, por vezes nem precisa..

preciso de uma rima para terminar esse poema. pode ser rima fácil, tosca, frágil, débil, inútil, descartável, inexpressivo, despercebido e sem luz, do tipo flor com dor. limpo, clássico, utópico, não dói, não quebra nem enferruja e é fácil de montar. ainda assim não rima com nada que eu penso agora. o que eu penso agora já passou.

10.6.08

;) quase isso..

em um outro plano, mas não aqui.
mas não vou roubar a sua frase.

seria fácil, mas este não é o meu nome.

mas obrigado pela essencia.. é assim
me diz agora do outro lado.. é assim
que as coisas acontecem por aqui..

pode ser que eu não esteja assim,

mas pode ser que eu escreva como se..

pois talvez algo parecido com isso

é como eu me imagino

quando me lembro de mim.

deixo a janela fechada.
o que há de errado?
ladrões no telhado, mas
não tenho nada no bolso.
a chave está lá fora
mas chove agora,
ok. nem tanto. se
estamos longe. afinal.
esqueça o que eu digo.
ela me disse: apague a luz
e feche a porta, agora,
mas com você do lado de fora.
mas, como assim?
não me lembro..

6.6.08

tenho um segredo
adoro ver pessoas desconhecidas na rua
eu olho para elas e quando sei que nunca mais vão me ver..
e nunca mais eu as vejo mesmo
mas estas pessoas para mim são como uma pessoa só
uma pessoa que está sempre ao meu lado
invariavelmente andando no sentido inverso ao meu
na fila do banco antes e depois de mim
ao meu lado no balcão de um bar
ás vezes tem gostos parecidos com o meu, quando está ao meu lado olhando um quadro, porque olha o mesmo quadro que eu, mas nunca sei se ela gostou do quadro porque nunca me diz nada. a gente se conhece a tanto tempo, agente se olha, mas a gente não se fala..

4.6.08

cada um, cada qual, com o seu relativismo.. ou não?

tenho pensado tanto nisso.. cabelo estranho. estranho pra quem? cabelos mudam o tempo todo. muda mais do que o mundo. quando penso em cabelo estranho penso em padaria pois é o lugar onde mais vou quando não penteio o cabelo. engraçado tudo isso. se olho no espelho eu vou ver é o meu cabelo. inconstante, contraditório, bobinho.. talvez. parece estranho e tão normal. e quando vou me acostumando vem o vento e desmancha tudo e me coloca na moda pra ser só mais um com o cabelo espetado..