futuro mais do que pretérito da sétima pessoa do plural
homem. disco voador que não veio. o cara vinha andando devagar, equilibrava na calçada, andava sobre abismo da consciência com medo de altura olhando para o chão. eu não sei se ele não sabia rezar ou se sabia que não adiantava muito esquecer tanta coisa que ainda existe, talvez eu nunca saiba, nunca mais o ví.
criança ia em direção à padaria, sabia que era lá, mas parou e deu volta com os olhos dizendo pra si mesmo que esqueceu o que ia comprar. comprou um pão a menos e esqueceu o troco, esqueceu de tomar café, perdeu a fome porque foi jogar futebol, via a bola girando no alto parecia um planeta, uma lua que batia na cabeça do goleiro antes de entrar pro goooooool. mas era contra. que distração. não tinha graça assim. mas comemorava muito quando ganhava porque perdia mais.
inverno me soa tão europeu. estação eu conhecí primeiro a do trem. talvez somos a página de um grande livro que nunca chega ao fim. algumas palavras chegam antes. determinado sentido. isso me diz muito ou quase tudo, até me fez falar português hoje em dia.. tom zé ou arnaldo baptista, alguém me disse algo parecido esses dias. tudo bem não importa muito agora, estamos subemergidos nos nossos próprios conceitos préconcebidos, afundamos juntos, abraçados...
28.5.08
26.5.08
doce lar
Não precisava nem dizer muito. Bastava.
Um olhar sem intensidade para qualquer lado
ou a falta de um sussurro, se muito, já sabia.
A senha de tantas palavras. Não parecia nada.
Ninguém mesmo sabia qual ponta dos extremos
poderiam estar mais próximos. Se fosse.
Antes até diria que a casa estava vazia.
Mas estavam incrivelmente felizes, cada um
à sua forma de silêncio e não olhar pra nada.
Também não sei como isso começa. Acontece
de ser feliz e começar a gostar de não falar.
Viviam, e apenas, como animais, plenamente.
Em busca de alimento e perpetuar a espécie.
Enquanto isso, no topo de um prédio, em
apartamentos, como em galhos de árvores:
filmes, refrigerante e alguma fritura qualquer.
.. Equilibram-se no topo da cadeia alimentar,
e cobertos, as pontas dos pés, se encontram.
Não precisava nem dizer muito. Bastava.
Um olhar sem intensidade para qualquer lado
ou a falta de um sussurro, se muito, já sabia.
A senha de tantas palavras. Não parecia nada.
Ninguém mesmo sabia qual ponta dos extremos
poderiam estar mais próximos. Se fosse.
Antes até diria que a casa estava vazia.
Mas estavam incrivelmente felizes, cada um
à sua forma de silêncio e não olhar pra nada.
Também não sei como isso começa. Acontece
de ser feliz e começar a gostar de não falar.
Viviam, e apenas, como animais, plenamente.
Em busca de alimento e perpetuar a espécie.
Enquanto isso, no topo de um prédio, em
apartamentos, como em galhos de árvores:
filmes, refrigerante e alguma fritura qualquer.
.. Equilibram-se no topo da cadeia alimentar,
e cobertos, as pontas dos pés, se encontram.
23.5.08
ela fala sobre as coisas que vê
parece que tudo dela é em rosa
não importa se rima cor ou flor
a ela parece que nada importa
nem pelo lado quando eu a vejo
mas mais pelo que ela diz agora
parece que tudo dela é em rosa
não importa se rima cor ou flor
a ela parece que nada importa
nem pelo lado quando eu a vejo
mas mais pelo que ela diz agora
acho que ela guarda laços de fita na gaveta, acho que ela tem diários e diários guardados. vejo no seu olhar que você teve quem acabasse no fundo de um copo e pelas olheiras eu diria que não faz tanto tempo assim. você saberia me dizer estas coisas mas não quer falar muito sobre isso, chama outro nome logo pra mudar de assunto e pede pra esquecer qualquer gosto de dia seguinte.
os homens são crianças que se deixaram esquecer. como se estivéssemos detrás de uma luz e não saberíamos mais fechar os olhos pra dormir porque assim já tanto faz, pedaços que deixamos para trás aparentemente sem sentido como sombras em cavernas, coisas que preferimos esquecer por não saber mais como usar, mas, na verdade, bem mais do que temos agora. vivemos num tempo quando crescer é andar pra frente e só olhar pra traz, e a cada dia viciando em novas necessidades inúteis perdendo todas a referência da medida dos sonhos e o contato com as nuvens, em que pra lembrar de tudo é esquecer de si mesmo. os homens são crianças que se deixaram esquecer, como uma nova invenção pior do que a matéria prima. no entanto, assim mesmo, tendo como necessária a convivência, o desejo pelo lado escuro da outra face da lua e a volta como inancançável, por isso esquecemos tanto..
pequenos vícius
quase tudo era acidez em colheres, copos e cigarros.
geladeira sem água, mas ninguém vem.
desenho uma janela na parede,
vejo a lâmpada quebrada quando é dia
e na rua pessoas ainda são pedestres
todo prazer contido em embalagens descartáveis.
receita para esperar o fim do mundo, leva:
açúcar, alcool, fumaça, corantes, conservantes, sal e gordura.
quanto ao pé do muro, ou ao menos se importar,
invisibilidade nas cidades urbanas, outro lado, caos e multidão,
atrás de pequenos gestos, dedo-no-nariz, cospir-no-chão.
nostalgia, década de noventa, logo alí. e 2001, ninguém viu.
largava o sorriso de lado trocado por alguma possibilidade.
