16.10.09

entretanto

tanto

metáfora
derradeira

nota e fim
da última
sinfonia

20.8.09

¿Catilina abusa de nossa paciência¿

¿
Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Indagou Marco Túlio Cícero ao Senador Lúcio Sérgio Catilina, a 8 de novembro de 63 a.C., em Roma. Flagrado em atitudes criminosas. Catilina se recusa a renunciar ao mandato.

Cícero, orador emérito, respeitado por sua conduta ética na política e na vida pessoal, pôs em sua boca a indignação popular: ¿Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disso conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?¿
¿Ó tempos, ó costumes!¿, exclamou Cícero, movido por atormentada perplexidade diante da insensibilidade do acusado. ¿Que há, pois, ó Catilina, que ainda agora possas esperar, se nem a noite, com suas trevas, pode manter ocultos os teus criminosos conluios; nem uma casa particular pode conter, com suas paredes, os segredos da tua conspiração; se tudo vem à luz do dia, se tudo irrompe em público?

Jurista, Cícero se esforçou para que Catilina admitisse os seus graves erros: ¿É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia¿.
Se Catilina permanecia no Senado, não era apenas a vontade própria que o sustentava, mas sobretudo a cumplicidade dos que teriam a perder, com a renúncia dele, proveitos políticos. Daí a exclamação de Cícero: ¿Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?¿
Cícero não temia ameaças e expressava o que lhe ditava o decoro: ¿Já não podes conviver por mais tempo conosco; não o suporto, não o tolero, não o consinto. (¿) Que nódoa de escândalos familiares não foi gravada a fogo na tua vida? Que ignomínia de vida particular não anda ligada à tua reputação? (¿) Refiro-me a fatos que dizem respeito não à infâmia pessoal dos teus vícios, não à tua penúria doméstica e à tua má fama, mas sim aos superiores interesses do Estado e à vida e a segurança de todos nós¿.
Os crimes de Catilina escancaravam-se à nação. Seus próprios pares o evitavam, como assinalou Cícero: ¿E agora, que vida é essa que levas? Desejo neste momento falar-te de modo que se veja que não sou movido pelo rancor, que eu te deveria ter, mas por uma compaixão que tu em nada mereces. Entraste há pouco neste Senado. Quem, dentre esta tão vasta assembléia, dentre todos os teus amigos e parentes, te saudou?
Se isso, desde que há memória dos homens, a ninguém aconteceu, ainda esperas que te insultem com palavras, quando te encontras esmagado pela pesadíssima condenação do silêncio?¿
Catilina fingia não se dar conta da gravidade da situação. Fazia ouvidos moucos, jurava inocência, agarrava-se doentiamente a seu mandato.

¿Se os meus escravos me temessem da maneira que todos os teus concidadãos te receiam¿, bradou Cícero, ¿eu, por Hércules, sentir-me-ia compelido a deixar a minha casa; e tu, a esta cidade, não pensas que é teu dever abandoná-la? E se eu me visse, ainda que injustamente, tão gravemente suspeito e detestado pelos meus concidadãos, preferiria ficar privado da sua vista a ser alvo do olhar hostil de toda a gente; e tu, apesar de reconheceres, pela consciência que tens dos teus crimes, que é justo e de há muito merecido o ódio que todos nutrem por ti, estás a hesitar em fugir da vista e da presença de todos aqueles a quem tu atinges na alma e no coração?¿

Cícero não demonstrava esperança de que seu libelo fosse ouvido: ¿Mas de que servem as minhas palavras? A ti, como pode alguma coisa fazer-te dobrar? Tu, como poderás algum dia corrigir-te?¿ E não poupou os políticos que, apesar de tudo, apoiavam Catilina: ¿Há, todavia, nesta ordem de senadores, alguns que ou não veem aquilo que nos ameaça ou fingem ignorar aquilo que veem.¿

Acuado, Catilina se refugiou na Etrúria e morreu em 62 a.C. Cícero, afastado do Senado por Júlio César, foi assassinado em 43 a.C. Um século depois, Calígula, desgostoso com o Senado, nomearia senador seu cavalo Incitatus, com direito a 18 assessores, um colar de pedras preciosas, mantas de cor púrpura e uma estátua, em tamanho real, de mármore com pedestal em marfim.

Frei Beto

19.8.09

cura e meditação

tudo sobre o nada.

eu estava lúcido,
só que do outro lado.

ela me disse algumas coisas
que não me lembro bem.
ela disse pra eu não me esquecer
mas só me lembro desta parte..

eu tinha a mesma idade que tenho agora
só que em outro calendário, caleidoscópio..















"Post Office" (1971, traduzido no Brasil como "Cartas na Rua") foi o primeiro livro de enorme sucesso do poeta, bêbado, mulherengo e lúcido Charles Bukowski, morto em 1994.

Quando ainda trabalhava no correio, Bukowski (que já publicara poemas e contos em revistas do submundo) teve a oferta da editora Black Sparrow Press para ganhar uma módica renda mensal só para escrever.

"Post Office", de quase 200 páginas, saiu de sua máquina em um mês.

Questionado sobre como pôde escrever o livro em tão pouco tempo, Bukowski, que sempre sonhara em ser só escritor, disse: "Out of fear" (por medo; de voltar aos correios).

14.8.09


woodstock 40 anos

It’s Very Nice Pra Xuxu
MUTANTES

Hoje tudo mudou
Ontem amei você
O que você me dá, é lindo de morrer
É lindo, Oh! Oh! Oh! Yeah!
It’s very nice pra chuchu
It’s very nice pra chuchu
It’s very nice pra chuchu
Provei do seu amor
Eu sei, foi muito bom
O que você me dá, é lindo de morrer
É lindo Oh! Oh! Oh! Yeah!
It’s very nice pra chuchu
Hoje eu falo a sua língua
Eu era meio desligado
Eu não sou mais aquele
Palmas para mim
Minha Menina
It’s very nice pra chuchu...

7.7.09

caminho deserto

lugar distante

não tenho pressa

parece estranho

. .

quero ficar só em algum lugar
mas que ninguém me veja sozinho
não quero responder a questionários
não quero ouvir comentários
neste momento não me importo
em me manter desiformado
nada me interessa agora
nada por nada

não quero compartilhar dor alguma
não peço que me leiam de alguma forma
esta é apenas uma lamentação qualquer
como tantas outras que se pode ver
sem alguma cerimônia que pareça
não acredito em nada além daqui
portanto não irei a lugar algum
longe do meu corpo, o pensamento

3.7.09

"Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo."
Caio Fernando Abreu

29.6.09


como se diferente fosse
como se fizesse alguma diferença
como se nada fosse
como se fosse nada
nada de mais
nada comum
nada através
nada, enfim, nada
tudo bem, como sempre foi
como se eu fosse dizer se não tivesse tão bem assim
nada diferente deste lado de cá do rio
uma palavra apenas e um pedaço que ficou

26.6.09

Mestre Quintana
fluir

possíveis destinos da chuva
e uma saudade sem motivo
nada além desta anti-matéria

enfim, nada mais a esquecer
pretendo alcançar a novidade
ser nuvem que sempre passa
Primitivo

se ainda tenho vergonha de atravessar a calçada
como se atrevimento fosse não ter asas pra voar
nascido nas nuvens, olhava o chão como fosse céu
pensava consigo, o passarinho, será que consigo?

23.6.09




















..ouvindo Chico Buarque. violão, banco e calçada. como sentar em frente de casa em uma quarta feira à tarde de meio sol mesmo sendo adulto, em uma quarta feira à tarde, e vendo um carregamento de tijolos sentir culpa por não trabalhar naquele momento mesmo estando de férias mesmo cansado. satisfeito em reencontrar amigos que passam na rua, amigos que não via pois estava dentro da sala, elevador, escadas, protocolos e subsolos sem ver o sol. o som do Chico é como voz de amigo falando, mesmo quando não se precisa falar nada importante, quando se precisa falar qualquer coisa sobre o mundo, mulheres ou qualquer coisa mesmo..

18.6.09



barulhinho

todo mundo tem um barulhinho dentro de si
que toca o tempo todo que a gente nem ouve
uma musicazinha, musiquinha que não pára
que ritima o coração e os passos na calçada
e que por tanto tempo que toca, tempo todo
tanto que agora toca, passa por esquecimento
que às vezes a gente nem ouve e adormece..








17.6.09

memórias da infância II

eu pensava o tempo todo e nunca parava de pensar. eu chegava a me preocupar com grandes causas humanitárias. eu pensava como pode o mar não derramar se o planeta terra ficava flutuando no céu. eu pensava como o universo pode ser preto, e era preto em todas as fotografias que eu via nos livros, pois quando era dia o céu era azul ou branco. ou então comecei a desconfiar que os fotógrafos do universo só trabalhassem à noite. estranho isso, pois a maioria das pessoas trabalhavam de dia. dizem que quem não trabalha de dia é vagabundo. todos que eu já ví chamarem de vagabundo tomam cerveja. não sei se os fotógrafos do universo de dia tomam cerveja. tomar cerveja é coisa de adulto. cerveja tem um gosto ruim, muito ruim, igual de chimarrão. adultos tomam cerveja e chimarrão. quando as pessoas crescem têm gostos muito esquisitos. o meu tio mesmo enche o prato de pimenta e ele sabe que arde e continua colocando pimenta. isso é uma coisa que eu nunca consegui entender. não conseguir entender é uma coisa normal para mim, sempre diziam: um dia você vai entender. quase que tentei parar de tentar entender, pois se um dia eu vou entender então não precisaria preocupar por um bom tempo..





















memórias da infância
I

entre os antigos, as crianças eram miniadultos que não sabiam de nada. era assim que eu vivia, eles não me perguntavam nada, mas também não sabiam que eu sabia de tudo. eu pensava o tempo todo, eu não sabia mas era sobre economia, sociedades e culturas. eu via o mapa mundi pendurado na parede e ficava horas e horas navegando pelos mares, pelos lugares com nomes esquisitos pela Ásia e tentava imaginar como os gregos conviviam com os seus vizinhos turcos. eu pensava nos turcos pois eram os únicos estrangeiros que eu conhecia e eram vendedores de tecidos. eu pensava em deixar alguma coisa tipo uma folha de árvore no bolso da camisa de um dos turcos pra ver se ele levava essa folha pra Turquia, mas eu nunca ia saber. eu nunca cheguei perto deles, mas toda vez que eles estavam andando na rua minha tia dizia; olha os turcos, e eu olhava. eu pensava nos gregos pois era o que mais se falava no livro de desenhos da minha avó. eu nunca entendi porque se falava tanto nos gregos se foram os portugueses descobriram o Brasil, aliás acho que os protugueses fizeram tanta raiva aos brasileiros que tentamos nos vingar fazendo o livro da minha avó só com os gregos. os gregos devem ser pessoas gente boa, mas acho que não conversavam muito porque viviam o tempo todo só pensando. acho que deve ser legal ver pessoas que ficam o tempo todo pensando. pensar era a coisa que eu mais fazia..

15.6.09

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"
John Lennon
"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"

12.6.09

qualquer coisa por nada,
você dormia e eu acordava.
abria a geladeira e não havia nada
um copo com gelo é apenas
um copo com gelo antes de derreter
um copo com gelo derretido
é apenas um copo com um pouco de água

e daí?
ela disse adeus sem olhar nos meus olhos.
ela nunca mais voltou pra dizer qualquer coisa.
tudo bem, se isto sempre acontece comigo..

que o destino nunca me dedicou uma destas
histórias da televisão com final feliz e letrinhas subindo..

não há novidade neste caso, afinal.
ainda tenho relativa sorte em estar vivo
e com todos os dentes da frente, ainda que tortos.
tenho alergia às primeiras flores da primavera
e tenho dois dedos que não dobram mais
tudo bem quando se acostuma a não esperar
um cara assim como eu, tão normal, apenas.
apenas um entre tantos outros, loucos..



10.6.09

Não entendo como tanta gente pode ser enganada ao mesmo tempo por tanto tempo, sobre religião.

9.6.09

“Pouco prazer não é coisa pro meu coração que foi feito pra grande paixão
Para os amores maiores como o meu”
Sérgio Sampaio

"O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula."

Aristóteles - "Política", 1252 b.

8.6.09

Para Lévi-Strauss, diferentemente do funcionalismo de Lévy-Bruhl ou do existencialismo de Sartre, a diferença entre o primitivo e o moderno não está propriamente no campo das formas de representação do homem no mundo e do mundo no homem, mas na forma de expressão dessas relações.

transformado / natural e cultura / natureza

i feel like a trash

depois de tanto tempo calado e tanta besteira dizer agora
quebrei todos os vidros que eu mesmo havia construído
tarde de mais para se despedir, cacos não respondem mais
prefiro agora um copo meio vazio de um líquido inflamável
que perceber aos poucos estar evaporando à beira do fogo

acho que é isso e não posso pensar em me arrepender
não sinto tanta culpa agora de quando eu estava certo
e não tenho idéia agora de quando e onde me encontro
tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto faz, tanto

5.6.09

Mande um abraço pra velha

Os Mutantes

Já faz tempo pacas
Que eu não vinha aqui cantar no festival
Eu não vou ganhar, quem sabe até eu vou perder ou empatar

Nós não estamos nem aí
Nós queremos é piar
Nós estamos é aquiAlinhar à direita

E sua mãe onde é que está?

Mande um abraço pra velha

Diga pra ela se tratar

Você pensa que cachaça é água

Mas cachaça é água não
É não

Você pensa que eu estou brincando

Mas brincando eu não estou não
Estou não
Estou não

Imagine um festival

Sem caretas e no sol
Imagine um festival com a sua mãe e o Juvenal