27.12.07

podia ser considerado feliz e talvez isso já lhe bastasse. acabar, ceder, enfim, dormir, talvez sonhar e como poucos sabe que esteve ás margens de um sonho e em certos lugares, que viveu cada vão momento como se muitas vezes a única coisa que restasse na vida. outro. já era, mas agora que tomara o gosto pela vida via mesmo que deveria ter sido um pouco melhor que antes e já não sabia mais o que fazer sobre isso já que o amor que só agora sentia por si mesmo viera um pouco tarde, era quase tudo que tinha agora e continuar a ser como uma última página de um livro sem sequer ter lido a primeira. dias são assim, que ainda relutam em nascer os mesmos que antes lhe parecia certamente um pouco banal, forçado ou demais. pois logo, como sempre tudo passava e não podia mais ficar visto que sempre o chamavam por motivo de força maior. ele. renegava a si mesmo agora como se não pudesse partir, deixava um braço para trás, um cheiro de terra curtida que não sentia em outro lugar, um perigoso olhar para trás, o instinto de nascer, querer sem saber, querer ser muitos, viver novamente. andava aleatório e guardava para si mesmo uma certa pressa como quem se protegia de mostrar que não há mais nada a fazer. de certo que andar na multidão lhe dava sempre uma espécie de satisfação ilusória em andar na contramão, vivia assim de rimas fracas e sem querer como dia após a noite. por vezes esquecia de si mesmo e do seu nome tentando se ver nos olhos baixos de quem vinha e passava adiante desmanchando promessas eternas, apagando passos, vivendo por assim dizer. ele do alto seu descontentamento em não poder fazer do seu mundo uma revolução todos os dias era contido a cabos de aço pelo medo de ficar falando sozinho.

2 comentários:

  1. seu descontentamento em não poder fazer do seu mundo uma revolução todos os dias

    * também já tive esse descontentamento.

    em vão



    bjos

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  2. era esse mesmo o sentido que que tentei dizer..

    já pensou ás vezes que o mundo deveria mudar mais rápido? penso nisso sempre..

    Letícia, volte sempre..viu?

    beijão

    :)

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana