Avesso das causas comuns e dos espíritos insolentes, herói dos desavisados e perdidos do quase nada. O que temos mesmo a perder senão a própria condição a que fomos enquadrados? E lá vem uma pergunta assim de repente. Que tédio, penso. Penso. Penso insolene, escrever assim. Mesmo quando, enfim. Nunca estive preparado para esquecer de repente. Um momento, tenho algo a dizer. Silêncio, silêncio, silêncio. Espera um pouco. Silêncio, silêncio, silêncio. Sim, sim. Tá bom, um momento. Silêncio, silêncio. Silêncio aí, ou. Ou, enfim. Tenho, tenho. Não, não tenho. Sim, tenho o nada. Enfim, tudo bem, esqueça. Não importa a arte. Qualquer coisa justifica. Meu teclado já não deixa de reconhecer o que significa escrever tanto e tantos paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas. E quando será que tudo isso vai acabar? Mas afinal o que tudo isso significa? Significa, significa, significa. Senão, a nossa própria destruição. Se nossa única certeza é a morte -todos dizem, hey!- ..então, eles dizem, estamos à beira do abismo esperando. Sim, sim. Esperando a nossa vez. Oh, não.. Isto é um sim! O fim está vivo, perto e vindo. Yeah, está chegando a nossa vez. Isto é bom, afinal? Não sabemos se o mundo é quadrado ou redondo e bem naquela curva tudo pode cair. Viver é a fila de espera. O amor é a pessoa que você gostaria que esperasse ônibus ao seu lado. O mundo é o ponto de ônibus. Sexo é sentar ao lado de alguém no ônibus e encostar a perna. E eu nunca mais fui à escola. Dizem que pra mim já acabou, mas ainda não sei de nada. Penso nestas coisas simples que se esquece justamente do que somos. E ainda estamos na sala de espera. O amor é um sem-motivo qualquer que nos aparece assim sem querer. Viver é estar dopado e sem saber esperando o tempo passar. O amor não existe, existe amor. Existir é a forma mais absolutamente ridícula de se dizer.. ah, tudo bem, deixa pra lá.. Mesmo. Nada não existe, porque não existir é o mesmo que existir só que ao contrário. Portanto, não-existir é também uma forma de existir. O que importa? Quem se importa? Quais os motivos meramente importantes? Quem se importa com o que vai acontecer. Somos nada. Nada, nada. Sim, somos. Somos algo, nada. Sim, tudo bem. Viver é também se explicar ao contrário. Esqueça, sim, eu não entendo sobre este grande nada. Falta perspectiva e ainda olhar pra traz. Aurora, não é mais como outrora. E o que somos, civilização, além de nada. Somos muitos. Somos muita coisa, entre elas nada. Um exército de nadas, um formigueiro de nada, uma nação ao contrário. Sim, este é o grande nada. Este é o começo. Foda-se, se repito quantas vezes, tudo bem. Este é o começo do fim. Começo do nada. Estamos a caminho, estamos longe, estamos perto. Perto do nada. Mas sim, nem tudo é nada. Embora, de onde viemos, para onde vamos: lugar nenhum. Bem vindo. Enfim, realidade. Somos todos nós, humanidade. E nem um pouco de humildade. Uma grande mentira mal contada.
17.2.09
Avesso das causas comuns e dos espíritos insolentes, herói dos desavisados e perdidos do quase nada. O que temos mesmo a perder senão a própria condição a que fomos enquadrados? E lá vem uma pergunta assim de repente. Que tédio, penso. Penso. Penso insolene, escrever assim. Mesmo quando, enfim. Nunca estive preparado para esquecer de repente. Um momento, tenho algo a dizer. Silêncio, silêncio, silêncio. Espera um pouco. Silêncio, silêncio, silêncio. Sim, sim. Tá bom, um momento. Silêncio, silêncio. Silêncio aí, ou. Ou, enfim. Tenho, tenho. Não, não tenho. Sim, tenho o nada. Enfim, tudo bem, esqueça. Não importa a arte. Qualquer coisa justifica. Meu teclado já não deixa de reconhecer o que significa escrever tanto e tantos paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas. E quando será que tudo isso vai acabar? Mas afinal o que tudo isso significa? Significa, significa, significa. Senão, a nossa própria destruição. Se nossa única certeza é a morte -todos dizem, hey!- ..então, eles dizem, estamos à beira do abismo esperando. Sim, sim. Esperando a nossa vez. Oh, não.. Isto é um sim! O fim está vivo, perto e vindo. Yeah, está chegando a nossa vez. Isto é bom, afinal? Não sabemos se o mundo é quadrado ou redondo e bem naquela curva tudo pode cair. Viver é a fila de espera. O amor é a pessoa que você gostaria que esperasse ônibus ao seu lado. O mundo é o ponto de ônibus. Sexo é sentar ao lado de alguém no ônibus e encostar a perna. E eu nunca mais fui à escola. Dizem que pra mim já acabou, mas ainda não sei de nada. Penso nestas coisas simples que se esquece justamente do que somos. E ainda estamos na sala de espera. O amor é um sem-motivo qualquer que nos aparece assim sem querer. Viver é estar dopado e sem saber esperando o tempo passar. O amor não existe, existe amor. Existir é a forma mais absolutamente ridícula de se dizer.. ah, tudo bem, deixa pra lá.. Mesmo. Nada não existe, porque não existir é o mesmo que existir só que ao contrário. Portanto, não-existir é também uma forma de existir. O que importa? Quem se importa? Quais os motivos meramente importantes? Quem se importa com o que vai acontecer. Somos nada. Nada, nada. Sim, somos. Somos algo, nada. Sim, tudo bem. Viver é também se explicar ao contrário. Esqueça, sim, eu não entendo sobre este grande nada. Falta perspectiva e ainda olhar pra traz. Aurora, não é mais como outrora. E o que somos, civilização, além de nada. Somos muitos. Somos muita coisa, entre elas nada. Um exército de nadas, um formigueiro de nada, uma nação ao contrário. Sim, este é o grande nada. Este é o começo. Foda-se, se repito quantas vezes, tudo bem. Este é o começo do fim. Começo do nada. Estamos a caminho, estamos longe, estamos perto. Perto do nada. Mas sim, nem tudo é nada. Embora, de onde viemos, para onde vamos: lugar nenhum. Bem vindo. Enfim, realidade. Somos todos nós, humanidade. E nem um pouco de humildade. Uma grande mentira mal contada.
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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana