29.6.11



karma is love

falta de atenção ou desatino
por estar de cabeça para baixo
deixando esquecer quem outrora
foi e antes de um certo final incerto
entre a certeza de não existir e a
dúvida de se acabar antes do fim
o fim do nada é o início de tudo..

somos pseudoscult e não lemos os nossos proprios livros
somos releituras pioradas de nossas próprias obras
somos refrões grundentos em nossas músicas populares
somos a crítica acrítica, elogiando a nós mesmos. somos nada.

28.6.11

nem acordei, mas já é hora de dormir
e mais uma vez tento sonhar acordado
para não esquecer que estou dormindo
quando até as ruas escuras se apagam para você,
quando a dor do mundo é toda uma estação do outono,
como se tudo que fosse flores era primavera,
como se fosse possível voltar ao passado e
corrigir os pequenos erros que qualquer pessoa descalça cometeria contra o presidente de uma nação qualquer
e você continua me olhando com esta boca molhada e cheia de dentes,
tudo isso significa que não somos nada em uma tarde de terça feira em um lugar comum,
ninguém se importa com o que você pensa
mas ainda bem que não faço questão de ser o improvável do silêncio de quando não começo a pensar em nada

27.6.11

pode ser que..
às vezes,
a música é o narciso olhando no espelho,
tentando, ou não, ser ele mesmo de costas para o público,
enquanto o que a platéia continua dormindo a guitarra tentando acordar..

25.6.11

Quem deve dizer pra você achar bom ou não é apenas você mesmo.
Mas porque fazer perguntas para si mesmo se somos apenas um?
Mas fazemos perguntas a nós mesmos.
Então somos dois ou mais? Não sei.
Quem deve dizer pra você achar bom ou não é apenas você mesmo.
Mas porque fazer perguntas para si mesmo se somos apenas um?
Mas fazemos perguntas a nós mesmos.
Então somos dois?



http://zederborborema.tnb.art.br/





































14.6.11

boa noite querida #2

é a flor morrendo nas mãos do poeta,
é o índio vendo o espelho quebrado,
é a tatuagem malfeita deitada na rua,
é o fim da canção na ultima nota,
é o descompasso de quem não tem tempo de esperar o refrão,
é o erro do vencedor que antes foi fraco,
é o beijo de despedida de quando ainda é o começo
e é a primeira chance após uma noite perdida.

7.6.11

explicar pra quê?

Não me arrependo de não sentir culpa,
mas peço desculpas se não cometi nenhum erro.
Tudo bem, foi uma decisão minha ser tão indeciso..
eu mudo o mundo e o mundo me muda

esquecer o próprio nome
e inventar uma nova língua
Você não era assim tão diferente
Protestos te levam pra rua todos os dias
Você não tinha idéias revolucionárias antigamente
Foi o mundo que mudou ou eu mudei o mundo.
Elas te deixam fazer o que você quer
Olhos para o alto e havia uma astronave
Não era apenas o futuro olhando para o lado
Eu era apenas um astronauta no chão
Enquanto você tenta inventar uma filosofia qualquer
Ora, quando você diz eu pretendo sumir
Mas quando você não está eu tento existir
Mantenho todos meus sentimentos contraditórios
de uma pessoa normal que diz bom dia todos os dias


Você continua procurando uma forma de chocar as pessoas quando diz os nomes de todas as verdades absurdas que nunca podem ser ditas. Quando não me interessa se Jesus não tinha CNPJ, Jesus não vendeu lembrancinhas com o seu nome, Jesus não guardava estátuas em casa, Jesus não estreou no cavern club com os Beatles, Jesus não tinha violão e não era canhoto, Jesus não era mau/era diferente, Jesus não estava mal/ele apanhou, Jesus era ele mesmo pelo máximo de tempo que pode ser. A projeção que se faz do outro leva a caminhos diferentes não como se aprensenta mas apenas uma tentativa de rascunho da realidade e até tentar não julgado pelo que parece. Se isto pode ser uma forma de existir é uma saída, frente a um mundo que nos dá as costas. Assim, então se vá. Por fim, peço desculpas se não cometi nenhum erro.

5.6.11

a nuvem e o tempo que passa


falar da própria solidão
egoísmo ou covardia
como se fosse o
primeiro ou último
a ser só

como se fosse o único na ilha
como se sofresse só

há tantos corações solitários
uns ao lado dos outros
abraçando a mesma árvore
do outro lado
duas lágrimas que passarão pelo mesmo rio
tudo bem, é apenas a nuvem, é o tempo que passa