27.2.09



a história dos perdedores nunca será escrita senão de modo a ser esquecida. quem inventou a competição também perdeu, a oportunidade de ficar calado e fazer um mundo menos pior, se é que isso é possível ainda que na ortografia oficial. a história comum nos parece um quadro realista fora da nossa realidade e o que não dizem muito. muito menos nos diz respeito. pouco me interessa os senadores do império que constituiram os princípios morais da burguesia nacional, tampouco me tira o sono o nome da rua de algum coronel careca de uma cidade qualquer, que nem me atinge palavras lançadas de cima de um altar ou depois de uma guerra de pobres mortos comemorada em banquetes reais. não me importa o que já se sabe, pouco diz quem somos a história do vencedor, somente há espaço para um no ponto mais alto das glórias do sucesso. viramo-no pois a pirâmide de nossas cabeças e possamos acima, estar a grande maioria pessoas comuns e tão próximos ancestrais que venceram jamais. enfim, dizem, no mais, foda-se o resto ..

26.2.09

encontrei uma foto velha
em uma gaveta fechada
a foto olhou pra mim e
eu não pensei em nada..





..
perdidos no espaço,
mas quem não está?
odeio perguntas
a esta hora da manhã
mas não é manhã,
a não ser em taiwan.
eu nunca fui a taiwan
mas odeio perguntas de manhã
não tinha outro lugar pra rimar?
até tinha, mas não fica no lado de lá

25.2.09



distante. você não me diz nada sempre a esta hora
percebe tarde que perdeu a pouca sorte que tinha

você me disse que não pode me ajudar tanto assim
mas também tarde, foi eu que agora não percebia
que você sofre também ao me fazer sofrer assim.

tudo bem. digo que não doeu. e deixar depois enfim
se lamentar, esquecer e cometer os mesmos erros..
estes, mesmos velhos erros que eu escolhi pra mim.

20.2.09


marcas de sapato no telhado
e um marcapasso no coração

salada russa e bife mal passado
você usa vocabulários estranhos

sempre levo chapéu no bolso
caso chova em nuvens acima
mas nunca me preocupo em
chegar em casa molhado, sim
também somos feitos de água
e doses de outras coisas mais

17.2.09


esperam que eu cante uma bossa nova, que diga coisas belas e não questione os céus. que fim então haverá viver em um mundo que diz o que espera que façamos? viver e não poder escolher é como escolher não-viver. mãos para o céu são também mãos ao alto, religiões e assaltos. bem vindo, afinal. tudo bem, este é apenas o fim do mundo.
tenho perdido tantas coisas, principalmente palavras. que ninguém nos ouça, não creio ser assim tão justa esta nossa causa. somos tão poucos, mas ninguém crê. outra vez o nada. ninguém acredita. ninguém, personificação do nada. e ainda assim, enfim. vocês já sabem em grande parte tudo o que eu queria, enfim, dizer. vírgulas, pontos e vírgulas e ainda assim nada no final. mas eu não disse nada. nem eu mesmo sei. depois de tanto silêncio, véspera de um momento em que nada acontece. depois de tanto bater a cabeça na parede, depois de tantas vezes ser questionado. depois de tanto tempo sem ser questionado. ora, justo quem deveria questionar. ora justo quem deveria não questionar. se eu estivesse no meio da rua, nenhum carro a me atropelar, encontro imediatos muros formados em minha frente e o tempo que passou foi só aquele que nos impede de voltar atrás. e o que virá quase nada temos a dizer. novamente me vem à mente, justo o nada, matéria de todas as coisas, agora se diz em tudo. não digo nada e não vejo ninguém.


Avesso das causas comuns e dos espíritos insolentes, herói dos desavisados e perdidos do quase nada. O que temos mesmo a perder senão a própria condição a que fomos enquadrados? E lá vem uma pergunta assim de repente. Que tédio, penso. Penso. Penso insolene, escrever assim. Mesmo quando, enfim. Nunca estive preparado para esquecer de repente. Um momento, tenho algo a dizer. Silêncio, silêncio, silêncio. Espera um pouco. Silêncio, silêncio, silêncio. Sim, sim. Tá bom, um momento. Silêncio, silêncio. Silêncio aí, ou. Ou, enfim. Tenho, tenho. Não, não tenho. Sim, tenho o nada. Enfim, tudo bem, esqueça. Não importa a arte. Qualquer coisa justifica. Meu teclado já não deixa de reconhecer o que significa escrever tanto e tantos paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas, paradigmas. E quando será que tudo isso vai acabar? Mas afinal o que tudo isso significa? Significa, significa, significa. Senão, a nossa própria destruição. Se nossa única certeza é a morte -todos dizem, hey!- ..então, eles dizem, estamos à beira do abismo esperando. Sim, sim. Esperando a nossa vez. Oh, não.. Isto é um sim! O fim está vivo, perto e vindo. Yeah, está chegando a nossa vez. Isto é bom, afinal? Não sabemos se o mundo é quadrado ou redondo e bem naquela curva tudo pode cair. Viver é a fila de espera. O amor é a pessoa que você gostaria que esperasse ônibus ao seu lado. O mundo é o ponto de ônibus. Sexo é sentar ao lado de alguém no ônibus e encostar a perna. E eu nunca mais fui à escola. Dizem que pra mim já acabou, mas ainda não sei de nada. Penso nestas coisas simples que se esquece justamente do que somos. E ainda estamos na sala de espera. O amor é um sem-motivo qualquer que nos aparece assim sem querer. Viver é estar dopado e sem saber esperando o tempo passar. O amor não existe, existe amor. Existir é a forma mais absolutamente ridícula de se dizer.. ah, tudo bem, deixa pra lá.. Mesmo. Nada não existe, porque não existir é o mesmo que existir só que ao contrário. Portanto, não-existir é também uma forma de existir. O que importa? Quem se importa? Quais os motivos meramente importantes? Quem se importa com o que vai acontecer. Somos nada. Nada, nada. Sim, somos. Somos algo, nada. Sim, tudo bem. Viver é também se explicar ao contrário. Esqueça, sim, eu não entendo sobre este grande nada. Falta perspectiva e ainda olhar pra traz. Aurora, não é mais como outrora. E o que somos, civilização, além de nada. Somos muitos. Somos muita coisa, entre elas nada. Um exército de nadas, um formigueiro de nada, uma nação ao contrário. Sim, este é o grande nada. Este é o começo. Foda-se, se repito quantas vezes, tudo bem. Este é o começo do fim. Começo do nada. Estamos a caminho, estamos longe, estamos perto. Perto do nada. Mas sim, nem tudo é nada. Embora, de onde viemos, para onde vamos: lugar nenhum. Bem vindo. Enfim, realidade. Somos todos nós, humanidade. E nem um pouco de humildade. Uma grande mentira mal contada.

13.2.09




JOHN FRUSCIANTE: THE EMPYREAN

11.2.09




















The Flying Spaghetti Monster


- cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

4.2.09

controle remoto
com fone de ouvido


música de elevador1234
i_marginall the peoplee
musica_alcool]ternativa
poema_______proesia























homiepie















lily allen















damien rice

3.2.09