28.2.08

Valsa #3,

em um determinado tempo-espaço,
uma determinada lógica e timidez,
também é amor abrir mão de amar
então, em um perfeito descompasso
aceitar os limites e perder a chance

..

27.2.08

desamarro uma rima desgovernada

projeto o céu em três movimentos: o
transe, o trauma e o fim da eternidade

nada me impede de ser mesmo o último cara
a pisar em marte com meus chinelos de dedo

eu pensava mesmo que poderia realizar
eu tinha um plano e estava muito certo

era decididamente um instante especial
mas não foi nada mesmo como previsto

eu pedia fim do mundo, eutanásia e radioativos,
em forma de coração, montanha russa e comprimidos.
não estou usando óculos agora e
não me importo com comparações

há três semanas na minha cabeça
não tenho o controle do consenso
e não quero pensar em mais nada

penso nas pequenas coisas que não tenho
e não pretendo o futuro em minhas mãos
digo aos meus olhos

- jardins suspensos,
cúmplices dispersos -

escreví o que deixei

tanto em um livro,
quanto tatuagem.

penso que as mãos ensaiam
um leve toque nos ombros

me guardo pro almoço,
me lanço em pedaços e

não digo o que penso porque pensar muda toda hora
sinto, e o que sinto mais se parece com uma verdade.
..

a carta é seu poema que mais se parece uma flor

mandar cartas,
mandar flores..

Não sei mesmo se é isso. Sei que passo dez horas por dia no sétimo andar, fico pensando a dez kilômetros por hora na sua direção e se isso representa uma metáfora talvez mesmo a própria vida seja assim, uma poesia

e olha que bonito presente eu ganhei



um poema da resposta que eu te dei

22.2.08

Oh, não!! Mais uma exclamação!

.. devendras no telhado
você me disse que era sério
eu te disse que era mesmo
você entendeu tudo errado
era eu mesmo que esquecia
só me lembro do contrário

controle remoto não funciona
pediu as contas e foi embora

cabelos no rosto me dizem que você finje que não viu
a dois passos da escada era um céu de brinquedo doendo de verdade

um soco no estômago, e
um sonrisal pra acordar

não doeu
eu nem ví

remotas possibilidades
me movem pra tv mudar de canal
mais um que vai rio abaixo
desculpa, esquecí de avisar
olha o sinal, estava fechado
sentimental, e eu sorrí de lado
era tarde estava tudo errado

só um erro na despedida e
toda lembrança está perdida

era mesmo você na calçada
de cadarços desamarrados

eu gostava de mim
eu errava menos
eu olhava no espelho e
gostava mais do que via

era tarde, era madrugada
eu queria fugir, fingir. mas
esquecer não tinha tempo.

ainda tenho mesmo os mesmos olhos e os medos de quando era antigamente . tudo era mesmo diferente, mas ter medo não era assim tão errado.

era um tempo quando
eu olhava no espelho e
gostava mais do que via

eutanásia com gelo, apenas
sem despedidas por favor.

você virando outra esquina
era tudo que eu queria
com suco de tangerina

minha ilha, minha piscina, minha luz, minha agonia
pra rimar faço qualquer coisa, completar uma frase
comparando copos de água com palitos de fósforos..

sem razão me sinto bem
me sinto leve entãopercido

minha cabeça pendente ao pescoço
parte do vazio que sinto no peito

nada mais simples, nada me deixa
mais leve do que minha falta do que falar

algo sempre me diz qualquer coisa
só pra você ficar mais um poquim

..
que caiam os dentes da boca
que não fale mais de primavera
alto falantes em cima da estante
livros sobre hemorróidas em braile
alguma coisa pra beber com gelo seco
uma pitada de comentários redundantes
mais uma frase feita pra terminar a noite e
qualquer coisa, mesmo pra completar, sem rima

21.2.08

era uma pedra, na estrada
e olhava pra mim, no chão

eram pessoas paradas em fila para ir mais longe. eram
pessoas sentadas em velocidade, automóveis estáveis.

estava certo em ser outra pessoa olhando pra mim
meu provável descompasso por erro ou acaso

por nuvens,
uma previsão de tempo em tempos difíceis

quanto advinhar a reação de alguém perdeu a cabeça por um sorriso

na esquina. o sentido real das coisas,
por acaso era o erro, era nonsense
como para quem na contramão é o caminho

eram carros em fila, parados; era uma pedra de férias passeando no meu sapato indo pra qualquer lugar. era a roda do carro, presa ao eixo. o equilíbrio da élice. a pedra na roda.

a fila pra entrar no ônibus se tornara carros em fila
ou eram apenas as pedras entrando no meu sapato.

20.2.08

tinha um sorriso difícil
trazia um resto de vida
levava um erro eminente
passava entre as pessoas
perdia o senso de dor
caminhava em círculos
contava a sorte nos dedos
sentia cheiro de nada
bebia o gosto da água
não sabia que existia
fazia conta do gasto
tinha o tempo no rosto
sem expressão no gesto
não sabia chorar ..

19.2.08

junk love

sorrir e caminhar para o abismo
poeira cósmica em comprimidos
desejar a derrota como possível
dissolver em um copo d' água
subir à superfície em bolhas e
arrotar a palavra amorrrrrrrrr
infinito com prazo de validade

[Proza] : Como pode existir algo que não pode mais existir? Que status quo universal é esse de que não se pode mais inventar algo infinito? Se não pode nascer, então como poderá ser? Estou escrevendo isso?

18.2.08

tudo, nunca e o nada, ou de repente solidão.
pouco tempo para decidir entre o óbvio e o utópico
mudança repentina de todos os planos, e não,
talvez por isso tudo nunca dá certo. nada sempre.
tão engraçado quando rir de si mesmo. sem graça.
nada me atinge, também não tenho arriscado.
não me vejo no que sou, definitivamente não. e.

o eterno e o infinito.
como um poderá ser
ele mesmo sem ser
o outro?
longe do bloco,

estive distante,
estive doente..

sem escrever,
sem beber,
sem fumar,
nem por isso tão normal

esqueça o sussurro,
o espirro, a ressaca,
as intrigas, a conspiração.

esqueça sandálias na calçada,
sombra de baixo da árvore,
esqueça de respirar e morra.

esqueça o que eu disse
eu não disse nada
estou falando sozinho
comentários deitados e
de com baixa qualidade

7.2.08

todo carnaval tem seu fim..

bloco de notas sobre o vento é:
o samba do esquecimento,
tropeçar no meio fio,
o ser sobre o nada;
sorrir displicente, banal,
desinteressante e desinteressado;
andar descalço entre a gente,
beber água da torneira,
comer cachorro quente,
entrar no ônibus mas esqueceu a carteira,
chegar à pé em casa e não saber onde está a chave,
dormir sem escovar os dentes, acordar de ressaca,
rir de si mesmo, chorar sorrindo, perder o dente da frente..

1.2.08

hoje em dia nesta multidão faço tudo que posso que possa me arrepender depois, sem mágoa ou rancor de não ter errado mais. hoje em dia nesta multidão eu queria ser John lennon um minuto só pra me distrair, semi-proibido de desafinar e depois me arrependo. desculpe não sei mentir, mas ainda tento. eu queria ser você antes de você crescer, eu me via nos seus olhos vendo vitrines com doces e balas e eu esquecia de tudo neste momento. pj harvey não me daria razão, David Byrne me daria razão, e eu não precisava ser hype, in, cult, alt nem nada, eu estava na lama antes mesmo do ok computer, do verão sem sol, da invenção do fuso horário, da lei-seca, do microcomputador de bolso, dos relógios de parede de pulso, das blíblias digitais, do amor em prateleiras. eu seria tão diferente, esqueceria de respirar, não seria mais assim tão cético ou constrangido por viver, não teria esse ar de bom moço em areia movediça. se por um minuto eu fosse você gostaria de pensar menos no futuro sobre coisas que não têm conserto, tomaria mais cafés com muito açúcar. se eu fosse outro não saberia exatamente o risco de ser um só, eu faria uma música sobre isso e ninguém ia ouvir, gastaria tempo, vales-transportes e eletricidade para voltar atrás e invariavelmente sem chances ou disposição para mais uma noite perdida olhando rachaduras no teto, enfim eu ia querer ser mais eu depois disto e em seguida eu ia me arrepender de tudo e voltar pra casa sem nada nas mãos, nem uma história pra contar.
carnaval de rua, persuasão por um beijo
sonho instantâneo que logo se desfaz
eu.. invisível na multidão, vulnerável
querendo errar e ninguém me ver,
ou talvez pense duas vezes antes