2.1.11


O homem só

Saía devagar, mal abria os olhos e era só.
Ainda não havia chegado de uma viagem
era todo do inconstante ao desconhecido

Estava completamente perdido mas apenas pediu um copo de água. Uma sombra o esperava na porta, sua última, única e primeira companhia na sua viagem ancestral. Depois do som da bota no tapete sujo, colocava os pertences na mesa e o casaco molhado no prego da porta. Olhava o retrato e olhava para a janela, olhava as gotas de água caindo do casaco molhado e olhava o retrato novamente. Falava baixo palavras profundas.

"Cometer erros e confessar pecados é como abrir uma mesma ferida duas vezes', disse. 'Ao começar a andar não olhe para trás, para não ver alguém lhe chamar, mas se olhar não volte, se voltar não fique, se ficar não morra, pois se morrer não há nada mais a fazer, então vá. Apenas vá." Tentei, mas não deu tempo dizer que 'escada é a estrada pra cima..' Foi.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana