eu pensava o tempo todo e nunca parava de pensar. eu chegava a me preocupar com grandes causas humanitárias. eu pensava como pode o mar não derramar se o planeta terra ficava flutuando no céu. eu pensava como o universo pode ser preto, e era preto em todas as fotografias que eu via nos livros, pois quando era dia o céu era azul ou branco. ou então comecei a desconfiar que os fotógrafos do universo só trabalhassem à noite. estranho isso, pois a maioria das pessoas trabalhavam de dia. dizem que quem não trabalha de dia é vagabundo. todos que eu já ví chamarem de vagabundo tomam cerveja. não sei se os fotógrafos do universo de dia tomam cerveja. tomar cerveja é coisa de adulto. cerveja tem um gosto ruim, muito ruim, igual de chimarrão. adultos tomam cerveja e chimarrão. quando as pessoas crescem têm gostos muito esquisitos. o meu tio mesmo enche o prato de pimenta e ele sabe que arde e continua colocando pimenta. isso é uma coisa que eu nunca consegui entender. não conseguir entender é uma coisa normal para mim, sempre diziam: um dia você vai entender. quase que tentei parar de tentar entender, pois se um dia eu vou entender então não precisaria preocupar por um bom tempo..
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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana