6.3.09

tão somente um velho bêbado atravessando a rua em uma manhã de segunda feira..
o mesmo gosto de guarda chuva na boca de todas as segundas feiras de manhã e provavelmente a mesma cara amassada que sei que estou mesmo antes de olhar no espelho. acordar já foi uma tarefa mais fácil antes dos primeiros goles, sonhar é realmente um sonho. já não compro pães de manhã como o rito de passagem diário das tradicionais famílias comuns deste lado aqui e já não me preocupo muito em pentear o cabelo quando já não tenho tantos. as garotas não me olham mais como antes senão como agora de um susto quando vêem um velho de manhã atravessando a rua. se pensam que estou estremecido, na verdade estou bêbado e ainda posso me entorpecer sozinho. mas este é um problema se mesmo quando tenho coragem é para voltar pra casa e descansar novamente. o que o destino fez, momento algum percebí até o momento que me encontro. como cheguei a ser este velho bôbo, bêbado e eternamente ressaqueado com o mundo como em manhãs de segunda feira atravessando a rua. quando pequeno pensava em ser um velho bondoso, idiota, sorriso lento e largo, mas estou mais para um número nas estatísticas negativas da previdência social, um desconhecido na fila de um hospital sujo, sem nenhuma história pra contar, um bêbado fraco e largado. policiais não me revistam mais, mulheres me olham sem qualquer profundidade sensual. velho é o primeiro adjetivo a que me atribuem, e por uma questão de tempo já me dirão que cheguei ao fim. se todos dizem, me resta o tudo bem, mas não falo nada. ninguém espera pra me ouvir dizer nesta oratória insana de reclamar de tudo. sei que estou acabado e talvez até um velho chato, confesso que tentei ser pior e não me causa qualquer expectativa saber onde termina tudo isto, visto que nem eu gostaria de ir ao meu enterro. e não gostaria que me vissem assim.
* dedicado a Charles Bukowski

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana