17.2.09

tenho perdido tantas coisas, principalmente palavras. que ninguém nos ouça, não creio ser assim tão justa esta nossa causa. somos tão poucos, mas ninguém crê. outra vez o nada. ninguém acredita. ninguém, personificação do nada. e ainda assim, enfim. vocês já sabem em grande parte tudo o que eu queria, enfim, dizer. vírgulas, pontos e vírgulas e ainda assim nada no final. mas eu não disse nada. nem eu mesmo sei. depois de tanto silêncio, véspera de um momento em que nada acontece. depois de tanto bater a cabeça na parede, depois de tantas vezes ser questionado. depois de tanto tempo sem ser questionado. ora, justo quem deveria questionar. ora justo quem deveria não questionar. se eu estivesse no meio da rua, nenhum carro a me atropelar, encontro imediatos muros formados em minha frente e o tempo que passou foi só aquele que nos impede de voltar atrás. e o que virá quase nada temos a dizer. novamente me vem à mente, justo o nada, matéria de todas as coisas, agora se diz em tudo. não digo nada e não vejo ninguém.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana