28.3.13

calendário maia


Alguns sábios sabem muito, 
sabem até sobre o quanto não sabem.

27.3.13

o poeta e o violão


tenho que ir, aproveitar minha vida de sorte hoje
já que tive tanto azar desde o início de ontem
e ainda ser apenas mais um poeta bêbado
na beira da calçada sem saber de nada
estou perdendo o ar a força e a poesia
e a noite lá fora que está como um eclipse
espero ter uma inspiração e mais nada,
voltar pra casa sozinho no meio da rua 
para compor uma música em sol maior
as cordas do violão estão quebradas, 
mas tanto faz, se a música também é de dor.

Quem não teria dentes, no século XXI?

te peguei, vadia, pelo cangote, Madalena
mas você não merece meus versos sujos
aliás, merece, pois os versos são sujos
feito a água da chuva em noite escura
que te molha a anágua e você seminua
meus bons versos molhados no álcool
feitos da velha nostalgia de não ter futuro
de ir à pé até o fim do mundo,de salto alto
você bebeu minha a flor, lama no seu rosto
do meu suor, meus sonhos e meu sangue
você esqueceu do meu nome, minha vida
eu era o palhaço que servia as cachaças
um papo bacana, cheira líquido inflamável
você transou comigo pelo computador
a vida foi capaz de se acabar e desacabar
vida que segue e agente seguindo a vida
no meio do escuro, no mesmo segundo
fiz sua mente voar como as cadeiras
que voam sobre as mesas sem dentes
seu decote me lambe com as pernas
sua cor está pálida todo ao seu redor
eu desafio plantar um quadro abstrato
em alto som, silêncio que queria ouvir
seu ouvido serviria agora para gozar
suas ropas para se secar, cabelo curto
lembro mais de você te vendo d'quatro
noites e sol, qualquer coisa faz poesia
apenas consigo satisfazer a sua fantasia
mas quem se importa o que eles diriam
todo mundo faz xixi no muro, não sei
não me pergunte onde irei, se eu não
for comer a sua boca depois do amor
outro acaso e tudo recomeça do nada.
Gostosa, vadia, ninfeta, sanguinária...
quem diz, o que teria, o que seriamos
sozinhos juntos ou unidos e solitários
afinal, não sei mais nem dizer se fico...
Q
uem não teria dentes, no século XXI?

cartas para o céu


um anjo disse, jogue seu anzol.
mas não tem peixes aí, lhe disse.
o anjo ficou pensando e pensando.
falei de novo, voltei, não estou armado.
ele confessou estar indeciso. e filosofou;
como um anjo poderia ser carnívoro
ou mesmo arriscar a vida da isca?
o anjo pisou no chão pela primeira vez,
se tornou pessoa, ser humano, comum
e depois só queria ser um simples poeta.

26.3.13

o sétimo dia de sol

era uma vez um dia que não amanheceu, o sol não queria sair, o galo ficou sem cantar, as pessoas foram acordando devagar no horário de acordar, mas como se não acreditassem olhavam para a cama como se ainda não conseguissem acordar. era um dia em que as pessoas não conseguiram acordar, o galo cantou na hora certa, depois chegou a hora de acordar, até os burros se sentiram um pouco mais livres sem ter quem o montar. era uma vez um lugar onde os animais não conseguiam sorrir, as noites eram estranhas feito cerca de arame em volta de um cemitério com o cheiro das borboletas que dormiam no chão, a cerca não impedia o vento de voar e nem o sol de nascer. até queo dia em que a noite que não quis mais ir dormir.
o mundo estava acabando mas a gente não sabia, apenas aproveitava o momento, tocados pelo vento, desfilando à beira do abismo. é fácil escolher o caminho quando não temos nenhum, agora eu sei, antes eu sabia, mas havia esquecido. tudo bem, tanto faz agora que nada tanto faz, tudo passou e não vai passar mais. mesmo que o mundo não seja em formato de linha, o pensamento humano às vezes é, e talvez por isso erra mais do que os computadores que pensam em formato de números. Se nós pensássemos em números eu diria que: - 79540396 462798154!!

..mais cicatrizes do que tatuagens

cada vez que publico palavras
ou composição de uma música
é como se me levassem algo.
demorei tempo para ser eu.
como posso expor tudo em
uma simples canção de dor?

psicologia reversa

Uma pessoa que diz o tempo todo que não se importa, está apenas testando suas hipóteses e afirmando o contrário do que realmente sente, pela psicologia reversa, na verdade esta pessoa revela a todos que não consegue parar de pensar exatamente sobre este mesmo assunto que diz tanto evitar.

êxodo

à vezes penso nela, sozinha,
no meio de uma multidão,
sentanda em cadeiras sujas,
limpando as sandalhas
com um pequeno guardanapo,
pulando poças de lama.

às vezes ela chora sozinha.
desviando dos marginais,
passando por becos escuros
e enfrentando filas enormes
que não levam a lugar nenhum.

às vezes eu imagindo ela
indo para algum lugar,
sem saber onde chegar
vindo de lugar nenhum
sem saber como voltar

às vezes eu imagino ela,
como se fosse parte de mim,
como se uma parte minha
tivesse ido embora,
muito embora eu esteja dividido
em várias partes agora.

longa estrada


o poeta segue o seu caminho,
o poeta sabe que não sabe tudo.
ele não está perdido, se perdeu só,
mas sabe de tudo que ele não sabe.
não importa quantos dentes tens agora,
lágrimas nas calçadas, você sente sem dizer.


25.3.13

amor bipolar

ela perguntava, mas não queria saber.
amava, mas por hora não queria ver

detestava, mas se deixava esquecer
não sabia, mas queria apenas chorar



maria madalena


bruxa pagã, feiticeira, me seduz
Joana D'Arc, Pagu, Sereia, Luz
que me rouba os pensamentos
confundindo meus sentimentos
ao me fazer chorar de alegria


24.3.13

pretérito do futuro

a realidade mudou
a ferida aberta,
talvez cicatrize,
mas a cicatriz,
esta fica.

22.3.13

fé na casa

acredite, a casa está arrumada, 
os pratos lavados, roupas limpas, 
só as samambaias que morreram. 
não, está tudo bem, elas estão vivas;
desculpe-me, quem morreu fui eu.

19.3.13

sei, não sei

como sei, apenas penso que sei, 
mas talvez nem mesmo saiba...
pós-consciência


Tudo volta a fazer algum sentido, 
quando não entendo mais nada..

18.3.13

liberdade de expressão
 
O silêncio pode nos dizer muitas coisas, 
assim como há gritos que não dizem nada.
DOIDO

..e o mundo continua tão louco que não sei quando estou entrando ou saindo de um sanatório, os loucos estão dentro ou fora? o que detém a chave está tão preso quanto os que ele detém, bem como quanto tempo de sono perdido pelo vendedor de colchões? Algumas coisas ninguém sabe, mas sempre soube e nunca irá saber.

17.3.13

escritos de 2007..

e, se os pingos da chuva não caírem mais? e se o sol que se põe não voltasse mais se a estrela que eu te dei apagasse por um segundo se eu que não sei tudo de cor soubesse da cor da flor do seu cabelo poderia voar mais alto, poderia pensar em voltar, poderia completar uma volta ao planeta, poderia viver duas vezes por dia e três a mais dentro de um ano ao menos, poderia somar mais com menos. eu não ia querer mais dormir com os olhos fechados, não ia fugir com o cigarro apagado e não teria mais nenhum motivo pra pensar em mim mesmo e no fim tudo fica fora do lugar se eu sobesse de tudo que pode dissolver no ar se eu soubesse quantos segundos ainda esperar até o fim do mundo a vida acabar seu eu soubesse quanto tempo tenho pra voltar mas eu não sei e eu que não sei quanto tempo o tempo voa e eu permaneço aqui pisando no chão. quando tudo rima com ar, no mesmo dia em que eu pretendo voar, só me cai do céu rimar, flor com dor, cor e amor, além disso, eu já nem sei mais se posso terminar esta canção..

16.3.13

não consigo imaginar você de chinelos agora
vendo o seu rosto nesta foto 
parece que você está usando salto alto