poluído de anúncios, não via tantas cores. jogava o dado, mão ao alto.
das páginas da velha enciclopédia que vasculhava atrás de uma ponta perdida,
quase todos os pensamentos em relação ao futuro tinha alguma coisa a ver com o seu sentimento de leve injustiça por ter que trabalhar para viver.
planejava uma tentativa de erro.
podia dizer todos os detalhes sobre algo específico desde que não sirva para nada,
deliciosos condimentos que constantemente lhe faziam mal.
azia, prisão de ventre e dor de barriga,
como as ressacas das noites passadas.
andar na rua sem ver ninguém, estava a mil enquanto dormem.
por um cigarro àquela hora poderia dizer que ama qualquer pessoa pelo resto da vida
virtude do gosto, ventura autodigestiva perto do fim do mundo.
se estivesse em casa lhe cairia bem o teto na cabeça.
ou se não fumasse tanto talvez um carro o jogaria a sete metros
dalí para sete palmos no chão. todo improvável era tão comum.
assim mesmo não guardava nenhuma expressão que demonstrasse a sua verdadeira idade.
menos ou mais, o tempo nunca lhe foi útil na porta de um bar.
era apenas ser e não pensa mais. acostumava-se a quase tudo.
respirava por instinto, cheirava à fumaça, poeira e mofo.
desgastava todas as promessas de amor por total conveniência,
beijava a tampa da privada, mas não gostava de si mesmo.
enchergava no próprio espelho outra pessoa,
enquanto divertia-se com os próprios tombos,
ria dos outros, rindo de si mesmo.
quase tudo era acidez em colheres, copos e cigarros.
geladeira sem água, mas ninguém vem.
desenho uma janela na parede,
vejo a lâmpada quebrada quando é dia
e na rua pessoas ainda são pedestres
todo prazer contido em embalagens descartáveis.
receita para esperar o fim do mundo, leva:
açúcar, alcool, fumaça, corantes, conservantes, sal e gordura.
quanto ao pé do muro, ou ao menos se importar,
invisibilidade nas cidades urbanas, outro lado, caos e multidão,
atrás de pequenos gestos, dedo-no-nariz, cospir-no-chão.
nostalgia, década de noventa, logo alí. e 2001, ninguém viu.
largava o sorriso de lado trocado por alguma possibilidade.
poluído de anúncios, não via tantas cores. jogava o dado, mão ao alto.
das páginas da velha enciclopédia que vasculhava atrás de uma ponta perdida,
quase todos os pensamentos em relação ao futuro tinha alguma coisa a ver com o seu sentimento de leve injustiça por ter que trabalhar para viver.
planejava uma tentativa de erro.
podia dizer todos os detalhes sobre algo específico desde que não sirva para nada,
deliciosos condimentos que constantemente lhe faziam mal.
azia, prisão de ventre e dor de barriga,
como as ressacas das noites passadas.
andar na rua sem ver ninguém, estava a mil enquanto dormem.
por um cigarro àquela hora poderia dizer que ama qualquer pessoa pelo resto da vida
virtude do gosto, ventura autodigestiva perto do fim do mundo.
se estivesse em casa lhe cairia bem o teto na cabeça.
ou se não fumasse tanto talvez um carro o jogaria a sete metros
dalí para sete palmos no chão. todo improvável era tão comum.
assim mesmo não guardava nenhuma expressão que demonstrasse a sua verdadeira idade.
menos ou mais, o tempo nunca lhe foi útil na porta de um bar.
era apenas ser e não pensa mais. acostumava-se a quase tudo.
respirava por instinto, cheirava à fumaça, poeira e mofo.
desgastava todas as promessas de amor por total conveniência,
beijava a tampa da privada, mas não gostava de si mesmo.
enchergava no próprio espelho outra pessoa,
enquanto divertia-se com os próprios tombos,
ria dos outros, rindo de si mesmo.
20.5.08
me parece tão filosófico o tempo de vida de um palito de fósforos ou o ponto de vista um copo de água em cima da mesa tendo uma garrafa vazia na geladeira, ou flores arrancadas simbolizando o amor.. quando penso que quando observo coisas elas talvez não olham mais para mim e eu me sinto sempre o mesmo como agora ou quando eu me importava com estas coisas.. um copo meio vazio sem obrigação de me embriagar todas as noites em que volto para casa sozinho, smepre o mesmo caminho. perguntas bôbas e lágrimas por nada, apenas cisco no olho. me encontre em total relatividade na esquina de nenhum acontecimento e eu te pergunto talvez, decerto que as coisas ainda são as mesmas quando não as vejo, ou ainda assim uma frase sem sentido no meio do texto. mas era justamente o erro. o que seria do nada sem ter onde pousar. talvez o mesmo que seria civilização se todos nós comêssemos com a mão. sim. todos sombras e luzes esperando um final.12.5.08
5.5.08
2.5.08
ví tudo isso ontem na t.v, eu disse que você perdeu. ansiedade e novas embalagens com código de barras. você joga qualquer coisa no lixo antes de atravessar o sinal fechado. pela cidade, você se vê no tubo de ensaio da humanidade. depressa você aprende o real significado do termo viver em sociedade. eles não fazem muita coisa por você, eles não sabem que você tem bons costumes, já não ligam muito pra isso hoje em dia. tênis branco suja toda hora e há quem deixa poças de lama na porta de sua casa e não sabe o que é limpar um tênis em pleno sábado à tarde. tem dias que eu preferia apenas escrever meu nome com os olhos fechados e esquecer profundamente de algumas coisas, mas não é só isso.
Assinar:
Comentários (Atom)


