29.6.09


como se diferente fosse
como se fizesse alguma diferença
como se nada fosse
como se fosse nada
nada de mais
nada comum
nada através
nada, enfim, nada
tudo bem, como sempre foi
como se eu fosse dizer se não tivesse tão bem assim
nada diferente deste lado de cá do rio
uma palavra apenas e um pedaço que ficou

26.6.09

Mestre Quintana
fluir

possíveis destinos da chuva
e uma saudade sem motivo
nada além desta anti-matéria

enfim, nada mais a esquecer
pretendo alcançar a novidade
ser nuvem que sempre passa
Primitivo

se ainda tenho vergonha de atravessar a calçada
como se atrevimento fosse não ter asas pra voar
nascido nas nuvens, olhava o chão como fosse céu
pensava consigo, o passarinho, será que consigo?

23.6.09




















..ouvindo Chico Buarque. violão, banco e calçada. como sentar em frente de casa em uma quarta feira à tarde de meio sol mesmo sendo adulto, em uma quarta feira à tarde, e vendo um carregamento de tijolos sentir culpa por não trabalhar naquele momento mesmo estando de férias mesmo cansado. satisfeito em reencontrar amigos que passam na rua, amigos que não via pois estava dentro da sala, elevador, escadas, protocolos e subsolos sem ver o sol. o som do Chico é como voz de amigo falando, mesmo quando não se precisa falar nada importante, quando se precisa falar qualquer coisa sobre o mundo, mulheres ou qualquer coisa mesmo..

18.6.09



barulhinho

todo mundo tem um barulhinho dentro de si
que toca o tempo todo que a gente nem ouve
uma musicazinha, musiquinha que não pára
que ritima o coração e os passos na calçada
e que por tanto tempo que toca, tempo todo
tanto que agora toca, passa por esquecimento
que às vezes a gente nem ouve e adormece..








17.6.09

memórias da infância II

eu pensava o tempo todo e nunca parava de pensar. eu chegava a me preocupar com grandes causas humanitárias. eu pensava como pode o mar não derramar se o planeta terra ficava flutuando no céu. eu pensava como o universo pode ser preto, e era preto em todas as fotografias que eu via nos livros, pois quando era dia o céu era azul ou branco. ou então comecei a desconfiar que os fotógrafos do universo só trabalhassem à noite. estranho isso, pois a maioria das pessoas trabalhavam de dia. dizem que quem não trabalha de dia é vagabundo. todos que eu já ví chamarem de vagabundo tomam cerveja. não sei se os fotógrafos do universo de dia tomam cerveja. tomar cerveja é coisa de adulto. cerveja tem um gosto ruim, muito ruim, igual de chimarrão. adultos tomam cerveja e chimarrão. quando as pessoas crescem têm gostos muito esquisitos. o meu tio mesmo enche o prato de pimenta e ele sabe que arde e continua colocando pimenta. isso é uma coisa que eu nunca consegui entender. não conseguir entender é uma coisa normal para mim, sempre diziam: um dia você vai entender. quase que tentei parar de tentar entender, pois se um dia eu vou entender então não precisaria preocupar por um bom tempo..





















memórias da infância
I

entre os antigos, as crianças eram miniadultos que não sabiam de nada. era assim que eu vivia, eles não me perguntavam nada, mas também não sabiam que eu sabia de tudo. eu pensava o tempo todo, eu não sabia mas era sobre economia, sociedades e culturas. eu via o mapa mundi pendurado na parede e ficava horas e horas navegando pelos mares, pelos lugares com nomes esquisitos pela Ásia e tentava imaginar como os gregos conviviam com os seus vizinhos turcos. eu pensava nos turcos pois eram os únicos estrangeiros que eu conhecia e eram vendedores de tecidos. eu pensava em deixar alguma coisa tipo uma folha de árvore no bolso da camisa de um dos turcos pra ver se ele levava essa folha pra Turquia, mas eu nunca ia saber. eu nunca cheguei perto deles, mas toda vez que eles estavam andando na rua minha tia dizia; olha os turcos, e eu olhava. eu pensava nos gregos pois era o que mais se falava no livro de desenhos da minha avó. eu nunca entendi porque se falava tanto nos gregos se foram os portugueses descobriram o Brasil, aliás acho que os protugueses fizeram tanta raiva aos brasileiros que tentamos nos vingar fazendo o livro da minha avó só com os gregos. os gregos devem ser pessoas gente boa, mas acho que não conversavam muito porque viviam o tempo todo só pensando. acho que deve ser legal ver pessoas que ficam o tempo todo pensando. pensar era a coisa que eu mais fazia..

