20.3.09





















They all drive killer cars

18.3.09

A primeira coisa que lembro de ouvir minha avó dizer foi:
- Enterrarei todos vocês!
Ela disse isso pela primeira vez logo antes da refeição, e voltaria a repeti-lo por diversas vezes ainda, sempre antes de começarmos a comer. Comer parecia muito importante. Comíamos purê com molho de carne, especialmente aos domingos. Também comíamos rosbife, knockwurst e chucrute, ervilhas, ruibarbo, cenouras, espinafre, feijão-fradinho, galinha, almôndega e espaguete, algumas vezes misturados com ravióli; havia sopas de cebola e de aspargo; e todos os domingos, torta de morango com sorvete de baunilha. No café-da-manhã, tínhamos torradas e salsichas, ou então bolinhos, ou waffles servidos com bacon e ovos mexidos. E sempre havia café. Mas a lembrança mais forte que tenho é dos purês com molho de carne e minha avó Emily dizendo: -Enterrarei todos vocês!
Bukowski - Misto Quente (p.12)

17.3.09


sentado sobre o muro da displicência
procurando novas provas de existência
mesmo nas asas de um pássaro qualquer
ou folhas de árvores na ação do vento
ainda esperava chuva contra o silêncio
mas não via nada que lhe tirasse do lugar
percebia-se fora de qualquer aspecto
a que se pode nominar matéria tão diversa
separava o corpo da palavra e assim
despedia de si mesmo como se fosse outro



























d20

16.3.09

poesia-letra
poesia-palavra
poesia-ordem
poesia-código
poesia-sistema
poesia-numero
poesia-marcapasso
poesia-pinga
poesia-progresso
poesia-cocacola
poesia-farofa
poesia-dofuturo
poesia-servepranada
poesia-gatomolhado
poesia-perdidosnoespaço
poesia-vagabundo
poesia-vagalume
poesia-espelho
poesia-aiseop
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

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zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

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12.3.09







tudo bem quando nem toda razão é uma fórmula matemática
e não tenho pensado muito em calculadoras
ou lojas de inutilidades descartáveis,
que só falei isto para caber em um verso,
se dizem que todo verso é poesia,
e poesia é alguma coisa que não isto que lhes digo,
nem por isso caberia em um verso amargo comprimido
em linhas retas de um lado ao outro sem olhar para trás.
e lá vem o poeta novamente contracenando gestos
na avenida que se cala sob os olhares tortuosos
dos transeuntes encabulados .. enfim
vocês já sabem o resto da Estória

10.3.09


maisumacanção

às vezes é melhor não cantar uma canção
do que perder a hora da primavera passar
sim e tudo bem se esta parece ser apenas
mais uma dessas poesias idotas que faço
se não penso muito bem que ás vezes faço
e minhas palavras não são mais estas agora
se não é quem vai me redimir, quem então
se quando vejo a hora certa nunca é esta e
eu posso escolher a hora de voltar pra casa
se qualquer hora é um momento no espaço
todo momento é um momento momento m
tudo bem, se não é assim mesmo, tudo bem


6.3.09


tão somente um velho bêbado atravessando a rua em uma manhã de segunda feira..
o mesmo gosto de guarda chuva na boca de todas as segundas feiras de manhã e provavelmente a mesma cara amassada que sei que estou mesmo antes de olhar no espelho. acordar já foi uma tarefa mais fácil antes dos primeiros goles, sonhar é realmente um sonho. já não compro pães de manhã como o rito de passagem diário das tradicionais famílias comuns deste lado aqui e já não me preocupo muito em pentear o cabelo quando já não tenho tantos. as garotas não me olham mais como antes senão como agora de um susto quando vêem um velho de manhã atravessando a rua. se pensam que estou estremecido, na verdade estou bêbado e ainda posso me entorpecer sozinho. mas este é um problema se mesmo quando tenho coragem é para voltar pra casa e descansar novamente. o que o destino fez, momento algum percebí até o momento que me encontro. como cheguei a ser este velho bôbo, bêbado e eternamente ressaqueado com o mundo como em manhãs de segunda feira atravessando a rua. quando pequeno pensava em ser um velho bondoso, idiota, sorriso lento e largo, mas estou mais para um número nas estatísticas negativas da previdência social, um desconhecido na fila de um hospital sujo, sem nenhuma história pra contar, um bêbado fraco e largado. policiais não me revistam mais, mulheres me olham sem qualquer profundidade sensual. velho é o primeiro adjetivo a que me atribuem, e por uma questão de tempo já me dirão que cheguei ao fim. se todos dizem, me resta o tudo bem, mas não falo nada. ninguém espera pra me ouvir dizer nesta oratória insana de reclamar de tudo. sei que estou acabado e talvez até um velho chato, confesso que tentei ser pior e não me causa qualquer expectativa saber onde termina tudo isto, visto que nem eu gostaria de ir ao meu enterro. e não gostaria que me vissem assim.
* dedicado a Charles Bukowski

há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontralá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assimcom o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?


Charles Bukowski

5.3.09


penso que é difícil não
sonhar o tempo todo
em um mundo tão real
quando estou com a cabeça vazia penso em algumas coisas que eu não pensaria em um dia comum. penso que tenho saudade dos seus pequenos defeitos. momentos imperfeitos ao seu lado me fizeram dormir mais cedo e talvez isto tenha me acrescentado uns 10 minutos de vida se eu não morrer por motivo de acidente. das vezes que você sorriu em quase todas eu sorria também.
às vezes me sinto um pouco agradecido por estes dias que passamos juntos, mas gratidão não tem nada a ver com isso. acho que estou ficando nostálgico demais pra escrever sobre o futuro e isso pode me tirar uns 10 minutos de vida se eu morrer de causas naturais. mas isso também não é nada, levando em consideração que gastei mais de dez minutos escrevendo este texto tolo pra fazer um leitor inútil como você perder uns dois minutos para ler..
tudo bem, já estamos no fim do texto e você já perdeu muito mais tempo do que isso lendo outras coisas piores do que isto..

4.3.09

pode ser que sim.. talvez não

se eu te vejo impossível através de uma lente distante,
meus pés reclamam da estrada pela distância dos olhos
e eu não tenho muito mais o que dizer neste momento.

existencialismo demodê
tento me desconcentrar do imaginário abstrato.
pois nada mais inútil do que qualquer coisa com
questionamento existencial barato, cigarros apagados.
se precisa esperar cinco minutos até o sinal abrir
para ter dois minutos pra a travessar, tudo bem.
se ninguém importa quando ninguém bate na porta
tudo bem, então, se não tem ninguém pra abrir.



3.3.09

displicente..

vizinho das coisas distantes..
se pintasse o planeta de azul.
se ninguém me ver, tudo bem

.se corresse pra ver outro sol.
diz que todo mundo pode vir
e outra nuvem e outra mais..