31.1.08
qualquer idéia de um lugar em um sonho me traz a vaga sensação de que nunca estarei lá.
se for amanhã não haverá quem te diga o que pensa.
a porta dos fundos não é mais do que apenas uma janela no chão.
entre promessas e flores murchas.
quem tem o mundo tem apenas o seu nome.
preciso me concentrar em qualquer coisa que não tenha nome.
se me perco entre os meus erros e os vejo a se repetirem cada vez mais. tanta tendência, nada sem palavras.
futuro que não passa por aqui.
das horas, eu tenho uma lembrança de quando eu não tinha nada dizer e mesmo sabendo que você não gosta de usar relógio, era uma forma de dizer e levantar os olhos mesmo assim.
daqui debaixo eu via o céu, ví a luz eu ví você se abrir pra mim. era um filme em preto e branco, era porque acabou.
tanta coisa não entendo como a graça de tomar chá sem açúcar, usar saltos desconfortáveis ou um sorriso forçado na mesa de jantar, algumas delas prefiro pensar que não sei outras prefiro nem lembrar
me perco todo e precisei de mais tempo para saber o que eu gostaria tanto de dizer. eu ainda não sei pronunciar o seu nome.
olho pela janela com pouca profundidade como se fosse espelho, eu tinha cabelos brancos e você não se importa tanto assim sobre qualquer coisa filosófica.
quem tem o mundo tem apenas o seu nome.
Eu queria ser John Lennon
Eu queria ser John Lennon um minuto só
Pra ficar no toca-disco e você me ouvir
Eu queria ser aquele espelho do seu quarto
Nele você sempre olha antes de dormir
Eu queria ser a chuva que molhou seu rosto
Pra saber o gosto que voce sentiu
Quando o pingo frio no seu corpo caiu
Eu queria ser a razão dessa sua alegria
Pois até mesmo dormindo seu nome eu chamo
Eu queria ser a verdade dos seus sonhos perdidos
Assim eu teria coragem pra dizer que te amo
Eu queria ter você sempre no meu caminho
Pra não ser mais triste nem andar sozinho
E nem ficar jogado por aí
Eu queria ser o dono do seu pensamento
E acabar com todo esse sofrimento
Que nunca me deixou ser feliz
Eu queria ser John Lennon um minuto só
Pra ficar no toca-disco e você me ouvir
Eu queria ser aquele espelho do seu quarto
Nele você sempre olha antes de dormir
Eu queria ser a chuva que molhou seu rosto
Pra saber o gosto que voce sentiu
Quando o pingo frio no seu corpo caiu
e ainda não sei. mas não precisa falar. certamente só mais uma invenção..
qualquer sentido que se possa dar à vida é uma limitação conceitual sobre os tijolos da matéria. qualquer auto ajuda que não seja egocêntrica é uma contradição.
dar nome de defeito ás diferenças ou conceituar sentimentos
é uma forma de diminuir a vida frente ás palavras ou números
quem em estado de normal sanidade poderá ser tão diferente e não ser louco que não seja pouco
atirar pedras no rio não vai te construir uma ponte
por menos de milhares de anos o vento não lhe tira o abismo da frente
amor e religião. um mundo de joelhos
o que precisa para continuar vivendo
sexo e poesia. de cabeça para baixo
aos que dormem do outro lado da cama
estar seguro de si mesmo
não sabendo de onde veio
não me interessa a falta de opção
Um astrofísico alega ao guarda que não viu o sinal vermelho porque como estava se aproximando do semáforo, a luz foi desviada para o azul e viu o sinal verde.O guarda rasga a multa por avanço do sinal vermelho e aplica uma muito maior por excesso de velocidade - “o Sr. estava a quase 300 mil quilômetros por segundo!”
:P
“Existem dois dias no ano em que não podemos fazer nada: o ontem e o amanhã” - Mahatma Gandhi
29.1.08
procuro dissonância discreta tendo o nariz como seta.
me sinto ridículo em rimas pobres, em frente ao espelho.
sorriso qualquer, sorte em pétalas, a embriaguês da chuva, amor e delírio em um olhar distraído, e carnaval na valsa de uma caixinha de música. procuro o verso do sol, o avesso da lua. rimas simples jamais contempladas. os possíveis destinos da água, se um dia foi lágrima. amo o ridículo da vida e a rima de uma calçada torta, sem sentido, sem brilho, sem fama, sem coragem, sem nada, sem nenhum motivo para ser lembrada.. e dizer que existe como quem assume os limites, como para nós a liquidez da água, aceitar ser um detalhe; o ponto de apoio para a alavanca que move o mundo ou nada para quem não viu.
28.1.08
em abbey road
tanto faz sair do lugar..
políticos de pijama fazendo nossas leis,
satélites caindo do sétimo andar,
cachorros no meu bolso,
suco de limão com sabor artificial,
o gosto da língua mordendo os dentes,
telefone ocupado, engano.
25.1.08
24.1.08
23.1.08
bicicleta campo foto jornal do dia
sal ovo frito bife e canivete suíço
gravata isqueiro insenso cinzeiro
bacon mostarda calendário porta
limão colírio cereal cerveja lápis
disquete cd blusa palheta prego
copo pimenta gelo serrote martelo
parafuso parabólica economia luz
controle remoto tudo sobre futebol
22.1.08
não me lembro do que eu lhe disse
depois de tanta coisa sem sentido
e epistemolorgias em mesa de bar
vinte e um séculos na esquina
estou mijando no abismo pro futuro
minha sombra está lá em baixo
penso no céu com diamantes e
ainda nem sei se estou acordado
a cada dia fica mais difícil dormir
- diga Ah!
.. Qual dente está doendo?
século XXI,
logo agora?
qual esquina?
que toda culpa não te ocupe tanto tempo ..
não importa o que disser ninguém vai parar pra te ouvir..
espero que a dor de cabeça te faça esqueçer disso amanhã
21.1.08
estava me guardando pra quando
também não quero mais falar sobre isso
momentos que deixei de esquecer
me perco na sombra das cores mortas
escondo o sorriso das nuvens vãs
e abro as cortinas do céu fechado
'Viver é muito perigoso', diz Riobaldo
nada me interessa neste instante
que seja, rock and roll meio nonsense
não queria estar vivo e depois saber
ainda tenho dentes pra sorrir
18.1.08
o cisco no olho e
morder a isca ..
preciso te dizer coisas que nunca sei
você não se parece nada com quem eu esperei a vida toda, mesmo assim eu me sinto tão bem
esqueço
por alguns momentos
dos meus planos de fuga
tenho muita sede
e um copo de água na minha frente
me sinto estranhamente bem
com esta roupa ridícula que você me emprestou
17.1.08
faz me rir com sua rima infeliz.
dissonâncias e contratempos,
outra órbita.
pensa que eu errei,
mas você não sabe nada do que eu penso.
isso é jazz, eclipse, silepse,
coisas que você não conhece
desculpa qualquer canção, mas
você não entenderia se eu dissesse
. .. . .. . .... . .. .... . .. ..... .. . .. . .... . .. .... . .. ..... .. . .. . .... . .. .... . .. ..... .. . .. . .... . .. .... . .. ..... .. . .. . .... . .. .... . .. ..... .. . .. . .... . .. .... . .. ....
16.1.08
14.1.08
remédio pra acordar
perdido em meu quarto
e fugir de mim
a essa hora tanto faz
french dog blues
não deixa de ser cão
ainda é a mesma paisagem de quando os olhos estavam fechados
qual a diferença, tanta coisa e nada.
o nosso plano não existe mais
obrigado por não me acordar,
mas não preciso mais
não é apenas um café da manhã, quero andar sozinho
esqueça, já era. não prefiro assim mas tudo bem
afinal isso me disseram a vida toda
agora sou mais um e amanhã você vai me esquecer
não me importo mesmo, nem foi Darwin quem inventou os predadores
fazemos parte do sistema, do lado de baixo da ponte
entre o ser e o nada,
pode ser alguma coisa
mas esquece
amanhece, adormece, sedative..
tanto faz quero agora, promessas
e esquecer que quero esquecer
mas ainda quero morrer de amor
de sono ou de esquecimento, mas
amanhã
não é ironia,
é mesmo qualquer coisa
me beije e minta para mim
11.1.08
olhar sem ver e não pensar em nada
a espera dos dias, viver, à espera dos dias. o fim do dia, boemia
as rosas não falam, amigo Cartola, é o fim do dia, lá vem o samba
e mais outro dia,
tanto faz agora ..
.. diferença pouca
morro ou londres,
tanto faz, tem céu
mas sei
prefiro ser o que sou
do que ser o que eu era
"Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco. Com o conhecimento vem a dúvida."
"O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos."
"Quando um caminho chegar a um termo, muda. Depois de mudares, continua em frente."
"No fim do silêncio está a resposta. No fim dos nossos dias está a morte. No fim da nossa vida, um novo início."
10.1.08

AQUECIMENTO GLOBAL
Tente outra vez.
Fracasse outra vez.
Fracasse melhor."
- Samuel Barclay Beckett
Foram-se os anos ...
Foram-se os anos como as nuvens vão
E nunca mais retornarão um dia;
Já não me encantam hoje, como então,
Lendas e doinas, sons da fantasia
Que à mente de um menino foram graças
Mal compreendidas, cheias de um alarde –
Com tuas sombras hoje em vão me abraças,
Ó hora do mistério, ao fim da tarde.
Para arrancar um som do meu passado,
Para fazer-te, ó alma, ainda vibrar,
A mão em vão a lira tem tocado.
Perdeu-se tudo na alba do lirismo,
Calou-se a voz do outrora sublimado,
O tempo cresce em mim... e eu me abismo!
8.1.08
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