15.6.09

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"
John Lennon
"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"

12.6.09

qualquer coisa por nada,
você dormia e eu acordava.
abria a geladeira e não havia nada
um copo com gelo é apenas
um copo com gelo antes de derreter
um copo com gelo derretido
é apenas um copo com um pouco de água

e daí?
ela disse adeus sem olhar nos meus olhos.
ela nunca mais voltou pra dizer qualquer coisa.
tudo bem, se isto sempre acontece comigo..

que o destino nunca me dedicou uma destas
histórias da televisão com final feliz e letrinhas subindo..

não há novidade neste caso, afinal.
ainda tenho relativa sorte em estar vivo
e com todos os dentes da frente, ainda que tortos.
tenho alergia às primeiras flores da primavera
e tenho dois dedos que não dobram mais
tudo bem quando se acostuma a não esperar
um cara assim como eu, tão normal, apenas.
apenas um entre tantos outros, loucos..



10.6.09

Não entendo como tanta gente pode ser enganada ao mesmo tempo por tanto tempo, sobre religião.

9.6.09

“Pouco prazer não é coisa pro meu coração que foi feito pra grande paixão
Para os amores maiores como o meu”
Sérgio Sampaio

"O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula."

Aristóteles - "Política", 1252 b.

8.6.09

Para Lévi-Strauss, diferentemente do funcionalismo de Lévy-Bruhl ou do existencialismo de Sartre, a diferença entre o primitivo e o moderno não está propriamente no campo das formas de representação do homem no mundo e do mundo no homem, mas na forma de expressão dessas relações.

transformado / natural e cultura / natureza

i feel like a trash

depois de tanto tempo calado e tanta besteira dizer agora
quebrei todos os vidros que eu mesmo havia construído
tarde de mais para se despedir, cacos não respondem mais
prefiro agora um copo meio vazio de um líquido inflamável
que perceber aos poucos estar evaporando à beira do fogo

acho que é isso e não posso pensar em me arrepender
não sinto tanta culpa agora de quando eu estava certo
e não tenho idéia agora de quando e onde me encontro
tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto

5.6.09

Mande um abraço pra velha

Os Mutantes

Já faz tempo pacas
Que eu não vinha aqui cantar no festival
Eu não vou ganhar, quem sabe até eu vou perder ou empatar

Nós não estamos nem aí
Nós queremos é piar
Nós estamos é aquiAlinhar à direita

E sua mãe onde é que está?

Mande um abraço pra velha

Diga pra ela se tratar

Você pensa que cachaça é água

Mas cachaça é água não
É não

Você pensa que eu estou brincando

Mas brincando eu não estou não
Estou não
Estou não

Imagine um festival

Sem caretas e no sol
Imagine um festival com a sua mãe e o Juvenal

4.6.09

Paradoxo do corvo

Uma das concepções da epistemologia da ciência, no caso, da teoria verificacionista de fundamentação de uma teoria científica, é de que casos particulares corroboram com asserções universais. Assim, "Este corvo é preto" corrobora com "Todos corvos são pretos". Hempel questionou isto com o seguinte paradoxo:

"Todos corvos são pretos" é logicamente equivalente a "Tudo que não é preto não é corvo".

∀x(Cx → Px) ≡ ∀x(¬Px → ¬Cx)
Assim, se ∃x(Cx ∧ Px) corrobora com ∀x(Cx→Px),
então ∃x(¬Cx ∧ ¬Px) corrobora com ∀x(¬Px→¬Cx) que,
sendo aquivalente a ∀x(Cx→Px), esta seria corroborada também.

Isto quer dizer que, se "Este corvo é preto" corrobora com "Todos corvos são pretos", então "Este não-corvo não é preto" corrobora com "Tudo que não é preto não é corvo" que, sendo equivalente a "Todos os corvos são pretos", esta seria corroborada também. Ou seja, se aceitarmos que casos particulares corroboram com asserções universais, deveríamos aceitar que a verdade de "Esta maçã é vermelha" ou "Aquela folha é verde" corrobora com "todos corvos são pretos".

Não se trata aqui de um paradoxo no sentido estrito da palavra. Afinal não há uma contradição. Isso consiste mais em uma demonstração de que se a teoria verificacionista procedesse, ter-se-ia de aceitar que banalidades quaisquer corroboram com uma teoria científica.

2.6.09

e tão necessário perder-se
que encontrar uma saída
tese fundamental não há
além da falta de regras