27.2.08

desamarro uma rima desgovernada

projeto o céu em três movimentos: o
transe, o trauma e o fim da eternidade

nada me impede de ser mesmo o último cara
a pisar em marte com meus chinelos de dedo

eu pensava mesmo que poderia realizar
eu tinha um plano e estava muito certo

era decididamente um instante especial
mas não foi nada mesmo como previsto

eu pedia fim do mundo, eutanásia e radioativos,
em forma de coração, montanha russa e comprimidos.

4 comentários:

  1. .. parece sofrimento de amor
    uma dolorosa descrição de uma noite que não deu certo..
    .. não sei.. nunca se entende, necessariamente, os poetas..
    pode ser que tenha perdido o emprego.. brigado com mãe.. ou com o melhor amigo..

    .. mas cada frase soa bem 'Mort de l'amour'..
    ou quem sabe ele já era morto antes mesmo de acontecer..

    ou quem sabe, ainda, nada disso tem coisa alguma a ver com amor..

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  2. Oiee Moranginho! Muito legal você dizer isto.. sua dúvida me realiza bastante, porque na verdade tento me esconder, ou em vão, me esquecer. de mim mesmo até. como se para achar uma pedra rara fosse preciso cavar um buraco, fazer uma caverna, descer subterrâneo por causa de 2 gramas de algo raro. então a poesia acaba sendo esta caverna, mas não seria caverna sem o que me move até ela. fico tentando esconder o essencial, pretensiosamente tentando deixar a essência. ás vezes deixar escapar. uma vez eu fiz uma poesia bastante clara que falava cartesianamente sobre mim, e eu justamente apaguei. kk. na verdade estou feliz atualmente e talvez justamente por isso procuro o que penso sobre o meu contrário; os limites da existência finita a que somos desenhados, o lamento da impotência sobre o provável, o impossível, o inevitável, os costumes conservadores, e contra estas inúteis, coisas sem nome, que é o domínio cultural, a moralidade, o monopólio da verdade/a verdade única, a racionalidade: que é irracional. o amor está em quase tudo que eu faço e que prefiro esconder a uma profundidade que pode variar: até mesmo pode estar tão à mostra que parece que continuo escondendo. mas quando falo de amor acho que falo de mim também, pq uma das poucas coisas que me diferencia quando eu ou outra pessoa fala de amor é que eu sou eu. Poetas são loucos mesmo, ou estão no lugar errado: /'os loucos são os certos em uma sociedade errada'- Lao Tsé/ kkk . onde estou? :)

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. porque isso tudo de amor é sobre mim, só eu. sou eu, você e mais ninguém.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana