20.3.12

Sete Quedas


Natureza fractal diante dos olhos matutos do caatingueiro.

Sete quedas do Talhado antes de nascer o rio Mosquito.

Também são sete as quedas da cachoeira do Serrado,

sua outra metade mais alta, da mesma mãe Serra Geral.

Princípio do fim a que se destina a vivência do nascer.

Sete vôos do pequeno pássaro antes de aprender a voar.

Nascer sem saber o porquê e passar a vida toda vivendo.

Sete notas da canção antes de aprender o tocar da viola.

Sete cores naturais entre o verde e a palhada da seca.

Natureza fractal diante dos olhos matutos caatingueiro

e a leve sensação de saber por que se vive, sem saber..


12.3.12

Ser tão sertão


Ser tão seu

mas não ter certeza

ter tanta fé na sobremesa


Ser tão sério

mas só de brincadeira

ter tanta pretensão de se esconder


Ser tão

alegre na tristeza

ter tanta força de vontade para descansar


Ser tão genio

mas não fazer nada de genial.

Tenho tanto o mérito de nunca ser premiado


Ser tão normal

em um hospício comum

E se sentir lisonjeado por ser esquecido.




CARTAS PARA O FUTURO, outra parte

Chegamos ao poder?
Mas não sabemos o que fazer.

Era uma vez,
uma história que nunca será contada.
Era um pedaço de nada,
vindo de lugar nenhum.

Existe mais coisas entre a nossa consciência superficial
e a nossa parca capacidade de não mudarmos o mundo
do que julga a nossa tão existencial hipocrisia.

Estamos sós, onde quer que esteja.
E nesta condição não estamos sozinhos,
pois todo mundo está junto nesta solidão.
Neste mundo mal acompanhado.
Se existe vida inteligente
em algum lugar no espaço
cujos os quais não estamos entre eles.

Cartas para o tio Lennin não serão entregues,
pelo carteiro da Flórida antes do meio dia..
Antes, mais cedo, ela passa pela CIA e molha a bunda na bacia..

Eles pensam que sabem o que dizem
quando dizem que sabem o que pensam.

Quem não se importa com o futuro
tem a vida toda para esquecer de si mesmo,
como quem esquece as chaves de casa
do lado de dentro da rua, vendo as nuvens passar.

Vendendo as nuvens que passam
cobrando pedágio dos pássaros,

era um pequeno avião com rodas
era um paletó acima de botas

Que passou a vida toda sem viver,
para cavar a sua própria cova.

Estratégias de guerra para
perder o conhecimento.

Era um ventilador comum,
pregado na parede do esquecimento,
girando sobre o eixo de sua cabeça,
que tinha asas mas não podia sair pra voar.

me beije outra vez e 
depois cuspa o meu beijo na calçada
vomitarei no seu nome 
em ressaca da noite anterior
minha cabeça doendo, pensando nela
e eu esquecendo o meu nome..






3.3.12

REVOLUÇÃO DOS TÍMIDOS


Quero ser feliz também

Quero ver você voar também

Quero uma revolução

Quero esquecer tanto avião

Hoje não morreu ninguém

Hoje na TV não morreu ninguém

Quero uma canção sem fim

Quero uma revolução pra mim

Hoje não vai fazer sol

Quero uma canção em lá menor

Hoje o dia não tem fim

De você quero você pra mim

Pois daqui ta tudo bem

Você vai ver que não tem ninguém

Que veio nos visitar

No mundo onde você está

Quero ser feliz também

Quero ver você voar também

Quero outra revolução

Quero esquecer tanto avião

Hoje não morreu ninguém

Hoje na TV não morreu ninguém

Quero uma canção sem fim

Quero uma revolução pra mim