21.2.08

era uma pedra, na estrada
e olhava pra mim, no chão

eram pessoas paradas em fila para ir mais longe. eram
pessoas sentadas em velocidade, automóveis estáveis.

estava certo em ser outra pessoa olhando pra mim
meu provável descompasso por erro ou acaso

por nuvens,
uma previsão de tempo em tempos difíceis

quanto advinhar a reação de alguém perdeu a cabeça por um sorriso

na esquina. o sentido real das coisas,
por acaso era o erro, era nonsense
como para quem na contramão é o caminho

eram carros em fila, parados; era uma pedra de férias passeando no meu sapato indo pra qualquer lugar. era a roda do carro, presa ao eixo. o equilíbrio da élice. a pedra na roda.

a fila pra entrar no ônibus se tornara carros em fila
ou eram apenas as pedras entrando no meu sapato.

2 comentários:

  1. .. pode deixar :)

    na verdade eu estava dentro do meu sapato com os dedos apertados..

    .. dedos no sapato,
    em fila, apertados.
    carros em fila apressados.
    pessoas nos pontos de ônibus
    .. sapatos, carros, dedos
    em fila.. sociedade racional.
    no fundo também são pessoas, detalhe que ás vezes esquece..

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana